Chapando nas cachoeiras e no amor da Chapada dos Veadeiros

A grana é curta e o tempo menor ainda, mas eu tento conhecer pra valer todos os hotéis que pintam na minha frente.

Estive em carne, osso e cartão de crédito (pode parcelar em quantas vezes, moço?) na maioria deles, mas às vezes abro algumas exceções — como agora — para falar de um lugar que, apesar de não ter ido, sei que merece um lugar ao sol.

Então, ó, vou logo avisando que nunca pisei no Hostel Catavento, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, mas já recomendo pra Deus e o mundo, porque, nesse caso, QUEM eu conheço é mais importante: a Julia e o Ivan, um casal lindo que veio ao mundo fazer lindezas — e esse hostel está sob a tutela dessa dupla dinâmica.

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hostel catavento

Fotos: reprodução[/caption]

Conheci esses malucos porque os meus planos de ano novo A, B e C minguaram junto com a minha conta corrente, e eu tive de tirar da cartola um réveillon bacana, que coubesse no meu orçamento bolsa-família.

Cheguei até o Ivan como todo mundo chega: por indicação. Pode perguntar pro seu amigo que já foi pra lá, se ele não lembra de um loiro alto, de dread, cumprimentando TO-DO MUN-DO.

Ou fazendo um som no mercadinho da cidade. Ou salvando os espertalhões “I’m too sexy for a guia” que se acidentam nas trilhas. Ou recitando poesias (de autoria própria!) na beira da fogueira. Mas talvez bem na hora que seu amigo olhou, o Ivan estivesse muito ocupado abraçando uma árvore ou conversando com uma borboleta — e aí eles se desencontraram, uma pena.

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Se isso aconteceu, seja brother do seu brother e diga a el@ pra voltar. Tem uma infinidade de outras cachoeiras para se desvendar por lá, mas tem que conhecer o Ivan também, sobretudo porque ele namora a Julia, e ela é foda.

Eles chamam um ao outro de “par evolutivo” e você quer transbordar de amor só por isso.

As portas da casa onde moram ficam trancadas por pura formalidade, já que qualquer vira-lata (literalmente) pode entrar. E isso vale pros abraços deles também: têm pra todo mundo.

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Vegetarianos e (eco)conscientes, esses dois são o que algumas pessoas definem como ripongas — mas a carga negativa do rótulo é varrida pra longe no rodar do saião da Julia, que arrasta folhas e sonhos por onde passa.

Quando eu os conheci, na virada do ano, cantávamos e contávamos os planos pra 2015 sob a luz da lua, no quintal da casa do Ivan — que uma vez por mês vira festa –, e o casal em questão planejava assumir o controle desse albergue, dividindo as tarefas de acordo com os seus talentos.

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O sonho virou realidade meses atrás, e o Hostel Catavento gira sem parar desde então.

Pelas fotos, posso já aconselhar: não espere móveis com design escandinavo, reproduções do Banksy na parede e trilha sonora do Of Monster and Men. Não espere caixas de som equipadas com blueetooth e internet com alta velocidade. Não espere encontrar um super trendy hostel de Berlim na Chapada dos Veadeiros.

Pelo que vi, posso afirmar que você pode esperar um sorrisão sincero da Julia e muito suco verde. Pode esperar fazer boas amizades. Pode esperar que vai rolar uma tristezinha na hora da despedida. E pode esperar que um abraço desses dois vai fazer essa mesma tristezinha ir embora.

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Ainda não tive a oportunidade de visitar Berlim, e tenho certeza que é incrível, mas às vezes um destino é quem, e não aonde — e acho que esse é o trunfo da Julia, do Ivan, do Hostel Catavento e da Chapada dos Veadeiros toda.

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