Escolhendo a profissão — 5 dicas do que não te contaram

Aos meus 35 anos eu já passei por mais de um período de mudanças na minha carreira profissional que, sem a menor dúvida, é o resultado de um método de ensino e desenvolvimento ineficiente e antiquado. Isso não quer dizer que não existam pessoas que se dêm muito bem com o método atual e que o defendam achando que é a melhor forma de ensinar e preparar as pessoas para o mercado de trabalho. Porém, é muito comum pessoas passarem por “crises” onde se questionam se o que fazem é o que realmente querem para a vida delas (mesmo bem posicionados no mercado), ou se dão conta que simplesmente aceitaram o que vivem hoje em dia por achar trabalhoso demais, às vezes impossível, mudar o rumo de tudo naquele ponto.
Começo colocando esse ponto de uma possível crise existencial quanto à carreira, pois é algo bem comum hoje em dia (pessoas próximas dos 30 anos) se questionarem sobre o futuro e se verem numa situação que sabem que foi o resultado de uma má escolha anos atrás. Uma escolha feita naquele momento de preecher diversos formulários de vestibular dizendo qual a carreira que gostariam de seguir pelo resto da vida, variando de artes cênicas a engenharia.
Muitos buscam algo próximo como engenharia civil e arquitetura, por exemplo. Sabemos da rixa existente entre um e outro, mas temos que concordar que existe sim uma área comum aí. Outros já não sabem se querem ser dentistas ou advogados. É uma decisão muito importante para alguém com tão pouca maturidade e experiência de vida. Errar nesse momento não deveria ser uma surpresa. A questão que vem à seguir é: Quando perceberão que erraram? Dois anos depois ou quando chegarem aos 60?
Ao meu ver, 17 anos é cedo demais para uma decisão dessas. Existem sim aquelas crianças que desde pequenas sonham com algo e possuem zero dúvidas quanto ao que querem se formar. Porém, entre essas mesmas pessoas existem aquelas em que a vida dá um tapa na cara e mostra que se enganou a vida inteira depois de todo um esforço gigante.
Isso tudo é resultado da falta de maturidade, então eu diria que algum método ou prática deveria ser adotada quando chegassem nessa idade para que conseguissem o autoconhcimento suficiente para tomarem essa decisão. Acho que essa prática deveria ser algo de 1 a 2 anos onde eles simplesmente vão entender o que são e o que querem se tornar. Esse trabalho já deve existir na escola, mas lá o foco não tem como ser 100% nisso, então, um tempo depois focado se faz necessário.
Porém, como essa prática é algo bem surreal no mundo de hoje, eu não vou focar nela, mas sim em passar mensagens de alguém que vivenciou isso em primeira mão por anos e gastou bastante tempo tentando entender como lidar com isso e ajudar os outros a se previnirem.
Vamos falar do que não te contaram
1. Cuidado com as mensagens antigas da definição de sucesso
Antigamente (talvez atualmente para muitos ainda), a mensagem era algo como: “Você precisa ter um bom emprego para poder se casar, criar sua família, sustentar seus filhos e poder aproveitar a vida quando aposentar”.
Essa é a mensagem mais louca que podem passar para um adolescente! Ele está descobrindo o mundo, aprendendo infinitas coisas novas, curiosidade ao máximo, querendo experimentar a vida em si e alguém vira e diz “espera se aposentar”. Não né? A vida está aí para ser curtida todos os dias, então não faça do seu trabalho um sofrimento, mas sim parte da sua felicidade.
O sucesso não está na aposentadoria, o sucesso real está em chegar no domingo a noite e não bater aquela frustração de ter que ir trabalhar no dia seguinte. Se você não sabe o que é esse sentimento, parabéns! Você está tendo sucesso no seu trabalho. =)
2. “Procure fazer o que você ama!” pode não dar certo
Ok, essa é uma frase que vem se tornando mais comum hoje em dia, e eu não faria um esforço maior para lidar com ela do que eu faria para trabalhar o primeiro item dessa lista. Porém, existe sim um perigo nessa frase!
Quem aqui se apaixonou por alguém na escola aos 10 anos de idade e 20 anos depois ainda está com essa pessoa? A não ser que você seja a Cinderella ou tenha nascido em 1960, isso está longe de ser uma realidade.
Nós amamos muitas pessoas e muitas coisas, mas também deixamos de amar. E é aí que mora o perigo dessa frase. Sem dúvida você vai se sentir muito bem por fazer algo que você ama! Mas, o amor pode passar… E aí? Quando isso acontecer, você vai se ver igualmente perdido e terá um risco ainda maior de não conseguir se recolocar de pé, porque você vai estar extremamente frustrado por se ver quebrado depois da certeza de fazer o que amava por tanto tempo. Você pode vir a se questionar “Se eu amo isso e não estou feliz, o que poderia me fazer feliz? Nada, né?”.
