Discussões #089

Desde criança eu nunca gostei de discutir. Na época, argumentar era sinônimo de brigar e acabou virando um hábito que eu passei anos sem cultivar. Ficar em cima do muro virou uma prática constante, quem ousasse a escolher um lado e defendesse um ponto de vista, era uma pessoa chata.
Com o passar do tempo fui percebendo que isso me diminuía, anulava minha identidade, me tirava personalidade. Depois de tanto tempo sem fazer nada e me abster de tudo, a ficha caiu. Ou o monstro da apatia me engolia ou eu engolia ele.
Virou uma questão não de precisar escolher um lado do muro, e sim, de entender sobre o porquê descer. É o típico exercício que demanda empatia, boa audição, informação e digestão. O outro lado do muro é fascinante, as discussões são saudáveis, a troca de informações é fluida e a saímos com sentimento de passei de fase. A romantização das discussões é muito bem sedimentada na minha cabeça, e apesar dos desserviços, existe uma pancada de pessoas com as quais eu consigo trabalhar esse fluxo belíssimo e exuberante de forma muito natural. Obrigado.
Essa semana foi tão louca e atípica, mas ao parar pra pensar, eu consegui extrair coisas maravilhosas dela. Ter discussões produtivas foi uma delas e me faz (re)lembrar o quanto eu sou rodeado de pessoas incríveis e que me permitem praticar desconstruções diárias. Quando eu faço um mini flashback mental sobre essa pauta, eu só consigo concluir que pensar dói. Mas se sentir um ninguém sem informação e opinião própria é pior ainda.