Senador republicano muda discurso após saber de espionagem contra Israel

— Marco Rubio, senador da Flórida e pré-candidato presidencial, era defensor dos programas de vigilância. Só até ontem.

Na última quarta-feira, 30 de dezembro, o Wall Street Journal revelou que o governo do Estados Unidos espionou cidadãos israelenses. A denúncia ainda incluía o fato de que a atividade de espionagem abrangia também as conversas do primeiro-ministro israelenses, Benjamin Netanyahu, com parlamentares estadunidenses.

A denúncia de espionagem contra o maior aliado pegou os políticos estadunidenses de surpresa. Marco Rubio, senador pelo estado da Flórida e pre-candidato a presidente pelo Partido Republicano, foi rápido ao se pronunciar. “Eles [os israelenses] tem o direito de estarem preocupados, já que enquanto deixamos de espionar alguns líderes mundiais, nos preocupamos em observar as atividades de nossos aliados.”

Esse é um discurso novo para o presidenciável. Em 2014, quando foi divulgado que o governo do Estados Unidos espionava países como Brasil e Alemanha, diplomaticamente neutros, o republicano Marco Rubio esbravejava aos ventos que tudo não passava de uma “neurose” sobre os programas de vigilância e que não haviam provas de que a Constituição estava sendo violada.

Essa mudança repentina de humor parece ter alguma explicação. Segundo informações do The Intercept o candidato estaria interessado no apoio financeiro de um empresário pro-Israel, que desembolsou $150.000.000 na última eleição presidencial, em 2012.

A reação de Rubio nos mostra que, assim como no Brasil, os interesses políticos são alterados de acordo com o bolso do político. Se o candidato não defendia o fim da vigilância contra Brasil e Alemanha, é porque essa posição não se mostrava vantajosa do ponto de vista financeiro.

Assim foi com Barack Obama. Quando senador, ele era um crítico ferrenho dos programas de vigilância. Ao vencer a disputa presidencial, alterou seu discurso e ampliou a espionagem. Na história da política estadunidense não há heróis ou vilões. O que existe são os interesses financeiros.

*Informações obtidas através do The Intercept

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