15. Capitão América — Guerra Civil (2016)

Ação, fantasia • 147 min. | ★★★★★★★★★☆

⚠️ AVISO: Eu me esforço para manter as resenhas livres de spoilers, mas às vezes algo escapa. LEIA POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO!


O segundo filme sobre conflitos entre super heróis neste ano de 2016, Guerra Civil adapta (vagamente) a saga homônima das HQs, onde a pressão para que os heróis mais poderosos da Terra sejam comandados por uma organização governamental gera um choque de ideologias entre o Homem de Ferro, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e o Capitão América, Steve Rogers (Chris Evans); causando o cisma dos Vingadores em múltiplas facções.

Dando continuidade aos eventos de Era de Ultron e O Soldado Invernal, o filme coloca os Vingadores em uma situação tematicamente similar a aquela que dá a partida no evento dos quadrinhos: uma catástrofe durante missão em Lagos acaba sendo a gota d’água para que a sociedade e os governos mundiais passem a exigir responsabilidade dos super heróis pela destruição que comumente causam. As Nações Unidas preparam-se para aprovar os Acordos de Sokovia — batizados em referência à nação fictícia do leste europeu fortemente abalada durante uma batalha envolvendo os super heróis e o robô Ultron, na sequência de Os Vingadores — determinando que a organização internacional decidirá quando os Vingadores devem ser acionados.

Tony Stark é favorável ao acordo; tendo criado Ultron, o gênio bilionário playboy filantropo sente-se culpado pelos danos causados a Sokovia. Já Steve Rogers se opõe, temendo o que acontecerá quando motivações políticas começarem a decidir quem os Vingadores devem salvar ou não. O restante do grupo então se divide de acordo, posicionando-se ao lado do líder com quem mais concordam.

Fui procurar um gif de Guerra Civil e, bom…

Apesar das suas consequências para o grupo que se formou ao longo desses oito anos de Universo Cinemático da Marvel — algo demonstrado pela extensa lista de super heróis no elenco — o filme é o encerramento da trilogia do Capitão América nos cinemas e, portanto, mantém o herói bandeiroso tão central à trama quanto possível. Além do desentendimento com seu colega de equipe e amigo, Steve Rogers se vê precisando lidar com Bucky Barnes — seu amigo de infância desaparecido em combate durante a 2ª Guerra Mundial, que sofreu lavagem cerebral e passou a ser conhecido como o Soldado Invernal, um supersoldado a serviço da maligna organização HIDRA. Com sua consciência original aparentemente recobrada, Bucky torna a aparecer em público e é responsabilizado por um atentado a bomba contra a sede da ONU. Confiando em sua inocência, Steve Rogers decide ajudá-lo, tornando-se também alvo da justiça.

O filme satisfaz o que se propõe a fazer, conseguindo caracterizar o conflito entre os super heróis de maneira orgânica e lógica, além de fazer do acontecimento algo impactante na história do MCU por vir. Outro ponto alto da produção é o seu fanservice gostoso de se ver, cujo clímax é o confronto no aeroporto de Leipzig envolvendo inclusive o Amigão da Vizinhaça, Homem-Aranha (encarnado pelo novato Tom Holland)— aparecendo pela primeira vez nos filmes da Marvel Studios após acordo fechado com a Sony Pictures, que detinha os direitos de adaptações cinematográficas do herói. O Teioso não ocupa muito tempo de tela — o foco nele ficará para seu próprio filme, que estreia em julho de 2017 — mas é claro no que se vê dele que a Marvel lhe aplicou o mesmo tratamento criterioso que alavancou suas demais propriedades à fama em filmes recentes, mostrando potencial de alcançar positivamente as expectativas.

Créditos ao Mestre Miyagi pelo treinamento (“Wax on, wax off…”)

Outro ponto que me marcou como positivo foi o “vilão” do filme, Helmut Zemo, grande nome das HQs. A iteração cinematográfica — interpretada pelo habilidoso Daniel Brühl — perde aspectos como o baronato, os laços com a HIDRA e a visagem característica, mas mantém a personalidade ardilosa, o estrategismo aguçado e o profundo rancor direcionado aos Vingadores. Relegado ao segundo plano ante à disputa ideológica dos heróis — e assim, sendo mais um vilão subaproveitado nos filmes da Marvel — ele se destaca dos antagonistas que o antecederam por ter sucesso em seu plano, desferindo um golpe particularmente danoso na união já frágil dos super heróis.

Resumindo minha opinião, Guerra Civil é um exemplo dos filmes da Marvel em seu melhor, talvez o mais próximo que a franquia chegou do espetáculo que foi Os Vingadores. (Certamente muito mais próximo do que Era de Ultron…) Se você, como eu, assistiria capim crescendo se tivesse o logo da Marvel colado nele, nem preciso recomendar que assista — provavelmente já deve tê-lo feito!


👍 PRÓS:

  • Melhor crossover entre super heróis nos cinemas desde Os Vingadores — a dinâmica entre eles, tanto em momentos amigáveis quanto conflituosos; o encontro dos “novatos” com os membros veteranos da equipe… Tudo muito bom!
  • Coloca o Universo Cinemático da Marvel num caminho muito interessante, aumentando as apostas para os próximos filmes.

👎 CONTRAS:

  • O filme depende muito de histórias anteriores para ser assistido por alguém que as desconhece — algo que não é exclusivo a este filme e é um pouco inevitável, com esse universo completando quase uma década.
  • Mesmo tendo um vilão mais marcante do que os filmes anteriores, ele ainda acaba sendo pouco relevante — algo que é infelizmente quase uma marca registrada dos filmes da Marvel.