As crianças não são o problema, a sua forma de lidar com elas que é.

Trabalhando com Educação, tendemos a presenciar diversas situações onde os professores estão desanimados e desmotivados. Escolas que não oferecem reciclagem/treinamento ou plano de carreira, famílias que não ajudam o professor, estrutura que — muitas vezes — não atende as necessidades da turma, entre outros diversos problemas, são grande motivadores pra essa falta de interesse do professor em seu próprio trabalho.

Com essa falta de motivação, vêm acompanhado um desânimo grande com relação aos alunos, principalmente quando são crianças mais ativas. De repente, uma sala com duas crianças a mais que o esperado vira o inferno na Terra, e a professora/o professor, abre mão de tentar e passa a contar os dias no calendário pras próximas férias. Parte-se do princípio de que aquela turma “não tem jeito”, que não há nada que possa ser feito e que eles são assim mesmo. Um discurso de aceitação muito famoso.

O fato por trás dessas situações, é que o problema nunca é as crianças. Já trabalhei em algumas escolas e vi crianças de todos os tipos e vindas de famílias muito variadas, mas no final das contas as crianças são todas iguais: seres humanos competentes e capazes de aprender e de criar. São seres que tem suas vontades e necessidades, querem brincar, querem falar, querem cantar, pular, gritar, correr, beijar, abraçar, e aprender. Crianças que as vezes só precisam de um abraço, e outras vezes só precisam de liberdade.

O problema real é a falta de visão e de disponibilidade pra sair da rotina e pra compreender e respeitar as crianças. Um professor, pra ter sempre condições de aprimorar todas as turmas com as quais ele trabalhar, precisa estar disposto a mudar. Mudar as músicas que canta, mudar a forma de pensar, mudar a forma de falar e a forma de fazer. Quando algo não estiver mais funcionando, é hora de mudar. Seja a forma de falar com a criança, a forma de ler um livro, de fazer uma roda, de mudar de ambientes. Mudar até mesmo o tom de voz, já faz uma grande diferença.

Outra questão é que, nesses casos, os professores sempre subestimam os alunos. Ao assumir uma atitude de que não há mais o que fazer pois as crianças são daquele jeito e ponto, o professor admite que as crianças não podem aprender, e não há nada mais errôneo do que essa fala. Nunca subestime as crianças, elas são capazes de compreender tudo e muitas vezes melhor que muitos adultos. Converse com elas, conecte-se, explique a situação, faça combinados, lembre-as destes sempre que necessário, dê a elas sua confiança, deixe que elas façam algumas tarefas sozinhas, pra que elas tenham autonomia. Confie e acredite nos alunos, independente de quantos anos eles têm.

Eles conseguem! Com combinados, rotina estabelecida(horário pra comer, pra atividade, pra brincar, pra fazer a roda), sabendo o que fazer nos momentos de “mudança”(onde ir quando terminar uma atividade, o que fazer ao terminar de comer, etc), e sabendo pra onde correr caso algo dê errado, os alunos — mesmo os mais novos deles — conseguirão fazer MUITAS coisas sozinhos. Aprenderão a lidar com acidentes, limpar a sujeira e a bagunça, e até mesmo a ajudar os amigos quando estes precisarem.

As crianças podem fazer muitas coisas sozinhas, elas aprendem numa velocidade muito rápida e absorvem tudo que acontece ao redor delas, por meio da exploração dos seus sentidos. Mas nada disso acontecerá se o professor não acreditar nos seus alunos e não fizer o possível pra melhorar sempre mais. E as duas regras principais pra que as coisas realmente melhorem são essas: Acredite e mude!

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