O que esperar do Super Bowl LI

266 jogos já se passaram na temporada 2016–2017 da NFL. Agora, é a hora de debater tudo o que acontecerá na última partida do campeonato, o Super Bowl LI.

Ao longo da semana, o The Playbook Brasil realizou uma cobertura especial da grande final da NFL, com análises das comissões técnicas dos Patriots e dos Falcons e também revisitando como foi o caminho dos times de New England e Atlanta para chegar até o Super Bowl. Com estes ângulos já cobertos, é o momento para esmiuçar cada confronto que poderá fazer a diferença na partida de domingo. Para isso, será feito um detalhamento de cada equipe, olhando para seus ataques e defesas e, depois, uma prévia do que esperar no jogo.

Os ataques

Patriots

Com uma média de 27,6 pontos por partida, o ataque do time de New England foi o terceiro mais prolífico da temporada no quesito, também terminando com a quarta maior quantidade de jardas conquistadas por jogo. Tudo isto é possível graças às ótimas chamadas do coordenador Josh McDaniels e sua sintonia com o quarterback Tom Brady, que teve mais um grande ano.

Mesmo tendo perdido os quatro primeiros compromissos do time, Brady mostrou porque é um dos melhores da história e aplicou diversas clínicas contra as defesas adversárias. Melhor nos passes em profundidade em relação aos anos anteriores, o QB aproveitou brechas em passes que viajaram mais de 20 jardas e cuidou da bola com maestria. Foram apenas duas interceptações em 432 passes, ou seja, apenas 0,5% de seus lançamentos foram capturados pelos adversários. Além disso, com seus 28 touchdowns, quebrou o recorde de proporção entre TDs e interceptações.

Para receber seus passes, Brady contou com a consistência de Julian Edelman como principal válvula de escape. O wide receiver teve a temporada mais produtiva de sua carreira em termos de jardas, ao anotar 1106, mas com apenas três touchdowns. Com Rob Gronkowski, seu maior alvo, lesionado por metade do campeonato e fora da final, o quarterback teve que dividir seus alvos, com o running back James White, o tight end Martellus Bennett e o recebedor Chris Hogan sendo os maiores beneficiados. Também vale ressaltar a presença do calouro WR Malcolm Mitchell, que cresceu na segunda metade do ano, mas perdeu jogos machucado ultimamente. No entanto, Mitchell estará disponível no Super Bowl.

A linha ofensiva foi a quinta que menos cedeu sacks, com apenas 24, deixando seus QBs serem acertados apenas 73 vezes ao longo de todo o ano. O destaque fica para os tackles Marcus Cannon e Nate Solder, que mantiveram os passadores livres de pressão na maior parte do tempo. Também vale ressaltar a capacidade da unidade de abrir espaços para o jogo corrido, o que levou o running back LeGarrette Blount a ter a temporada da carreira, com 1161 jardas e 18 touchdowns, liderando a NFL na última categoria. No ataque terrestre, outro nome para ficar de olho nesse próximo jogo é Dion Lewis, que começou 2016 na lista PUP, sendo ativado na semana 9 e estreando na rodada seguinte. Ele pode ter impacto tanto correndo quanto recebendo passes.

Falcons

A melhor unidade ofensiva da temporada anotou 33,8 pontos em média por jogo, com 415,8 jardas por partida, sendo 6,7 por jogada. Com um ataque tão explosivo, o time teve o controle do placar em quase todas as suas aparições ao longo do ano, não tendo vantagem no marcador no último quarto em apenas um compromisso.

Tudo começa no incrível trabalho feito pelo quarterback Matt Ryan e pelo coordenador ofensivo Kyle Shanahan. Escolhidos como MVP e Assistente do Ano pelo The Playbook Brasil, os dois comandaram com eficácia impressionante um dos melhores ataques a alcançar o Super Bowl. O QB lançou 38 touchdowns contra apenas 7 interceptações, liderou a liga em rating, quase alcançando as 5000 jardas e quebrando o recorde de jardas por passe.

