Coisas que a minha mãe não me criou para pt. II #048
Porque minha mãe não me criou pra isso.
Aquele sentimento de que a gente simplesmente não é obrigado tem pt. I:
Ontem eu escrevi sobre selfie X auto-estima e hoje me ocorreu uma mania muito feia que eu acumulo e fomento desde que eu me entendo por gente, e que, obviamente, minha mãe não me criou para: a busca por aprovação alheia.
Eu sou interessante o suficiente? Bonito o suficiente? Bom o suficiente?
Talvez seja pelo excesso de elogios da família, mas a gente cresce mal acostumado, acreditando que se não têm elogios verbalizados, algo não é bom. Pelo menos, não o suficiente. Mas vamos acordar, Alice, o mundo não vive pra ficar passando a mão na nossa cabeça e dar uma estrelinha quando fazemos alguma coisa boa.
Isso se desdobra em tantos comportamentos e pensamentos diferentes, que sempre que alguém me elogia, por exemplo, eu mando de forma muito inconsciente um combo formado por jura? sério? mas se fosse de outro jeito ficaria melhor?. Bitch please.
Ninguém precisa de um manual correto e exemplar de como fazer as coisas, ninguém precisa de estrelinhas na testa ou aprovação o tempo todo. Até porque se a gente não fizer merda nessa vida, a gente sempre vai continuar no piloto automático da vida e ser uma pessoa medíocre.
A gente precisa é de ter bolas e vulvas pra construir uma autoconfiança baseada em autoconsciência. É tudo uma questão de ótica, o trabalho diário fica por conta de lapidar isso e manter uma saúde mental nos trinques. Opiniões são sempre muito bem-vindas — quando pedidas — mas a gente não pode virar refém delas. Nada é tão bom que não possa ser melhorado e nada é tão ruim que não possa ser piorado. Se faz sentido e tem significado, acredita e vai, o mundo é seu.
