Comunicação meia boca… Como se comunicar melhor?
Quem nunca falou algo para alguém pensando ter demonstrado toda clareza no que queria e a pessoa fez completamente o contrário?
Quem nunca ficou bravo por não ser entendido pelo outro após explicar claramente que não gostava de determinada atitude e, mesmo assim, a pessoa foi lá e fez?
Quem nunca viu alguém bravo com você e não sabe exatamente o porquê, sendo que fez exatamente o que conversaram antes?
Quem nunca teve que arrumar um relacionamento abalado por um mau entendimento de uma mensagem sua? Mas você tinha a melhor das intenções e passou a mensagem de forma tão clara, não?
Pois é… Essa clareza que é comum defendermos nem sempre é tão clara assim. Teve um desentendimento? A pessoa fez A e você disse B? Falou 2 ou 3 vezes e continuam sem entender? Bom, tem sempre a possibilidade do outro lado não estar prestando a devida atenção sim, mas no geral, a sua mensagem pode ser um pouco mais clara para ajudar no entendimento. E se existe uma falta de atenção, você poderia fazer aquele “double check” certificando-se que a pessoa entendeu mesmo o que você falou.
Ou seja, não importa de quem é a culpa, você sempre pode fazer um pouquinho a mais para se certificar de que a sua comunicação está sendo compreendida. Não é o fim do mundo esse esforço extra… Afinal, você vai sair ganhando com isso, certo?
Nós não gastamos tempo suficiente pensando no que falar antes de sair falando. Atualmente tudo é muito rápido, exige uma resposta ágil e ações quase instantâneas, que obviamente em muitos casos dão merda. Infelizmente, não nos damos conta que depois temos que gastar mais tempo corrigindo o estrago.
Os sentimentos fazem parte de uma boa comunicação
Vocês devem ter percebido que eu venho falando bastante de sentimentos e a importância de nos preocuparmos com o que o outro está sentindo, ou como nos sentimos naquele momento, para entendermos melhor nossas reações.
Bom, o motivo disso é algo bem simples: sentimentos fazem parte de todas as nossas decisões! Hoje e sempre!
Não existe nada que nós façamos que nossos sentimentos não estejam influenciando e nos guiando. Podemos nem mesmo perceber de primeira, mas eles estão lá, nas sombras de nossos pensamentos sussurrando verdades para nos lembrarmos e seguirmos os caminhos que eles querem.
“Imagina! Diversas vezes eu estava sentindo algo e tomei a decisão totalmente oposta ao meu sentimento naquele momento. Eu queria muito algo, por exemplo, e optei em não fazer.”
Então, você provavelmente se viu em uma situação em que se você tomasse a outra decisão a consequência iria fazê-lo se sentir bem mal, e você não gosta de se sentir assim. Você sabe como é ruim esse sentimento, então ele vence o sentimento do momento de fazer o que queria fazer. Basicamente, rolou uma briga do sentimento do presente versus sentimento do futuro e o do futuro ganhou, forçando você a tomar a outra decisão.
Engraçado sermos totalmente guiado pelos nossos sentimentos e darmos tão pouco valor para eles. Principalmente em momentos mais “racionais”, onde fingimos que eles não existem, mas estão lá gritando freneticamente dentro de nós.
Portanto, olhando para os lados e analisando o dia a dia das pessoas, eu chego a uma conclusão em relação ao ser humano de hoje em dia e seus sentimentos: a galera está bem bagunçada quanto a isso!
Estamos rodeados de discursos para nos preocuparmos com os outros, crescermos juntos nos apoiando e respeitando, mas no dia a dia a realidade bate na cara e nos coloca sozinhos para conquistarmos nossos sonhos pensando em nós mesmos antes de tudo, alimentando nosso ego como nunca antes.
Isso gera um grande problema em que as pessoas não pensam mais “eu me sinto…”, mas sim “eu quero”. E pensamos nas outras pessoas? Quais outras pessoas, se apenas você importa?