Isto foi possível graças às chamadas de Shanahan, que soube balancear o jogo corrido com o aéreo, usando suas várias armas nos momentos exatos para maximizar o impacto. Com o melhor recebedor da NFL na atualidade em Julio Jones, os Falcons têm uma arma capaz de tomar conta de uma partida por conta própria. Além disso, os recém chegados Mohamed Sanu e Taylor Gabriel têm papel fundamental ao diversificarem a forma que atacam os adversários. Enquanto Sanu se mostrou efetivo na red zone, Gabriel executa ótimas rotas em profundidade e é capaz de levar qualquer passe curto para um touchdown. Os tight ends Austin Hooper e Levine Toilolo participam de forma mais discreta, mas são confiáveis para ao menos uma recepção importante.

Os running backs Devonta Freeman e Tevin Coleman formam a melhor dupla da NFL na posição, se complementando de forma excelente. Ao passo que o primeiro ataca os espaços abertos por sua linha ofensiva com violência, o segundo procura vencer com sua velocidade, alternando o ritmo do ataque. Apesar de Freeman ter se mostrado uma boa arma no ataque aéreo, Coleman é capaz de mudar uma partida com sua capacidade de receber passes saindo do backfield, como fez na partida contra o Denver Broncos, quando anotou 131 jardas e um touchdown. O desempenho dos dois também é amplificado por uma forte linha ofensiva que é a única da NFL a ter a mesma combinação começando todos os jogos como titular. A chegada do center de elite Alex Mack na offseason ajudou a fortalecer o meio da unidade, que ainda contou com o desenvolvimento do left tackle Jake Matthews.

As defesas

Patriots

Ninguém cedeu menos pontos em 2016 do que os Patriots. Foram apenas 15,6 sofridos em média por partida, além de posições no top 10 em jardas sofridas por jogo e por jogada. Com o coordenador Matt Patricia comandando uma estratégia de eliminar o foco do ataque adversário, o time de New England encontrou muito sucesso na temporada.

A linha defensiva contou com ótimos desempenhos de Alan Branch e Malcom Brown contra a corrida. Apesar de nenhum destaque em termos de pressão aos quarterbacks adversários, os Patriots tiveram uma forte rotação, com uma mistura de jovens como Trey Flowers, líder do time em sacks, e veteranos, como Jabaal Sheard e Chris Long. Completando o front seven, o time não parece ter sentido a perda de Jamie Collins e conta com Dont’a Hightower patrulhando o meio do campo como seu maior nome. Além disso, o subestimado Rob Ninkovich e o calouro Elandon Roberts, substituto de Collins, merecem destaque.

Na secundária, o destaque fica para Malcolm Butler. O herói do Super Bowl XLIX teve mais uma ótima temporada ao encarar alguns dos melhores recebedores da NFL e liderar o time com quatro interceptações. Logan Ryan pode ter começado mal o ano, mas contou com uma ótima recuperação na segunda metade do campeonato e terá um importante papel no domingo. Chegando ao time em troca com os Eagles poucos dias antes da estreia dos Patriots, Eric Rowe também verá o campo com frequência. Além do trio de cornerbacks, a dupla de safeties formada por Devin McCourty e Patrick Chung deverá limitar as jogadas explosivas do ataque dos Falcons.

Falcons

Unidade mais frágil desse Super Bowl, a defesa dos Falcons pode se tornar a que sofreu mais pontos por jogo (25,4) a ganhar um campeonato. Apesar de ter demonstrado melhorias estatísticas nas últimas rodadas, muito se deve a enfrentar muitos ataques fracos. Ao chegar aos Falcons, o treinador Dan Quinn procurou implementar o mesmo esquema bem sucedido de sua defesa em Seattle. Com isso, buscou jogadores versáteis e de características semelhantes ao de seu emprego anterior, que lhe rendeu o cargo.

