Monólogo — capítulo. 1

Rafael Garcia
Feb 24, 2017 · 2 min read

Eu sou um garoto, não muito popular
As pessoas que eu conheci ao longo da minha longa estrada
Foram minha única primavera
À noite, eu costumo sonhar com a miragem delas
Várias e várias vezes
Mas diante de alguns infortúnios
Algumas dessas pessoas se partiram entre as milhares de constelações nebulosas no céu da noite
E assim como eu, seguem vagando rumo à escuridão
Perdidas por estrelas desconhecidas

Eu sou um garoto, não muito extrovertido
Minha avó me dizia que eu sou como um lago calmo no verão quente
E que minha alma tinha sabor de suspiro de açúcar
Ela falava que eu era mais um perdido
Em meio a tantas personalidades inventadas
De uma nação que já estava morta

Quando eu era jovem
Eu ficava ouvindo jazz durante longas madrugadas
Acreditando que uma criança poderia ser livre um dia
Para contar suas próprias histórias
E viver suas próprias memórias

As pessoas que amei morreram cedo demais
E tudo o que eu herdei delas
Foram castelos em ruínas
De um reino que já não existe mais
De um povo que morreu esperando demais
E mesmo me sentindo sozinho em uma sexta à noite
E mesmo me perguntando “você pode fazer isso”
Eu me agarrava nas estradas que seguia
Como uma criança aprendendo a andar

Tenho fechado a minha boca para não ficar encrencado
Mas quando eu dizia que era feliz
As pessoas falavam que eu era mais um maluco
E me perguntavam “por que viver assim”
Mas tudo não passava de problemas inventados
Por essa geração desacreditada
Feita por pessoas que deixaram de experimentar a própria liberdade

Meu pai dizia que as minhas palavras tinham as mesmas proporções de uma tempestade tropical
E eu sei que é complicado fingir que você está respirando
Quando na verdade está se afogando
E mesmo acreditando que o paraíso possa ser um lugar melhor
Você decide voltar para a superfície
E tenta segurar novamente a próxima onda
Como um Superman

Mas mesmo assim
Eu continuo dançando por bares antigos
Caminhando sob velhas estrelas
Com más companhias
Amando velhas memórias
Porque, no final das contas
Nós nascemos livres

textosdorafael

A página é um diário de lembranças inventadas, memórias, pequenos poemas, ensaios cotidianos e pequenos artigos que tem como principal objetivo realizar um singelo encontro de palavras, inspirações e experiências.

Rafael Garcia

Written by

Rafael M. Garcia é ator, pesquisador, professor e criador de conteúdo. É graduado em Artes Cênicas, licenciado em Artes Visuais e mestrando em Artes da Cena.

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A página é um diário de lembranças inventadas, memórias, pequenos poemas, ensaios cotidianos e pequenos artigos que tem como principal objetivo realizar um singelo encontro de palavras, inspirações e experiências.

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