
Iniciativas engajadas movimentam a sociedade paulista
Com interesse social, projetos geram debates, informação e coletividade
Por: Renata Mendes e Thayná Agnelli
São Paulo reúne mais de 12 milhões de leitores diários de ponta de ponta da cidade. Indivíduos com variadas etnias, credos, sexualidades e gostos, uns com mais e outros com menos, convivem entre si. Nesse cenário, o espírito de em se acende em muitos cidadãos da grande metrópole.
Cada vez mais se abre espaço para novos empreendimentos e engajados em desenvolvimento na construção cultural e social do município. Para quem diz ' Não existe amor em SP', parafraseando Criolo, está enganado. ONGs, coletivos e festivais levam lazer, arte, informação e solidariedade em pontos distintos da Terra da Garoa.
O Sarau do Capão abre os microfones para jovens da periferia recitando versos que contam com sua realidade. O Clube de Mães presta assistência para moradores de rua. E a Virada Sustentável realiza ações em prol da sustentabilidade.
Os três grupos utilizados na FAPCOM durante o 11º Simpósio de Comunicação para contar como é feito todo esse trabalho.
Sarau do Capão
Vivências de meninos e meninas periféricas da Zona Sul de São Paulo são os grandes protagonistas do Sarau do Capão. Idealizado por Jéssica Campos, Tawane Theodoro e Gabriela Nascimento, o evento tem como objetivo compartilhar histórias com rimas que retratam a vida de minorias que habitam a região. Desde janeiro de 2017, uma vez por mês o projeto reúne cerca de 150 pessoas no espaço Fábricas de Cultura.
O coletivo é aberto, busca chegar à diferentes públicos com a mesma linguagem. “A gente precisa pensar em fazer uma poesia que atinge uma criança de dez anos e um idoso”, conta Jéssica Campos durante o Simpósio. Além disso, leva discussões e entretenimento a lugares onde muitas vezes a arte é ignorada. “A ideia é conversar com a comunidade e fazer diálogo com pessoas que ainda não têm acesso a um debate”, completa.
No Sarau, os microfones são livres para todos recitarem suas rimas e compartilharem suas histórias, que também são contadas através da dança e da música. Quem frequenta é fiel ao evento e sente-se confortável em se apresentar ali.
A literatura marginal não serve apenas de instrumento de empoderamento e representatividade para a população local, mas ajuda a construir pontes com outros grupos. “A gente precisa conversar não só com a comunidade em si, mas com movimentos sociais”, aponta Jéssica. A iniciativa luta por questões de gênero, raça e classe.
Com a internet, o projeto alcançou gente fora da Grande São Paulo, como em Portugal e na Espanha. “A nossa poesia chega dentro do quarto de quem não pode ir no Sarau. Chegamos a lugares que geograficamente não poderíamos ir”, comenta Gabriela Nascimento. Para quem deseja visitar o coletivo a jovem aconselha. “Senta no chão e participa de verdade. Sente o Sarau”, finaliza.
Clube de Mães
Há 44 anos, Maria Eulina Hilsenbeck auxilia moradores de rua a se reintegrar a família ou, ao menos, sair de tal condição. Ela teve essa iniciativa depois de viver quase dois anos nessa situação.
Em 1993, fundou o Clube de Mães. A instituição busca capacitar profissionalmente quem está sob vulnerabilidade. Nas oficinas, eles aprendem a fazer salgados e a costurar, por exemplo.
Segundo Maria, de 1996 a 2002, o coletivo capacitou mais de 73 mil cidadãos. “De lá para cá, eu decidi não contabilizar mais, nós não somos estatística. Meu trabalho é atender todos que precisam e querem a nossa ajuda”, enfatiza.

Além de qualificar os moradores de rua, no último domingo de todos os meses, o Clube promove uma “grande ação social”. O local abre as portas para cerca de 300 indivíduos. Lá eles recebem café da manhã, almoço, atendimento médico, odontológico. Também podem cortar o cabelo, tomar banho e ganham uma troca de roupa. Com a participação da Polícia Federal, eles têm a oportunidade de tirar os documentos.
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Enquanto falava para um auditório lotado de alunos, professores e outros funcionários da FAPCOM, Maria Eulina fez questão de reforçar que “a invisibilidade dos moradores de rua não está neles e, sim, nas pessoas que só criticam e não exercem um papel humanitário”.
Virada Sustentável

Quando estiver em sustentabilidade automaticamente o que vem na mente é sobre o meio ambiente. Mas falar sobre o assunto pode ir além das discussões sobre o mundo verde. “Sustentabilidade, questões de erradicação da pobreza, redução da desigualdade, diversidade, cultura e base de outras coisas que não estão relacionadas com o tema”, conta André Palhano, criador do movimento Virada Sustentável.
O festival começou em 2011 em São Paulo, mas já se passou por cidades como Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre e Salvador. O evento procura difundir as clínicas e as pessoas sociais com diferentes atividades.
Nenhum vídeo abaixo, André comenta sobre o tema.