Primeira escolha de draft de seu regime foi Vic Beasley. Após um ano de calouro decepcionante, o outside linebacker foi o líder da NFL em sacks com 15,5. Outros nomes na rotação da linha defensiva do time são Grady Jarrett, Ra’Shede Hageman, Tyson Jackson e Jonathan Babineaux. Uma ausência que deve ser sentida é a do pass rusher Adrian Clayborn, segundo melhor da equipe em pressionar os passadores adversários, mas o veteraníssimo Dwight Freeney fará o possível para mitigá-la. O front seven ganhou muito em habilidade atlética com os linebackers selecionados no último draft. Deion Jones, líder em tackles entre calouros, e De’Vondre Campbell formaram uma sólida dupla ao longo da temporada, mostrando muita velocidade. Além disso, os dois têm características que permitem que a defesa tenha maior versatilidade para cobrir running backs e tight ends em jogadas de passe.

A secundária é um setor muito inexperiente e que não contará com seu melhor jogador, uma vez que o cornerback Desmond Trufant se lesionou na nona rodada e está fora da final. Com isso, coube aos jovens Robert Alford, Jalen Collins e Brian Poole cobrir os recebedores adversários. Assim, a unidade acabou sendo explorada ao longo da temporada e estará sob os holofotes nesse domingo. Para tentar limitar as falhas, o time terá a dupla de safeties formada por Ricardo Allen e Keanu Neal, selecionado na primeira rodada do último draft, de olho nas rotas em profundidade.

A análise

Quando o ataque dos Falcons estiver em campo, será interessante reparar qual o ritmo que Shanahan adotará. Ele pode optar por avançar de modo explosivo ou tentar controlar o relógio e buscar preservar a defesa do time. Além disso, o time tem muitas armas, então uma das observações mais importantes é o sistema de marcação empregado pelos Patriots. O que tem sido dito é que Logan Ryan e Eric Rowe alternarão na cobertura mano a mano contra Julio Jones, mas tendo o auxílio de Devin McCourty em todas as situações. Assim, Malcolm Butler pode se dividir, minando as jogadas para Taylor Gabriel e Mohamed Sanu.

Outro aspecto de grande valor é a situação física de Alex Mack. Ele sofreu uma lesão na perna e não estará no ápice de sua forma para a partida. Os Patriots têm o hábito de utilizar Alan Branch cobrindo o center adversário, o que deve proporcionar um duelo muito importante para o jogo terrestre. A expectativa é que os comandados de Bill Belichick consigam limitar o impacto de Devonta Freeman e Tevin Coleman, mas que os Falcons usarão os dois como opções para desequilibrar os números no ataque aéreo, liberando Julio Jones das situação de cobertura dupla, para que este possa proporcionar maiores estragos.

Já quando Tom Brady invadir o gramado, a receita já está bem difundida. É necessário pressioná-lo constantemente desde o início da partida ou então ele irá avançar impiedosamente. Para tirá-lo do ritmo, os Falcons precisarão de uma grande exibição de Vic Beasley, que é apenas o quarto campeão de sacks a chegar no Super Bowl no mesmo ano (todos os outros saíram campeões). No entanto, Marcus Cannon provavelmente limitará seu impacto, o que tornará ainda mais importante a pressão pelo interior da linha, como aconteceu na partida contra os Packers.

Contudo, o que se espera é que os Falcons não tenham sucesso de forma consistente o suficiente para abalar Brady. Assim, o provável é que ele se aproveite de diversos duelos favoráveis e avance aos poucos, com passes em rotas curtas e intermediárias contra uma secundária jovem e inexperiente. Outra peça chave será LeGarrette Blount, que deve ter um número alto de carregadas, cansando a defesa dos Falcons e abrindo mais espaços para seu quarterback e para os recebedores. Dessa forma, os Patriots provavelmente tentarão controlar o relógio, limitando o número de posses do ataque adversário e pontuando com frequência.

Com todos estes pontos estabelecidos, o Super Bowl LI deve ser um jogo de poucas posses de bola, o que deve proporcionar um placar abaixo do esperado, mas com touchdowns ou field goals anotados em quase todas as campanhas. Por mais que a expectativa é que Ryan tenha uma grande partida e supere a defesa dos Patriots com regularidade, há uma diferença maior quando o ataque comandado por Brady estiver em campo. Além disso, a enorme diferença em termos de experiência deve fazer a diferença em um jogo apertado e que deve ser decidido nos últimos minutos.

Palpite: Patriots

Transmissão: ESPN e Esporte Interativo a partir das 21h

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