Gol não validado na Copa de Mundo de 2010. A Alemanha vencia a Inglaterra por 2x1 (e venceu por 4x1), seria o gol do empate para o English Team. Mudaria o Jogo?

The Playmaker #1 — UEFA aprova uso da “Goal-Line Technology”

Os críticos estão ficando para trás.

Em 2012 a Internacional Football Association Board (IFAB), órgão que regulamenta as regras do futebol, decidiu fazer mudanças nas regras do jogo para permitir o uso da “goal-line technology” (GLT), sistema que diz se a bola cruzou completamente a linha de gol. No mesmo ano, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) decidiu introduzir as mudanças e a tecnologia foi testada durante o Mundial de Clubes. Depois disso, Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014), Copa do Mundo de Futebol Feminino (2015). Desde a temporada 2013–14 é utilizada na Premier League e foi introduzida nesta temporada (2015–16) na Bundesliga.

Apesar dos diferentes tipos de tecnologia usadas, todas têm o mesmo objetivo: Dizer ao árbitro se a bola entrou ou não. Inúmeros lances em que há dúvida a respeito disso ocorrem e me parece óbvio que o juiz e seus auxiliares, pela própria imperfeição humana, às vezes não têm certeza se foi ou não gol. A tecnologia da linha do gol elimina quase que complemente o debate acerca dessa questão. Lances desse tipo ocorrem em segundos e qualquer desatenção ou piscar de olhos podem atrapalhar o julgamento.

Pois bem, a União das Federações Europeias de Futebol (UEFA) decidiu também adotar a mudança já na Eurocopa deste ano e na próxima Liga dos Campeões.

Apesar da tendência, ainda há muitas críticas ao uso de tal tecnologia. O próprio Michel Platini (que seria o Presidente da UEFA se não tivesse sido banido do futebol por 8 anos) se opõe a ideia. A goal-line technology é criticada por remover um pouco da humanidade, da simplicidade do jogo. Mas será mesmo? Assumo que o esporte precisou ter as regras modificadas para admitir tais mudanças, mas elas não mudarão a dinâmica - simplicidade, rapidez - do futebol, porque o número de partidas que há controvérsia sobre a bola ter ou não entrado é muito baixo. O tempo perdido solucionando o impasse também é muito baixo. Essa mudança não prejudica a construção de uma jogada, nem resultará em intermináveis discussões entre o árbitro e auxiliares, a GLT simplesmente dirá: “gol” (ou “não foi gol”). Ainda nesse quesito eu deixo uma pergunta: Já que o gol necessariamente pausa a partida, por que não pará-la quando há um lance de duvida sobre a existência ou não dele?

Argumentam que o poder do árbitro é diminuído. Concordo, é mesmo. A bola ter entrado ou não depende muito pouco da interpretação do juiz, ao contrário das faltas, mas muito mais da percepção e dos sentidos. Em outras questões, no entanto, o juiz continua lá, disciplinar os jogadores e zelar pelo bom andamento da partida é uma tarefa para “árbitros humanos”. A tecnologia vem para ajudar, não para substituir.

Um outro problema apontado é que a tecnologia é cara demais para se implementar. Não nego, nesse ponto é difícil apontar soluções fáceis, mas acho razoável considerar que a medida que o tempo passar os fabricantes reduzirão seus custos, mais ligas adotarão e o sistema ficará cada vez mais barato, capitalismo puro e simples. Aliás, esse é o ciclo da maioria dos produtos que vemos por aí. Esse fato é importante porque certamente haverá competições em que a goal-line será usada e em outras que não, acredito que não há problema porque esse sistema não é fator determinante do jogo, como as dimensões da trave, por exemplo.

Como o leitor já deve ter percebido sou favorável a medida porque ela traz - ou tenta trazer - justiça ao Beautiful Game. Acho que alguns precisam perceber que a emoção não é o oposto da justiça nos esportes. Muito pelo contrário, os torcedores na NFL (liga de futebol americano) e na NBA (liga de basquete americana) costumam comemorar as revisões dos lances.

Espero que com a adoção pela UEFA, mais ligas com recursos também possam seguir a maré, como a Major League Soccer (campeonato americano de futebol) e outros campeonatos europeus, como o espanhol, modernizando ainda mais o futebol.

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