
04. O Regresso (2016)
Drama, aventura • 156 min. | ★★★★★★★★★☆
⚠️ AVISO: Eu me esforço para manter as resenhas livres de spoilers, mas às vezes algo escapa. LEIA POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO!
Escrevo essa resenha após a premiação do Oscar e devo dizer que não acho que Leonardo DiCaprio foi merecedor do prêmio de melhor ator dentre os concorrentes nesta 88ª edição do evento. Claro, fiquei feliz por ele — ainda que também triste pelo fim de todos os memes da internet — mas acho que outro ator teve atuação superior (mais sobre isso em outra resenha). Ainda assim, minha opinião sobre O Regresso — que perdeu o prêmio de melhor filme para Spotlight e, nesse caso, merecidamente — segue fortemente positiva.
O filme adapta o livro de mesmo nome, escrito por Michael Punke, que por sua vez é baseado na história real de Hugh Glass, desbravador americano que desafiou a morte em busca de vingança contra os companheiros que os abandonaram à própria sorte após o violento ataque de um urso.
O livro é mais fiel à história original — no filme, Hugh Glass tem um filho mestiço de Pawnee, Hawk (interpretado por Forrest Goodluck, um ator que realmente tem etnia nativo-americana, como é o caso de demais personagens indígenas no filme). Esse personagem não existiu na vida real, mas “embeleza” a história, dando um caráter mais emocional à vendeta de Glass.
Em seu discurso do Oscar e algumas entrevistas, DiCaprio disse que o filme era sobre a natureza — algo corroborado pelo diretor mexicano, González Iñárritu (cujo sobrenome tem uma grafia muito legal, na minha opinião). Eu debato esse comentário — pra mim, o filme é sobre o poder do desejo obsessivo por vingança — mas é inegável que a natureza é quase um personagem do filme: lindas paisagens geladas no extremo norte do continente americano, capturadas com a genialidade do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki e sem utilização de iluminação artificial.


Para bom ou para ruim, o filme é extremamente gráfico — os belíssimos cenários contrastando com a violência detalhadíssima. O conjunto da obra cria uma experiência memorável e a história te faz contar os minutos para que Glass tenha sua vingança sobre sua nêmesis, o asqueroso John Fitzgerald (encarnado por Tom Hardy).
👍 PRÓS:
- Não tenho como falar o suficiente da estonteante fotografia desse filme — premiada justamente com um Oscar
- O elenco todo é convincente e serve bem seu papel na história
- Socialmente, o filme faz um ótimo trabalho de representação dos nativo-americanos — na trama e na indústria cinematográfica, contratando atores de etnia nativo-americana para os papéis de indígenas
👎 CONTRAS:
- Nenhum