The Day After: Dilma está fora. E agora?

Por Diogo Carvalho — Economista


Está encerrada a extensa e cansativa sessão de cassação da agora Ex-Presidente Dilma Roussef, que durante dias tomou a mídia nacional. Resultado de uma crise política iniciada no dia seguinte à sua reeleição em 2014, com profundos impactos negativos na economia brasileira que, nos últimos dois anos, encontra-se paralisada e atravessa uma das piores crises de sua história, a pergunta é:

E agora?

O dia seguinte a tudo isso nos reserva ainda incertezas e uma mescla de sentimentos de expectativas e esperanças nos rumos que a economia tomará. O agora presidente Michel Temer carrega consigo a responsabilidade de tomar decisões que mantenham as expectativas dos agentes econômicos, investidores e consumidores, mesmo quando as políticas forem impopulares. Para isso, precisará de habilidade política e de transparência com a sociedade para não gerar instabilidade desnecessária no mercado. A retomada da atividade econômica precisa de políticas concomitantes que conciliem o lado da produção e o lado financeiro, conduzindo a economia para o equilíbrio. Equilíbrio menos teórico e mais prático, no sentido de uma retomada da estabilidade institucional e confiança dos agentes econômicos no poder constituído. Tal objetivo demanda reformas amargas e impopulares como a da previdência social. Aliada a ela, a retomada das obras de infra-estrutura seguindo um cronograma factível, além do cuidado com as políticas sociais que busquem efetivamente a redução das desigualdades sociais.

Especificamente em relação ao mercado financeiro, a expectativa da mudança na presidência é que aumentará a transparência nas ações, o que permite uma melhor precificação dos ativos. Embora o mercado sinalize que o impeachment já estava há algum tempo contabilizado nos preços, a análise agora é para o valor dos investimentos daqui para frente. Temer precisará ser convincente quanto à condução das reformas e controle fiscal. Disso depende a expectativa quanto à redução da taxa básica de juros da economia e taxa de câmbio, a qual impacta na balança comercial. Do contrário, os prognósticos otimistas não passarão de retórica. O dia seguinte ainda carrega as incertezas do passado, mas com expectativa de entrarmos em um cenário otimista.


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