O poder da influência

Laís Alves
Aug 22, 2017 · 5 min read

O primeiro episódio da terceira temporada de Black Mirror, série original da Netflix, mostra uma sociedade cuja moeda corrente é influência digital. A trama apresenta a vida de uma moça com pontuação de 4,2 estrelas que se desespera para alcançar um score melhor ao receber o convite de casamento de uma amiga com 4,9 estrelas. Parece absurdo, mas não é.

Com a popularização da internet todos nós passamos a ser produtores e disseminadores de conteúdo. Essa produção de conteúdo virou negócio. Fóruns no mIRC deram lugar a plataformas de troca de arquivos, salas de bate-papo foram substituídas por redes sociais, youtubers conquistam audiências que fariam inveja a emissoras de tevê, blogueiros são integrados a grandes portais de notícias, tuiteiros viram marketeiros de políticos e grandes empresas, instagramers se tornam celebridades. E essa transformação se dá à medida que essas pessoas, que até então eram pessoas comuns, alcançam cada vez mais audiência e passam a ser formadores de opinião.

Mas o que faz com que usuários comuns das redes sociais se tornem influenciadores? O tempo dedicado à construção da própria marca. Todas as redes sociais possuem métricas e indicadores de resultado. Quem cresce em audiência simplesmente está entendendo quais indicadores devem direcionar sua produção de conteúdo. O retorno disso é o engajamento que seu material alcança.

Quanto vale o like?

Estudos indicam que as redes sociais representam um dos principais motivos de depressão na adolescência e no começo da vida adulta. Empresas entendem que o like em seu conteúdo social indica um possível crescimento em suas vendas, assim como a queda no número de likes pode indicar sinais de crise.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook, foi relutante sobre o uso publicitário de sua rede social. O mesmo Mark Zuckerberg hoje muda as regras de publicidade frequentemente para que os profissionais de comunicação e marketing sejam mais criativos e explorem mais possibilidades de ganhar relevância orgânica na plataforma social.

Em tese, isso significa que quem não investe, não aparece. E isso é praticamente lei para muitas empresas. Há, porém, aquelas que investem em melhores equipes de conteúdo e num trabalho mecânico muito utilizado no começo da comunicação em redes sociais — o seeding. Diferente do spamming, o seeding é feito por perfis pessoais — normalmente community managers ou pessoas ligadas à marca que possuem boa reputação ou score. Esses usuários compartilham o conteúdo de uma empresa/site/portal em suas redes particulares e em grupos de usuários que podem se identificar com tal assunto.

O trabalho de seeding deve ser cauteloso para que este usuário não sofra queda em seu score ou reputação. É muito importante que ele possa falar pela marca e participar de debates ativamente, de forma que os mecanismos anti-spam das redes sociais não bloqueiem este usuário.

O Buzzfeed, por exemplo, é uma plataforma que utiliza bastante o trabalho de seeding. Os colaboradores do Buzzfeed compartilham em massa seus conteúdos, de forma a aumentar o poder viral de cada post. Toda vez que a empresa abre uma nova área, esta área ganha canais exclusivos para si. Para conquistar seguidores, porém, a página principal do site também compartilha os conteúdos daquela página.

O exemplo mais recente deste tipo de trabalho realizado pelo Buzzfeed é a página “Todo dia um teste diferente do Buzzfeed”, criada na última sexta-feira, 28/07. Hoje, 3 dias depois, a página possui mais de 22 mil seguidores — todos conquistados de forma orgânica.

Social Selling Index (SSI)

O Linkedin criou uma métrica chamada Social Selling Index, que atribui aos usuários o seu potencial de venda social. A ferramenta é destinada apenas a usuários, ao invés de Company Pages, e serve para definir o poder de venda do perfil a partir das interações que ele faz, da relevância dos conteúdos que ele publica e de sua participação em debates.

O princípio do Social Selling Index é o mesmo que o princípio do seeding, mas a premissa é mais interessante se formos aplicar ao mundo dos negócios: ninguém no mundo fala melhor que você sobre o seu trabalho, suas dificuldades e suas conquistas. Assim, se você é um usuário relevante na rede, as suas chances de gerar negócios para a sua empresa aumentam.

Um bom exemplo disso é o perfil de Luiza Helena Trajano, a presidente do Magazine Luiza. A Company Page tem um média 4,2% de engajamento com seus conteúdos. Luiza alcança engajamentos de 15 a 18% com artigos ou compartilhamentos de links.

Quão influente você é?

Existem diversas plataformas que indicam o nível de influência e os principais tópicos de domínio de todos os usuários. A mais conhecida delas é a Klout — criado em 2012 para medir o poder de influência dos usuários do Twitter. Posteriormente a Klout passou a analisar o score dos usuários por tópico de interesse e em em todas as redes sociais — indicando qual plataforma social oferece ao usuário sua maior audiência e quais são seus principais temas abordados.

Estas plataformas mensuram a participação em discussões, o número de publicações feitas diariamente, os tipos de conteúdo que mais geram engajamento de outros usuários (respostas, compartilhamentos, curtidas) e indicam em quais áreas aquele usuário é mais ou menos influente, de forma que ele minimize seus esforços atirando para todos os lados.

Influenciador ou celebridade?

Adolescentes e jovens adultos sonham em ser youtubers. Isso acontece porque nomes como Felipe Neto, PC Siqueira, Kéfera e Whindersson Nunes, dentre muitos outros, conquistaram a fama a partir de uma estrutura básica de produção — uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.

Conforme suas audiências aumentam, os youtubers passam a ter retorno financeiro — através do próprio Google, no formato de AdSense, mas também através de contrato com marcas que pagam ao dono do canal pela divulgação de seu produto, serviço ou espaço.

Embora este retorno pareça fácil e garantido, o trabalho de criação de uma marca pessoal — seja para um canal de Youtube, perfil no Instagram, página do Facebook, perfil do Linkedin ou mesmo um blog — é de longo prazo e de atualização constante. Muitos jovens desistem deste “sonho” quando percebem o tanto de tempo que este tipo de construção de imagem toma.

Para fins corporativos não é muito diferente. A não ser que sua empresa possa investir pesado em anúncios online para gerar tráfego e possua uma equipe de conteúdo igualmente de peso, dificilmente seus negócios crescerão no ambiente online do dia para a noite. A matemática do marketing digital é simples — quanto mais dinheiro se investe, mais rápido é o seu retorno. O conteúdo é essencial de toda forma: quanto melhor for seu conteúdo, maior sua pontuação de indexação pelos mecanismos de busca e redes sociais.

Se você só investe em anúncios, mas o conteúdo não é grandes coisas, seu retorno é mais rápido, mas é também finito. Para fugir deste tipo de problema o essencial é fazer um planejamento bastante completo antes de começar a agir em ambiente digital. Entender quem são seus concorrentes, como eles se comportam, de que forma o seu material pode ser mais relevante ou mais completo que o dele, a periodicidade de publicações em cada plataforma social que for utilizada e assim por diante. Assim a sua estratégia é traçada de maneira completa e funcional.

Quer bater um papo sobre estratégia digital? Vamos tomar um café!

Texto originalmente publicado em: 07/08/2017

Textão de trampo

Comunicação, mídias sociais, inbound marketing e a visão de uma jornalista vendida.

)
Laís Alves

Written by

Jornalismo, mídias sociais, tevê, música e astrologia for dummies.

Textão de trampo

Comunicação, mídias sociais, inbound marketing e a visão de uma jornalista vendida.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade