Tudo o que eu preciso saber

Você já viu essa série nova que lançou na Netflix?

E a última temporada de “Game of Thrones” (substitua por qualquer outro título de sua preferência, em inglês fica mais legal, como, por exemplo, e a nova temporada de “The Walking Dead”, de “House of Cards”, de “How to Get Away with Murder”, de “Dear White People”, etc)?

Não acredito que você não assistiu este filme. Foi indicado ao Oscar, levou Globo de Ouro e o kikito no Festival de Gramado!

É sério, você tem que ir nessa hamburgueria. Tá na lista das 14 melhores de São Paulo. É o melhor hambúrguer do mundo!

O quê? Você nunca ouviu Belchior, nem Liniker, nem aquele álbum de bossa nova do Miles Davis lançado em 1963? Em que mundo você vive? Já pro Spotify!

E aí, quando é que sai esse casório? E os filhos? Os cachorrinhos? E a pós? A casa?


Eu poderia criar mil outras frases como estas, mas acho que já é o suficiente para demonstrar as diversas exigências do nosso cotidiano.

Esse é o mundo em que a gente vive. Todo dia milhões de notícias, tweets, posts, snaps, que hoje são imprescindíveis e amanhã ou depois ninguém mais liga.

E assim vamos caminhando. Sem querer, nos tornamos “essa pessoa”. Que não apenas corre atrás deste currículo inalcançável, mas exige nível ainda mais elevado de seus pares. É quase uma condição de sobrevivência.

A boa nova do dia é: lembrar que não precisamos ser, ter, ouvir, ler, parecer ou saber disso tudo.

A boa nova é lembrar que para um certo alguém não interessa o que eu tenho a oferecer, nem o quão culto ou informado eu sou, nem minhas conquistas, nem minha ausência de conquistas. Não preciso fazer tipo, só ser eu mesmo, só ser quem eu nasci pra ser.

A boa nova é saber que existe um alguém pra dividir a caminhada, um lugar para depositar o fardo, um porto seguro para, antes de tudo, se encontrar.

Há boa nova! Hoje, é tudo que eu preciso saber.