A falta de atenção aos próprios sentimentos e das pessoas ao redor geram um enorme problema de comunicação. E são eles que vão dizer se nosso impulso será gritar, sorrir, omitir informações ou chorar na hora de falar algo. São os sentimento reativos da outra pessoa que vão dizer se isso vai virar uma briga, se será simpático, se vai ficar desconfiado ou se vai se sentir desconfortável.
No entando, no primeiro caso, reagir brigando com uma pessoa que acabou de gritar, pode não ser a melhor reação, não? Será que não deveríamos, antes de tudo, entender porque essa pessoa está gritando? Será que não devemos entender porque nos incomoda tanto esse fato do grito para querermos brigar? O que podemos ter feito para deixar a pessoa assim? Como podemos reagir para que os sentimentos envolvidos sejam reconhecidos para podermos ter uma boa conversa e resolver o problema?
Esses são alguns exemplos simples de questionamentos para fazermos antes de sairmos falando descontroladamente em qualquer situação. No entanto, o mais comum é que no primeiro pensamento nossa boca já tenha aberto e cuspindo palavras, armando o barraco!
Como podemos ficar mais atentos a isso e melhorar nossa comunicação?
Dicas bacanas de comunicação que se aplicam a TUDO

Eu tive a oportunidade de trabalhar em alguns projetos de cultura em uma das empresas que trabalhei e abordados o tema de comunicação. Que no caso foi identificado que era um problema (em tudo que é lugar né, minha gente?), e que precisávamos tentar melhorar esse entendimento de como realizar uma boa comunicação escrita, falada em reuniões ou até de papo no corredor. Infelizmente, acabei saindo da empresa antes de concluir o projeto, mas eu levantei alguns pontos na época que eu trago aqui para vocês, pois continuei lendo sobre o tema e embasando melhor minhas teorias.
Naquele momento, eu conclui baseado em observações e experiências próprias que a forma em que as pessoas passavam as mensagens ou conversavam não costumava estar muito certa. A verdadeira intenção da pessoa que iniciou a conversa estava, com frequência, obscurecida pela forma que ela estava falando sobre o assunto. Poderia ser do jeito que ela estava falando, talvez agressiva e impositiva demais, ou cheia de rodeios confundindo todo mundo, ou até mesmo usando o método não ideal, como optar por uma mensagem em um sistema de mensagens instantâneas ao invés de uma reunião presencial.
Além da necessidade da real intenção daquela conversa estar muito clara (por que estamos tendo essa reunião?), para acertar na forma, você precisa entender o ambiente e as pessoas envolvidas. O que você vai falar pode chatear as pessoas presentes? É um tema pesado ou mais leve? Como você está se sentindo nesse momento, e o que sente pode interferir no resultado? Ou seja, se comunicar bem implica em se adaptar à situação de acordo com as pessoas envolvidas e possíveis sentimentos com os quais você pode lidar, sejam seus ou não.
Durante esse projeto contávamos com ajuda de consultores externos, e ouvindo esses meus devaneios, um deles sugeriu um livro chamado “Comunicação Não-Violenta — Marshal B. Rosenberg”, que foi um daqueles momentos que você percebe que o que estava concluindo não era coisa da sua cabeça! Outras pessoas pensam da mesma forma e, inclusive, já estudaram bastante sobre o tema e deram vários nomes bonitos!
Resumindo de forma bem curta, esse método de comunicação não-violenta implica em seguir os seguintes passos:
1) Observação: que é o momento de entendimento do que está acontecendo, o que as pessoas envolvidas estão fazendo e sentindo a respeito daquele assunto em particular ou situação.
2) Sentimento: como você está se sentindo? É importante garantir que as outras pessoas saibam disso.
3) Necessidades: o que você realmente precisa? Lembrando que o que você precisa não necessariamente é o que você quer que façam. Por exemplo, você chega em casa e acaba gastando um bom tempo lavando a louça acumulada. Isso consome muito o tempo para fazer algo que você realmente precisa, que é mais tempo para descansar.
