Sobre a minha escrita #07

Terça-feira, 11 de abril de 2017

Estação Consolação

Talvez seja uma extensão do texto de ontem, mas me peguei pensando que toda pessoa que escreve imprime um pedaço de si nas palavras que escolhe. Ao mesmo tempo que chega a ser um pouco exaustivo pra mim escrever sob a minha perspectiva, não tem muito como fugir disso. Pelo menos na minha escrita. Afinal de contas, eu pertenço a mim. Por mais que eu invente um personagem, alguma referência sobre qualquer acontecimento em 27 anos, 4 meses e 16 dias vai se fazer presente. Eu falo sobre escrever porque eu escrevo. Mas você aplica no que se encaixa melhor na sua realidade.

O engraçado pra mim é ver que essa gotinha de suor, mesmo que metaforicamente, sempre escorre nas tramas dos meus textos. Não sei bem dizer se é positivo ou negativo. Mesmo assim, ir a outros lugares em mim na minha escrita é um exercício que eu preciso fazer comigo sempre. Um policiamento. É quando eu me pego observando nos usos contínuos

  1. nos advérbios de intensidade,
  2. na hifenização de palavras,
  3. no tom inacabado das ideias para que você possa tirar suas próprias conclusões,
  4. no excesso de explicações para que ninguém tenha dúvida na mensagem que eu quero passar,
  5. no excesso de referências a tantos outros textos, vídeos, músicas, obras, desenhos, bordados, filmes…,
  6. no tom formal-por-vezes-beirando-pesado-quase-que-austero,
  7. na sensibilidade extrema bem à flor da pele no excesso de adjetivos.

Talvez seja um pouco de falta de vivência ou de explorar esses outros lugares mesmo. Talvez seja a maneira escandalosa que eu encontrei pra me expressar. Meio Dora Aventureira mesmo. Talvez eu precise me tirar um pouco do protagonismo das minhas ideias e vagar mais pelo mundo. Talvez não. Talvez não custe nada tentar.

Uma das coisas que eu fico mais feliz quando leem meus texto é o fato de me imaginarem falando as exatas palavras que eu escrevo. Me deixa em êxtase pleno entreter as pessoas de alguma forma. Mas prometo não começar a fazer stand-up. Me peguei pensando também na Naiara Azevedo, que já dizia: essa história aconteceu comigo. E por mais que ela não tenha dito, presumo eu, toma aqui os 50 reais, ela deu vazão e visibilidade a um fato muito pessoal, assim como tantos outros artistas. Devaneio meu, desculpa. Mas acredito que a magia de um trabalho autoral mora aí, não?

E isso é bonito demais, minha gente.

Só vai.