Comunicação e Sentimentos no Trabalho

Eu queria muito conhecer a primeira pessoa que disse que não devemos misturar sentimentos com negócios para entregar de presente para ela uma passagem só de ida para a Lua. ❤
Destaco aqui novamente o conceito de que emoções estão em todas as decisões. Portanto, no trabalho isso não seria nem um pouco diferente.
O segredo está em reconhecer esse fato, entender qual é o sentimento do momento e controlá-lo da forma ideal. Um controle que é essencial no trabalho. Porque, diferente de um relacionamento onde as pessoas se esforçam juntas para saberem como lidar, no trabalho existe um limite de tempo e esforço que podem gastar para resolver essas questões. Então, o autoconhecimento e sensibilidade para ler as outras pessoas são essenciais no ambiente de trabalho. Habilidades que poucos possuem. Ou sequer se importam em desenvolver.
Essa empatia, que pode ser desenvolvida, é de extrema importância para uma comunicação bem feita. Pois como já disse em um outro post no blog (link aqui), os sentimentos são uma parte essencial da estruturação de uma boa comunicação, de uma comunicação não-violenta.
Infelizmente, é comum acharem ruim quando alguém se demonstra emotivo no trabalho. Seja, ficando bravo, negativo ou até mesmo ao chorar.
Sentimentos devem ser vistos como um termômetro daquele momento. É um recurso extra que os gestores e companheiros de trabalho têm para entenderem melhor o que está acontecendo, a real causa e qual o verdadeiro impacto nas pessoas envolvidas. Não reconhecer isso, ou nem sequer perceber, pode gerar um desgaste nas pessoas que acabará em funcionários pedindo demissão ou sendo demitidos. Esse é o primeiro item da comunicação não-violenta em ação, por exemplo — a Observação.
Mas, vamos falar um pouco do assunto de chorar no trabalho, que é uma das ações sentimentais mais marcantes que vivenciamos nesse ambiente, e que a maioria foge como o diabo da cruz. Anne Kreamer, que foi executiva da Nickelodeon e lançou o livro “It’s Always Personal: Emotion in the New Workplace”, fala dos benefícios de chorar quando sentir necessidade e até mesmo das diferenças biológicas entre homens e mulheres (mulheres choram mais também porque a composição química das lágrimas delas facilitam isso… wow!).
Segue o link de um vídeo onde ela fala um pouco sobre o tema: video
Anne Kreamer não é a única a defender esse ponto. Se pesquisarmos um pouquinho, vamos encontrar váááários artigos que falam que esse mimimi de “sentimentos ficam em casa e não se leva para o trabalho” é coisa do passado.
Isso não quer dizer que todos os dias temos que fazer uma rodinha no trabalho, nos abraçarmos e chorarmos por meia hora. Quer dizer apenas que devemos reconhecer que quando contratamos alguém, contratamos um ser humano completo, e emoções estão embutidas. Para lidar com elas, precisamos estar preparados e, infelizmente, boa parte dos líderes e gerentes ainda estão engatinhando nisso.
Considerar os sentimentos como um fator importante, analisado e entendido no ambiente de trabalho deveria ser algo essencial para qualquer líder. Porém, ainda não é a maioria que enxerga o real valor disso e colocam em prática quando vão se comunicar com os outros.
Ouço com bastante frequência a palavra “frustração” em ambientes de trabalho. Um sentimento super comum nos dias de hoje que surge, muitas vezes, por outros sentimentos não trabalhados ou reconhecidos.
Alguém frustrado consegue dar seu melhor? Alguém frustrado consegue ser extremamente criativo? Alguém frustrado sabe se relacionar bem com os companheiros de trabalho? Alguém frustrado é o exemplo da empresa?
Será que não está na hora de trabalhar essas emoções para ter que empurrar menos esses discursos de metas por goela abaixo? Gente motivada nem enxerga a meta, elas focam na visão, no futuro.
O trabalhar emoções não quer dizer que tem que baixar um psicólogo no escritório e conversar. Não! É possível que baste apenas um reconhecimento do sentimento alheio na comunicação, considerando esse fato para trabalharem juntos e resolver aquela situação que o coloca para baixo.
Uma pessoa muito boa em finanças, negócios, economia, balanços, processos de produção, conhecimentos técnicos, etc, não necessariamente é uma pessoa boa para gerir outras pessoas. Entendam isso… Um cara foda em algo não deve ser levado à gerência de pessoas só por ser bom no que faz! Ele precisa ser bom em liderar, desenvolver os outros e garantir que a equipe cresça sempre, e não apenas ditar o que deve ser feito, criticar erros (que é comum para quem é muito bom no que faz) e tornar a vida de seus gerenciados um mar de frustrações. Entre esses skills está a de comunicação, que será essencial no dia a dia, pois se ele souber muito bem como lidar com a equipe dele, mas não souber se comunicar, muito irá se perder e pode ser que todos falhe como equipe por causa disso.
Os sentimentos são os grandes motivadores das pessoas, então, em um ambiente de trabalho você precisa saber ler esses sentimentos, respeitá-los e encontrar a melhor forma de trabalhar com eles, pois além de possuírem intensidades diferentes, o que um sente pode ser completamente contrário ao que o outro sente em uma situação que, à primeira vista, é igual!
“Nossa, mas isso é complicado demais… Demanda tempo e esforço pra conseguir aprimorar isso”. Pois é, se lidar com pessoas fosse fácil, não teriam tantos estudos, treinamentos, metodologias e técnicas sobre o tema. O grande problema dessa frustração crescente, ao meu ver, é que quem lidera não dá o devido valor ao lado humano do profissional, esperando que sejam máquinas de carne e osso.
Uma comunicação efetiva que considera o lado humano de cada um envolvido melhor muito o dia a dia das pessoas. Valendo lembrar que apesar de citar vários exemplos de liderança, essa comunicação efetiva deve partir de qualquer lado. Tanto de gerentes, como funcionários. Todos devem contribuir para se comunicar claramente, com transparência, considerar os sentimentos de todos os envolvidos, fatos e a forma certa de falar.
Não, não é fácil… Mas se não começar a se esforçar para lidar com isso, a mentalidade com o foco em pessoas das novas gerações vão engolir os atrasados.
