Da relação entre mijar na rua e ter ideias realmente boas #053

Quem nunca teve aquele princípio de ideia magnífica, capaz de revolucionar o mundo e passível de discurso no Oscar? E quem nunca teve que fazer um pit-stop em algum lugar mal iluminado na rua, após um bar/balada, pra aliviar e esvaziar todo o álcool contido na bexiga? Acredito que poucas pessoas atirariam a primeira pedra, mas no final das contas, qual a ligação entre pautas tão aleatórias mesmo?
Comecemos do começo. Convenhamos que ter ideias boas não é uma tarefa árdua. É um desafio diário e uma premissa básica de todo e qualquer criativo/ profissional de comunicação. Mas as ideias realmente boas são aquelas que exigem um brainstorm coletivo. Surge de uma besteira aleatória, fosfato, groselha, e que vai se juntando a outras besteiras com fosfato, formando uma solução um pouco louca, se torna levemente reticente, depois bastante consistente, até que se torna do caralho!
Pra chegar na parte um pouco louca, levemente reticente e bastante consistente, é necessário mais do que ser criativo e ter referências. É preciso se desprender de algumas doutrinas, como, por exemplo, conceitos políticos, sociais, morais (por que não?). É bastante complicado chegar a um resultado desses construindo um abismo entre vida profissional e pessoal. É essencial ser/estar aberto. Mente, alma e coração, todos em plena convergência. Se expor, ser honesto e sincero, se entregar às opiniões e referências que não condizem às suas. É um trabalho construtivista, que demanda espontaneidade, autoralidade, culhões e vulvas.
Para praticar a evolução do ser humano e projetar ideias mais orgânicas, é necessário mijar mais na rua. E por favor, não me leve tão ao pé da letra. Se parar para pensar um pouco sobre o ato de mijar na rua, de forma bem branda, podemos falar que é despretensioso, irracional, orgânico, uma ação bem sem-vergonha mesmo. É por esse tipo de atitude que eu trabalho todos os dias, em prol de mais linhas de raciocínio e ideias-mijo-na-rua.
Ideias que têm significado e propósito, que, por mais absurdas que possam soar, fazem sentido, promovem reações diversas e cumprem com sua principal função: tirar o espectador da inércia. A concepção de um pensamento espontâneo, autoral e sem pudor já é uma faísca de ideia-mijo-na-rua. E isso demanda coragem, mas é muito legal.
Texto originalmente produzido, levemente adaptado e ainda a ser postado para a agência mais badass que eu conheço, Blanko.