Estados Unidos financiou exército saudita três dias antes da execução de líder xiita

Em dezembro, o Departamento de Defesa do Estados Unidos investiu 37 milhões de dólares nas Forças Armadas da Arábia Saudita

O Oriente Médio vive um novo clima de tensão após a Arábia Saudita executar o clérigo xiita Nimr Bager al-Nimr. O clérigo era um defensor ferrenho dos direitos civis, como a liberdade religiosa e de expressão. Nimr al Nimr ficou conhecido após os seus discursos acalorados contra a monarquia sunita, que governa o país.

Nimr Bager al-Nimr foi acusado de terrorismo após ter, supostamente, matado um policial. O clérigo e outros 46 xiitas capturados pela monarquia foram executados no último fim de semana. A sentença causou revolta de países de maioria xiita, como o Irã, e de aliados históricos, como o Estados Unidos e União Europeia.

“Sem nenhuma dúvida, o sangue deste mártir derramado injustamente dará frutos e a mão divina o vingará” Ali Khamenei, líder supremo do Irã

O grupo de direitos humanos Reprieve alegou que Nimr Bager al-Nimr e outros 4 xiitas foram condenados à morte por motivos políticos.

O Estados Unidos no jogo de xadrez

Após a execução, cidadãos iranianos se dirigiram até a Embaixada da Arábia Saudita e atearam fogo no prédio, destruindo o interior da embaixada. Em consequência, a Arábia Saudita anunciou no domingo, 3 de janeiro, o corte das relações diplomáticas com o Irã e solicitou o retorno do seu embaixadore no país.

O Estados Unidos vê com preocupação o seu principal aliado e fornecedor de petróleo, no Oriente Médio enfrentar as forças de um Irã que ousou desafiar a pressão estadunidense mas que finalmente, assinou um acordo em relação ao enriquecimento de urânio.

Com medo de que a aliança e o acordo entrem em xeque, o porta-voz do Departamento de Estado pediu para que a Arábia Saudita e o Irã se esforcem para “não exacerbar as tensões sectárias”.

“Achamos que as relações diplomáticas e as conversas diretas são essenciais para superar as diferenças” John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado

O financiamento que vem do Norte

Apesar de vir à público solicitar que os governos locais se esforcem pela paz, o Departamento de Defesa do Estados Unidos parece ter agido mais rápido para alimentar a força do seu aliado saudita.

Em divulgação realizada pelo próprio site do Departamento, em 29 de dezembro, apenas três dias antes da execução do líder xiita, o governo estadunidense informou que a Advanced Electronics, empresa de pesquisa eletrônica e defesa militar da Arábia Saudita, foi contemplada com um acordo de $12.500.000,00 — doze milhões e meio de dólares.

Segundo a publicação, esse valor é destinado à manutenção e modernização do sistema eletrônico utilizado pela Força Aérea da Arábia Saudita. O valor total repassado pelo contrato deverá ser destinado às forças militares sauditas e o prazo se prolonga até o dia 28 de junho de 2018.

Outro contrato também foi divulgado. Este repassa $43.714.642,00 para a Raytheon Company, conglomerado estadunidense e maior produtor do mundo de misseis guiados.

Neste contrato, o valor total é dividido pelos países da seguinte forma: 57% para a Arábia Saudita; 27,5% para Taiwan; 7% para Kuwait; 6% para Emirados Árabes; 1,5% para Coréia do Sul e 1% para Israel.

Sendo assim, o contrato prevê um total de $24.917.345,94 para serem investidos em reparos de items militares da Arábia Saudita até 31 de dezembro de 2016.

Estranha-se tamanho investimento nas forças militares sauditas poucos dias antes da execução de Nimr Bager al-Nimr, já que o Estados Unidos se posicionou contra a execução e cobrou do governo da Arábia Saudita mais comprometimento com os direitos humanos.

Vale lembrar também que a Arábia Saudita estava no meio de um cessar-fogo no Iêmen, acordo realizado com forças xiitas que tentam derrubar o governo do Iêmen, em 15 de dezembro de 2015. Porém, no sábado passado, 2, a Arábia Saudita anunciou o fim deste acordo, alegando ter sido bombardeada ao sul pelos xiitas.

Enquanto o Estados Unidos fala para as câmeras um discursos de palavras bonitas sobre paz e direitos humanos, ele age pelos cantos semeando a guerra e as matanças.

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