Era uma vez um projeto #172

Eu comecei a escrever esse texto dia 18/08, tinha me programado mentalmente pra postar na metade do projeto de 1 texto por dia durante 1 ano, dia 29/08, mas decidi que o momento é esse. Sem protelar. Sem deixar pra depois. Sem tapar o Sol com a peneira.

Vou te contar uma historinha. Talvez você não saiba, mas numa bela segunda-feira, 07 de março de 2016, eu tive uma epifania meio louca de escrever 1 texto por dia durante 1 ano. Pra mim significava uma liberdade de expressão muito honesta e muito sincera. Uma liberdade criativa de transformar inspiração, referências, percepções e experiências em texto. Uma liberdade de me despir lentamente, pra mim e pra quem lê, me expondo cada vez mais, de um jeito que nunca me expus antes nesses longos 7 anos brincando de Internet, entre diferentes veículos.

No decorrer dos dias, uma dúvida se acorrentou na trajetória, e volta e meia latejava: o que que eu vou fazer com essa tal liberdade? Desculpa citar Só Pra Contrariar, mas percebi que eu andei errado, eu pisei na bola. Esse projeto pessoal de escrever cada vez mais me libertava cada vez menos.

Nesses 171 dias de textos diários, me deixei livre para criar e aprendi uma lição para tatuar no cérebro: para ter liberdade, é preciso responsabilidade. Muita gente ainda não se dá conta, normal, mas responsabilidade criativa envolve mais respeito com aquilo que é criado, que, de fato, com o sentimento de eu posso criar o que eu bem entender. E eu preciso respeitar mais. Preciso ver essa faísca de ideia nascer, ruminar (de verdade!), pesquisar, buscar referências diversas, ruminar mais um pouco, escrever, apagar, reescrever, desenvolver, ler sobre ideias afins, escrever mais uma vez, ter novas ideias, escrever, revisar, até chegar no texto em si.

Carrie Bradshaw: minha primeira referência de "quero ser isso quando eu crescer".

O medo de tomar essa decisão bateu, afinal de contas, eu prometi pra mim mesmo escrever todos os dias durante 1 ano! Mas a ficha caiu mais fundo. Eu, que sempre escrevia sobre comportamento, sobre o desespero de promover mudanças, de ficar elétrico e sedento por novidades, precisei começar essa revolução por mim.

Como criar conteúdo (de verdade!), respeitando esse processo em apenas algumas horas ou minutos livres disponíveis no meu dia? Impossível. O conceito do projeto era bacana, a execução era utópica. Criar conteúdo próprio ainda não é a minha fonte de renda principal. Então, não adianta forçar a barra, ser presunçoso e peitar uma realidade que não é a minha.

E agora?

Agora eu preciso desanuviar. Preciso desobstruir todas as minhas sinapses, esvaziar o acúmulo de estafa mental, que tanto escrevo por aqui. Prefiro proporcionar pra vocês conteúdos interessantes (de verdade!), arrancar reações diferentes, fazer vocês pensarem com textos mais poderosos, mais ricos, de vida útil mais longa. Que simplesmente me forçar a vomitar alguma coisa todo dia depois do trabalho. Não faz bem pra mim, não acrescenta muita coisa pra vocês, e deslegitima quem faz esforços reais para produzir bons textos.

Obrigado aos 171 textos, que me fizeram ver o potencial do projeto, ver as novas formas que esse organismo vivo pode tomar, e ver que é sempre tempo de resetar. Não fujam, prometo não me demorar muito. Sem pressão.