É possível obter ganhos aplicando em fundos de previdência?

O brasileiro utiliza a previdência como uma ferramenta de investimento. Embora o senso comum possa assim considerar, é interessante lembrar que a previdência é uma ferramenta de proteção. No entanto, a dinâmica do mercado abre interessantes janelas de oportunidade onde é possível obter bons retornos sobre o valor aplicado mesmo em produtos financeiros com esse perfil.

Por Diogo Carvalho
Economista da Tino e Professor de Finanças na Faculdade Senac

A previdência privada é uma ferramenta financeira de acumulação de longo prazo que tem o objetivo de complementar e proteger a renda de acordo com o desejo e a capacidade de poupar do investidor. O investidor brasileiro estabelece uma relação passiva com a previdência, predominantemente. Um espelho de seu comportamento em relação à maioria dos seus investimentos.

O que quer dizer uma relação passiva com a previdência ou qualquer outro investimento? Significa que, no caso específico da previdência, quando o produto financeiro é comprado não há um contínuo acompanhamento ao longo de sua maturação. Geralmente o beneficiário irá se preocupar com isso no momento da aposentadoria. Por ser um produto de longo prazo, vinte ou trinta anos, o custo de oportunidade da negligência pode ser alto. E não há mais tempo para recuperar.

É importante destacar que os fundos de previdência não são uma ferramenta financeira de investimento, embora tragam retornos sobre o capital investido. Esse tipo de fundo deve ser visto como uma fração do financeiro global a ser alocado. É mais uma ferramenta de segurança e proteção do que uma alavanca para obter altos retornos. A busca pelo maior retorno sobre o capital investido tende a ficar com o percentual alocado na carteira de investimento, desenhada de acordo com o perfil de cada um.

Então por que se preocupar em monitorar o fundo de previdência em que se investe? Embora ele não tenha o objetivo direto de investimento, se comparado aos produtos, de renda fixa ou variável, disponíveis no mercado e destinados a este fim, surgem oportunidades de realizar ganhos consideráveis. As janelas de oportunidades podem resultar em uma grande diferença no montante a ser alcançado no final do plano.

Qual é o caminho? A solução é uma gestão ativa da previdência. Ou seja, monitorar as mudanças no mercado e fazer as devida portabilidade para o fundo mais adequado para o momento.

O que o investidor deve ter em mente é que, ao final do seu plano de previdência, a soma de todas as alterações realizadas resultará em um montante bem maior do que se tivesse optado por uma gestão passiva.

A seguir comparamos dois fundos de previdência bastante recomendados e bem consolidados no mercado com o CDI — índice de referência de investimentos no mercado financeiro. O primeiro fundo é o Corporate Renda Fixa da Mapfre e o outro é o CSHG Juro Real, um fundo da Credit Suisse Hedging-Griffo. Ambos os fundos tem uma carteira bem posicionada em títulos públicos: o CSHG em títulos de longo prazo, o que assume uma maior volatilidade e o Corporate em títulos de curto prazo.

O gráfico abaixo mostra o desempenho de ambos comparados ao CDI para o período de um ano. É notável o desempenho superior do fundo CSHG, que para o período performou 209,25% do CDI, perto de 30% de rentabilidade. As incertezas quanto ao futuro do país aumentaram o prêmio para os títulos de longo prazo, exatamente o perfil predominante desse fundo. O resultado foi a excelente performance observada.

FONTE: www.verios.com.br

Mas essa análise de um ano é suficiente para tomada de decisão para um produto de longo prazo? Não! Vamos analisar um período maior, de três anos para entender mais o comportamento desses fundos. O gráfico a seguir deixa claro que o fundo CSHG tem um comportamento bem menos estável se comparado ao fundo Corporate. Por que isso é importante? Por dois motivos: primeiro para saber se está no perfil do investidor e, segundo, para saber qual o momento de entrar e sair dele. Lembre que a estratégia é ter uma gestão ativa do fundo!

FONTE: www.verios.com.br

Uma última análise é importante e está no gráfico a seguir. Nela o período analisado compreende quase uma década e é possível compreender o perfil da performance de cada fundo. Mesmo levando em conta que rentabilidade passada não garante rentabilidade futura, a figura mostra a tendência no longo prazo de ambos os produtos.

FONTE: www.verios.com.br

Qual comportamento a gestão ativa deve ter? Operacionalmente, devem-se ter duas propostas, uma em cada fundo. A possibilidade de portabilidade interna entre eles é o canal para aproveitar o melhor momento do fundo com maior volatilidade. Observando as tendências de mercado e respectivo reflexo nos produtos em que o fundo compra, tomar a decisão de entrar e sair no momento certo.

No momento atual sair do CSHG e migrar para o Corporate é uma estratégia interessante. Alguns podem ficar insatisfeitos em ir para um fundo que rende muito próximo ao CDI, mas devem lembrar que de janeiro para cá já ganhou 25%!! E ai vale aquela máxima: ambição sim, ganância não!

Outro aspecto que deve ser cuidado na contratação é o regime de tributação — progressiva ou regressiva e se será um PGBL, para quem utilizará o benefício de abatimento anual no Imposto de Renda, porém com tributação no todo no montante final. Ou um VGBL, onde não há o benefício de abatimento no Imposto de Renda porém o imposto recolhido será somente sobre os ganhos de capital na data de saída do plano.

O importante é avaliar a carteira de investimento a partir de uma perspectiva global, entendendo que a previdência deve compor um percentual desse todo. Embora seja uma ferramenta de preservação e segurança deve-se saber que é possível, a partir de uma gestão ativa, obter bons retornos com as janelas de oportunidade que o mercado oferece. A estratégia parte do planejamento financeiro, ferramenta fundamental para construir a carteira global e identificar qual a sua necessidade de previdência.


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