Empresas e a “transformação digital”

Wow! Que tema!
Para alinhar as expectativas, esse texto é mais sobre como as empresas estão se moldando do que como transformar sua empresa ou carreira. Talvez, seja mais um desabafo meu rsss, de toda forma, falarei de conceitos que se forem desconhecidos por você, profissional da área de tecnologia da informação, talvez seja hora de reve-los. ;)
Bem, trabalho na área de desenvolvimento de software por 10 anos, comecei como desenvolvedor de software “baixo nível” e hoje sou scrum master e lider de produto em uma multinacional brazuca, nesse período vi de tudo um pouco: Vi RUP em projetos de 4 anos, que acabou e não entregou nada; vi a tentativa de se colocar o scrum sob o RUP, que também não deu certo; vi Agile sem processo algum, só com post-it na lousa, sem rumo total; vi Kanban que só tinha um simples kanban; vi scrum sem rito; vi as mortes do ponto de função e do UML em documento versionado; vi especificação funcional e ficha de requisito se tornarem “story"; vi a decadência do analista de negócio e “engenheiro” de solução ou produto; e por último vi um processo Lean estruturado para software, rico em métricas e indicadores, com um pouco de SAFe. Esse sim, funcionou, mas ficou caro e já está ultrapassado.
A indústria do software não “para”, muito impulsionada pelas startups, a indústria se meta-forma: PMBOK, BPM, BABOK, CMMI, COBIT, ITIL e etc ficaram no passado. A cada feira: surge um livro, um conceito, novos métodos e tendências. Consultorias surgem como água em um manancial para conseguir atender todos que querem estar na moda, falar a língua do Silicon Valey.
Empresas, assim como pessoas envelhecem; por se tornarem velhas deixam de pensar como jovens, não se inteiram de tendências da moda, não atualizam seus produtos e portfólios, e mal cuidam do próprio patrimônio: o cliente, ficam tão debruçada ainda de terno e gravata sob as prancheta e croquis que acabam sendo engolidas por startups modernas, de bermuda e chinelo, com produtos extremamente inovadores, que diferente daquelas empresas tradicionais, colocam o cliente no centro de tudo, e o utiliza como motor para evolução de seus produtos.
Isso é transformação digital.
Quando essas empresas velhas encontram a filosofia jovem, coisas bizarras acontecem: o mercado de trabalho fica em fervor, pois, perceberam que não basta apenas entender, é preciso vivenciar.
Empresa alguma quer ser o tiozão da sukita.
Consegue imaginar o Itaú funcionando igual ao Nubank; Cielo igual a Moderninha; HBO igual Netflix; HP igual a Amazon? Todas são empresas que possuem um mercado abrangente, mas que negligênciam o cliente, que agora vivenciam o momento “tio da sukita", investem fortunas para tentarem quebrar paradigmas e talvez serem vistas no máximo como “o surfista de meia idade” que ainda trabalha de terno e pega onda nos fim de semana.
Com toda essa gana e anseio por mudança acabam por trazer uma pressão sob os ombros de seus funcionários, que só estudaram UML e alguma linguagem de programação na faculdade, e que são a força motriz de suas operações. A corrida contra o tempo tem colocado esses funcionários no limite, afinal, se inteirar de termos e conceitos novos pode se tornar um pós trabalho duro e exigente, com horas de leitura de livros, artigos e treinamentos. Tenho visto empresas derrubando paredes literalmente para se tornarem “ágeis”, mudando o dress-code, até instalam salas com jogos na esperança de tirarem o estereótipo de velhas e rudimentares, contudo, a real transformação digital vai além disso, antes é preciso mudar a própria cultura da empresa, a comecar por: deixar de procurar culpados; investir em pessoas; confiar de fato nos funcionários; substituir o termo “recurso” por pessoa; formar líderes e não chefes; extinguir salas e banheiros próprios para chefes; criar ambientes colaborativos que permitam inovação com menos regras e mais liberdade de criação; trazer o cliente para o centro das soluções e produtos; aprender a ouvir mais e falar menos; investir em processos produtivos eficientes, Lean, enxuto; e por último talvez, abrir as portas para o mercado e mostrar de fato quem você é. Deixar que o mercado diga que você não é o tiozão da sukita.
Realizar tamanha transformação não é da noite para o dia, é algo que é construído aos poucos, com confiança dos líderes, funcionários e mercado. Também não é algo que é instalado uma vez e pronto, trata se de algo que demanda investimento pessoal diário, afinal, a cada dia algo novo surge, e a cada dia sua empresa tem que se transformar. É preciso mudar as pessoas, pois elas são o real “ativo” das empresas, e por elas são constituídas as culturas corporativas.
Não é fácil para uma empresa ser um coroa descolado.
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