Eu não sei brincar #02

Terça-feira, 04 de abril de 2017

Procrastinação.

Aparentemente uma das grandes maldições de hoje. De sempre deixar tudo pra depois, com uma sucessão de atividades inacabadas. Junto à ansiedade, claro, e os demais vícios, que insistimos em sustentar.

Longe de mim glamourizar e reclamar sobre nossa falta de tempo e toda a atmosfera workaholic que nos envolve. Ninguém nasce sabendo procrastinar. Como todo hábito construído, com um pouco de esforço e boa vontade, é bem possível dar aquela segurada, pra não se tornar mais um dos nossos vícios.

Que verbo bom de falar. Pro-cras-ti-nar.

Momento analítico de exatas

É assustador, mas não surpreendente, ver que 20% dos indivíduos se consideram procrastinadores. Ver que nos últimos 30 anos o número de pessoas que procrastinam quadruplicou! Sim, por mais que acreditemos que seja um fenômeno recente, não é. Se não prestarmos atenção nos estudantes que procrastinam hoje (que é diferente de preguiça de adolescente), é bem provável que cresçam desenvolvendo distúrbios de ansiedade, quadros de depressão, déficit de atenção e transtornos obsessivos compulsivos. Para ficar de olho mesmo. Fecha momento analítico de exatas.

Se você não é uma pessoa naturalmente organizada como eu, tem facilidade em se deixar distrair e certa dificuldade em ser pragmático, recado importante da verdade: precisamos de algum dispositivo extra pra nortear nossa gestão de tempo. Dispositivo. Hábito novo. Ferramenta. Plataforma. O que você quiser chamar.

Posts sobre como se organizar melhor, 10 ferramentas que você não pode deixar de ter para gerenciar seu tempo, veja como parar de procrastinar agora, e outros afins, sobem todos os dias na world wide web. É ótimo ver e testar as opções existentes, mas não adianta. No fim das contas, cada um sabe o que funciona pra si.

Na verdade, esse texto todo começou com a minha frustração com a ideia do bullet journal. Grande coisa. Colorido, personalizável, desenhável, versátil, discreto, fora do meio… era função e fomento demais pra descrever uma agenda com legendas. Zero prático pro meu estilo de vida, mas entendo que funcione pra algumas pessoas.

É completamente compreensível a ânsia de criar novas soluções para problemas antigos. Temos um grande sistema capitalista disfuncional rodando, e, aparentemente, ela não aceita respiro. Me desculpem os empreendedores, devs, aparatos tecnológicos e artigos mágicos de papelaria. Eu não sei brincar. Mas sei que (re)começar com uma folha branca é essencial.