Quando se sentir perdido, volte ao início #017

Taí, essa uma frase que, não sei de que procedência, se mimetizou em mim desde que eu era um adolescente, e faz um sentido muito claro até hoje. É pateticamente normal se sentir perdido ao longo da vida. Crises existenciais e/ou de identidade não têm hora nem faixa etária certa para acontecerem. Todo dia é dia de se transformar na prática alguém que você sonha em ser na teoria.

Essa frase é tão parte integrante de mim, que as minhas sinapses e ações são automaticamente voltadas pra esse teorema. Talvez seja pelo fato de ser um sagita perdido e constantemente insatisfeito, mas isso não vem ao caso.

Eu comecei a racionalizar isso hoje mesmo, quando eu vi essa foto no Timehop de exatos 2 anos atrás com a minha irmãzinha, lá em Uberlândia, com um topete de respeito. Uso meu cabelo como exemplo (meio banal, inclusive!), porque sempre tive uma conexão muito intensa com ele. Desde que comecei a me entender por gente grande, esse topete extravaganza me acompanhava e se atualizava desde então. Desculpa o narcisismo, mas foram muitas e muitas e muitas versões mesmo - com uma pausa dramática para alguns meses entre 2013/2014, que eu comecei a ostentar um coque. Alegria de uns, tristeza de outros e trabalho braçal puramente meu.

2010 | 2011 | 2012
2013 | 2014 | 2014
2015 | 2016 | 2016

Depois que me mudei pra São Paulo, em novembro de 2014, minha relação de vida adulta comigo foi se modificando, em doses homeopáticas, todos os dias, e acabou chegando no cabelo, até que no Carnaval de 2015 culminamos em: passa a máquina. Essa brincadeira mal durou 2 meses e eu já voltei pro topete logo em seguida.

Foi no finalzinho de 2015, que eu, me encontrei frustrado e perdido, e senti que precisava promover algumas uma mudanças, eu não me refletia. Me sentia exausto com aquele monstro volumoso, indomável e esvoaçante na cabeça, então decidi que, antes do Ano Novo, eu iria platinar o cabelo. Aquele topete era excessivo já não fazia mais tanto sentido como um dia fez. Um sentimento muito semelhante ao que tenho pela minha tatuagem de infinito no pulso, feita em 2009. E já que eu tinha um sentimento latente de mudança, acabei raspando de novo.

Devo dizer que, em pleno 23 de Março de 2016, essa mudança capilar permanece sem o platinado, e acabou me lembrando desse exato sentimento. De voltar ao início, de respeito e amor próprio, inclusive por ornar com a minha paleta de cores pendurada nos cabideiros, composta por preto, branco, cinza, verde militar e tons de jeans.

No fim das contas, o conjunto da obra é simples sem ser simplório, e o resultado é uma identidade (re)formada e em eterna (des)construção. Até porque, cada um tem sua própria interpretação, e é responsável pelas próprias mudanças. E mal posso esperar pela próxima!


Fotos:

2010 | 2011 | 2012 | 2013: Hick Duarte

2014 | 2014 | 2015: Fernanda Tiné