Publicidade e Propaganda, eu não aguento mais vocês nas redes sociais! #044

Pode parecer irônico uma pessoa, formada em Publicidade e Propaganda, que gera conteúdo diário para redes sociais, fazer um texto com esse título. Eu tenho me forçado há pelo menos 5 anos a engolir o lado business da vida, mas chega uma hora que o que nasceu com um objetivo de uso natural se torna forçado.

Já dei meu parecer sobre onde cada rede social se encaixa e sobre minha relação montanha russa com o Instagram. As redes que entraram no limbo da exaustão são as exatas redes que mudaram nos últimos anos a maneira com que os usuários se relacionam com elas. Evolução da vida, dos comportamentos, das gerações. Saudável. Até enfiarem a maldição dos anúncios. Eis pra mim a mudança nociva. Algoritmos.

Nesse fim de semana que fui pra minha cidade natal, usei o Instagram mais que o usual, postagem e feed. Para a minha grande e eterna frustração, ele se tornou oficialmente o filho mais novo do Facebook — que eu faço questão de não comentar nesse texto, porque rende outro ainda maior. A quantidade de anúncios completamente randômicos eram absurdos! A cada vez que eu abria o aplicativo, no período de 30 segundos eu era impactado por marcas e brand personas diversas, as quais eu claramente não tinha o menor interesse. Afinal de contas, eu não criei uma conta para ver e interagir com o que eu não pedi para ver.

O Twitter e o Tumblr, no intuito de se manterem jovens e ativas, acabaram seguindo na mesma linha de anúncios sem contextos, com marcas se transformando em pessoas e pessoas se transformando em marcas. Um movimento caótico e nada orgânico invadindo mais e mais as redes sociais, influenciando comportamentos de compra, vínculos digitais e lifestyle.

Acredito no poder dos bons influencers, aqueles comprometidos com a seriedade do conteúdo, que trabalham com verdade e paixão na transmissão de opiniões e pensamentos — mesmo que tenham sido pagos para comunicarem um produto/serviço. Mas seria muito utópico e inocente da minha parte esperar uma mudança real da maneira com que as marcas se relacionam com as pessoas? O problema nunca foi o business, até porque a economia precisa girar, mas marcas, recado: estudem mais sobre antropologia e identificação, executem mais trabalhos autorais e estabeleçam conexões mais verdadeiras, por favor.