4) Pedido: o que você quer que façam? Seguindo o exemplo acima, você gostaria, então, que as outras pessoas com as quais você vive lavem seus próprios pratos sempre que usarem para que não acumulem e você não tenha que lavar quando chegar em casa.
Analisando por alto o que eu coloquei acima, você não acha que de fato pode ser aplicado a qualquer comunicação? Entenda bem o que está acontecendo e o que as pessoas envolvidas estão sentindo, entenda o que você mesmo sente e o que precisa de verdade e garanta clareza no seu pedido, mostrando transparência em todas as etapas.
Se parar para analisar, dois dos quatro itens consideram sentimentos das pessoas envolvidas na comunicação. Ficando claro que sentimento é sim um fator importante, pois não somos robôs afinal. ;)
Será que o rapaz da tirinha teria ficado sem sorvete se a fala dele tivesse sido algo como: “Poxa, eu vi que você ficou com vontade de tomar o sorvete que eu tinha deixado lá, mas isso me deixou um pouco chateado. Porque eu tinha guardado ele para hoje, pois sabia que chegaria em casa estressado precisando relaxar e tomar um sorvete assistindo algo… Você pode deixar o resto para mim?”
Ele reconheceu a vontade dela, disse como se sentia, falou o que precisava e fez o pedido com clareza. Com certeza, o desfecho da tirinha teria sido diferente se ele seguisse esses passos logo de primeira.
Um outro livro que ajuda a entender esse impacto dos sentimentos na comunicação, e que eu já li há alguns anos, se chama “SWITCH — How to change things when change is hard — Chip Heath” (que acabei de me dar conta que emprestei o livro e a pessoa foi pro Canadá), onde ele fala de três coisas que devemos sempre considerar quando queremos mudar uma realidade, que são: Path (Caminho, as opções de caminhos a se tomar), Rider (Condutor, o lado racional de tomada de decisões) e Elephant (Elefante, que são as emoções/sentimentos das pessoas).
Pensando bem em comunicação, você pode apenas querer informar os outros sobre um fato, mas é muito comum você querer tomar decisões, mudar o rumo das coisas, mudar decisões de outras pessoas, conceitos, etc. Ou seja, mudar algo que pode ser difícil, não? Então, faz todo sentido os sentimentos terem um papel importante nisso tudo, porque se eles são representadas por um elefante, com certeza não são pouca coisa, certo? Se um elefante está bem louco e descontrolado, qual condutor vai conseguir virá-lo para o lado que deveria ir? É uma força que se não receber a devida atenção pode fazer com que tudo se perca.
Parar e analisar a situação antes de sair falando descontroladamente ou dar início a uma discussão é essencial para entender o que está te motivando a pensar daquela forma, o que motiva os outros e o que será melhor para as pessoas envolvidas. Sim, vivemos essa vida corrida de decisões ágeis e mudando o rumo das coisas o tempo todo, mas se você não se der ao luxo de ter seu tempo para pensar bem antes de começar a falar, o tempo que vai gastar depois para remendar o que quebrou será muito maior. Existe ainda o risco de não conseguir consertar, porque o estrago pode ter sido permanente.
Se a situação precisar de uma reação rápida, como uma conversa começando do nada e te pegando de surpresa, ganhe tempo fazendo perguntas. Porque não será apenas um tempo usado para você se achar e ver como se sente com o que está ouvindo, mas também para entender os motivos daquela pessoa estar falando daquela forma, o que ela está sentido, etc. Pergunte, demonstre interesse no que ela diz, como ela se sente, qual o fato que está causando aquele problema e o que ela precisa. Assim, você poderá guiar a conversa para uma conclusão muito mais saudável.
Aqui vai uma sugestão a mais de vídeo sobre como ter uma boa conversa: vídeo
