Flores de plástico

Rafael Garcia
Feb 24, 2017 · 1 min read

O tempo arrasta para as profundezas
tudo o que ser humano julga
permanente. Tudo se perde nessa
empreitada: amores, sentimentos,
desejos, corpos. Flores de plástico
são como lembranças — o tempo não
as mata, somente as desbota. As
flores de plástico amarelam, suas
cores se perdem assim como a
memória, mas a sua essência
permanece impermeável. Se o tempo é
mais agradável as cores permanecem
por mais tempo. Mas se o tempo é
bravio e a chuva não dispersar tão
cedo, as cores se desbotam com mais
facilidade no próximo verão. O sol
também não pode ser muito quente,
pois o amarelado avança com mais
rapidez. Eu prefiro flores de
plástico. Flores de verdade serão
amanhã o que as lembranças são para
hoje: efêmeras. As flores de
plástico não se desfazem, ficam lá,
postas no vaso da mesma maneira que
foram colocas um dia por alguém.

textosdorafael

A página é um diário de lembranças inventadas, memórias, pequenos poemas, ensaios cotidianos e pequenos artigos que tem como principal objetivo realizar um singelo encontro de palavras, inspirações e experiências.

Rafael Garcia

Written by

Rafael M. Garcia é ator, pesquisador, professor e criador de conteúdo. É graduado em Artes Cênicas, licenciado em Artes Visuais e mestrando em Artes da Cena.

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