Somos Tão Jovens
Eu via a juventude dos filmes como algo… épico. Isso. Mas será que na vida, na vida real, a juventude era a mesma coisa?
Dizem que a juventude é a época das novas sensações. Dos novos gostos, cheiros e toques do mundo. Dizem que é a época onde nos descobrimos, onde descobrimos tudo ao nosso redor.
A mais pura verdade. Agora, eu sabia por experiência própria. Sabia do nervosismo, do frio na barriga na hora de socializar, sabia dos hormônios à flor da pele, sabia do instinto, de toda aquela coisa “foda-se o mundo, eu sou livre”. Também sabia da vontade de ser alguém idealizado, alguém “de filme”: dirigir um carrão, levar os amigos e a namorada para sair, beber, curtir.
Sim, aquilo me influenciara. E, mesmo perdendo a inocência comum à infância, mesmo “acordando para o mundo real” e deixando de crer em coisas “de criança”, eu ainda acreditava que iria vivenciar todas aquelas experiências.
E, de uma certa forma, assim que cheguei ao Ensino Médio, pude realmente aproveitar um pouco disso tudo. As festas, a bebida, os amigos… demais!
Mas eu ainda não acreditava muito que tudo poderia ser “perfeitinho”. Sabia que era impossível, e, sinceramente, achava um pouco estúpido também. Foi-se o tempo em que eu achava o máximo reclamar da vida “de barriga cheia”. Na realidade, passei a achar idiota as intrigas que haviam nos filmes, as “crises adolescentes”, era tudo muito superficial para mim…
Acho que, a partir do momento que passei a concluir isso, a partir do momento que passei a ver que haviam muitas dessas intrigas mesmo na vida real, ao meu redor, pude ver que a minha adolescência é, na realidade, perfeita.
Perfeita ao seu jeito: quarto bagunçado, discussões à toa na família, preguiça, falta de grana para sair, e mesmo alguns problemas de “relacionamento”. Turbulenta. Isso. Mas nem por isso ruim.
O que pode parecer até um pouco hipócrita de minha parte, apontar as “intrigas” e banalidades da adolescência retratada nos filmes, talvez seja quase que uma realidade para mim. Como disse, discussões à toa, preguiça, todas essas coisas são nada mais que pequenas coisas, pelas quais os adolescentes costumam fazer muito “drama”.
Repetindo outra coisa que disse anteriormente neste meu pensamento, a partir de certo tempo, pude ver que essas banalidades estão presentes demais na adolescência da vida real. Tudo é um problema para os “adolescentes incompreendidos”. Até mesmo coisas simples, como as que eu próprio citei…
De todo este pensamento, pude concluir que os filmes, embora cercados por toda uma “magia”, não precisam estar necessariamente fora de nosso alcance; podemos, sim, viver uma adolescência de novas descobertas, curtição, sem a necessidade de estar em um filme.
Acho que aprender isso nos ajuda a valorizar o que temos e o que somos, e não o que gostaríamos de ser. Temos uma vida e temos oportunidade de fazermos dela o que quisermos. Basta correr atrás.