A responsabilidade de ensinar alguém #127

No final de 2009, comecei meu primeiro estágio. Como todo estagiário, não tinha muita noção do que fazer, como pensar, de que forma agir ou quando ir embora. Passei 1 ano ainda estagiando, meio opaco, meio cru, meio flácido: uma massinha de panqueca. 4 anos se passaram e ganhei minha primeira estagiária. Na época, a tarefa era simples: dividir o meu trabalho e explicar como as coisas funcionavam. Era um trabalho mais mecânico que racional, mais operação que reação, mais copiar-colar que pensar-planejar-executar. Mais 2 anos se passaram, e minha realidade é diferente-quase-que-oposta à anterior. 26 anos nas costas, imerso naquele limbo chamado você-não-é-mais-iniciante-mas-também-não-é-gente-grande-not-a-girl-not-yet-a-woman, e olha só, outra estagiária! O cenário mudou, eu mudei, a geração de adolescentes-adultos também mudou. E, finalmente, eu entendi a minha responsabilidade de ensinar alguém. Entender que o desenvolvimento da parte prática da formação dessa pessoa depende muito de mim. Transmitir valores, conhecimentos e experiências que eu construí, para que ela possa construir os dela também. Hoje foi o primeiro dia, e a sensação, gostosíssima. O importante é lembrar que, antes de tudo, nós dois temos uma diferença de 7 anos e que isso não significa muita coisa, a não ser um número. Lembrar que meus valores, conhecimentos e experiências mudam a cada minuto, e vêm de diversos lugares, pessoas, ocasiões, tretas e trampos. E lembrar, também, que esse texto fez mais sentido em um parágrafo só.