Vulnerabilidade #055

Quando eu publico um texto ou falo alguma coisa séria pra alguém, eu tenho aquele probleminha de pensar nossa eu poderia muito ter escrito/ falado mais isso, isso e aquilo; teria sido muito melhor. E nunca faço/ falo. Pois bem, ontem eu escrevi sobre dar um reset na vida, alguns comportamentos frágeis que eu abandonei e a importância de se deixar ser vulnerável. E hoje, resolvi fazer.

Praticante do penso, logo não durmo que sois, fiquei ruminando outra estrutura de texto, com outra narrativa, outros pontos a serem citados, outro tom, outro foco e outra escolha de palavras para um mesmo ponto de vista.

Eu não dormi vilão e acordei herói. Eu não quis dar lição de moral. Eu não quis (e não quero mais) ter entonação séria, pesada e sisuda. Eu quero ser leve, fluido, translúcido. Eu quero botar mais ordem na minha cabeça e nas minhas ideias, que por vezes parecem tão soltas, sem desenvolvimento completo e sem nexo – até pra mim. Eu quero não ter tanto controle sobre as coisas, as pessoas, os sentimentos.

Inclusive acho que quando a gente tem certeza demais sobre as coisas, a gente mata o que há de mais bonito nelas: a construção, a capacidade de se conectar melhor, a criatividade. Estar certo sempre e ter garantia das coisas é viver num mundo blasé e sem surpresas, e eu não quero viver nesse mundo. Eu não quero mais ter a preocupação de ser uma pessoa perfeita, como eu tanto sonhava. Parar de ser obcecado com um modelo ideal de ser humano — o que não significa não melhorar cada vez mais.

Entendi, do verbo ainda estou entendendo, que eu não preciso me privar de sentir coisas gostosíssimas e ver beleza em sentimentos como melancolia, medo, insegurança, incerteza e outros mais que não sei nomear ainda ou verbalizar. Que eu não preciso terminar a vida sozinho, como eu sempre achei (mas se terminar, tudo bem também). Que o processo é sim, contínuo, e que no final das contas, o que eu quero e preciso, é me deixar ser vulnerável.

Vulnerabilidade é também a nova carne de vaca dos negócios em 2016, em um mundo que nunca valorizou tanto o lado verdadeiro, orgânico e cheio de propósito da vida.

Coragem!

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