O que ganha do amor? Pois é, se você não for capaz de entender o que estava por trás das suas escolhas e desse amor, você não vai achar o caminho novamente, e pode vir a errar mais uma vez e se sentir da mesma forma em uma outra escolha errada.
Fazer o que ama é algo positivo, mas pode acabar. Unido a um propósito real, aí sim seria uma decisão poderosa.
3. Você deve buscar um propósito
Por trás de toda decisão existe um propósito, e nem sempre sabemos qual é esse propósito. Mesmo as pessoas mais certas de si podem não ter uma visão clara, uma perspectiva mais holística, de como esse propósito influencia nas decisões de carreira.
Por que uma pessoa ficaria na dúvida entre ser médico ou advogado? São duas áreas bem diferentes, então o que é que está conectando essas duas coisas na cabeça dessa pessoa?
Entre diversos propósitos possíveis, podemos destacar um e dizer que as duas profissões podem se focar em ajudar pessoas. São profissões de grande impacto na vida das pessoas e o profissional que lidar com elas e tiver sucesso, sentirá uma grande realização em ver a vida das pessoas melhorando com o sucesso da sua especialidade. Isso quer dizer, que se essa mesma pessoa um dia largar tudo e decidir virar um escritor, falando sobre como evitar grandes dificuldades na vida e melhorar sua saúde, ou bem-estar social, etc, essa mesma satisfação será alcançada, pois o propósito de gerar um impacto positivo na vida das pessoas, melhorando a saúde e bem-estar delas ainda será o foco das suas ações.
Na hora de escolher qual profissão você quer seguir, entenda o que é que irá te trazer satisfação ao obter sucesso nelas. O mais provável é que você encontre um ponto em comum, sendo esse o seu propósito em escolher essas profissões. Entendendo o seu propósito, seja ele qual for, suas escolhas terão uma chance muito menor de trazer infelicidade, pois você sabe o que te recompensa, o que te motiva de verdade e o que você deve fazer para alcançar isso.
Eu, por exemplo, sou formado em Engenharia Elétrica de Produção. Nunca trabalhei como engenheiro. Iniciei minha carreira profissional desenvolvendo e programando sites. Aos poucos, fui assumindo posições de liderança e me vi trabalhando com melhoria de processos e gerenciando pessoas. Me tornei gerente de suporte ao cliente, responsável por uma operação com dezenas de pessoas, e pela carreiras de diversos outros. Hoje, estou iniciando minha carreira em coaching, com foco em carreira e diversidade.
Que bagunça, né? O que isso tudo tem a ver uma coisa com a outra?
Os sites foram uma porta de entrada para mim. Na época, entrando na IBM, onde fiquei quase 8 anos. Lá eu fui desenvolvendo trabalhos bem além da minha responsabilidade, que visavam otimizar o trabalho dos outros, poupando o tempo deles com coisas desnecessárias para que pudessem usar todo esse potencial no que fosse realmente importante, para que tivessem tempo de se desenvolver e mostrar suas habilidades. Depois, passei a ter o desenvolvimento de pessoas como a minha real responsabilidade, sendo o meu principal foco sempre. Entendendo os limites de cada um, ajudando a abrir portas, dando o suporte à dificuldades, falhando diversas vezes e aprendendo muito com cada um. Então, minha responsabilidade se estendeu para o bem-estar e satisfação do cliente, vendo a possibilidade de gerar um impacto incrível para cada um com um trabalho bem feito, uma interação inesquecível para a vida.
Percebe o foco nas pessoas? Eu naveguei entre o técnico e o pessoal com um foco constante nas pessoas e no bem-estar delas e impacto positivo sem nem mesmo me dar conta disso. Em uma primeira olhada parecem desconexos, mas posso dizer que o propósito comum de tudo que eu fiz hoje em dia foi: “Trazer um impacto positivo na vida das pessoas, podendo ser um grupo, ou um indivíduo, ajudando genuinamente a mudar suas vidas naquele ponto de necessidade, dando o melhor que eu posso oferecer de tudo que aprendi durante todo esse tempo que vivi”.
Se o meu foco estiver no benefício das pessoas, qualquer coisa que eu escolha fazer, me trará satisfação e sucesso.
4. Procure atuar nas suas preferências
Todos nós temos áreas de atuação que nos sentimos mais confortáveis. Essas áreas podem ser mais lógicas, racionais, numéricas, metódicas, regradas, humanas, cheias de interações pessoais, inclusão, holística, criatividade e foco no futuro. Essa lista é enorme, e só com esses exemplos que eu mencionei, tenho certeza que você consegue se relacionar com alguns e se posicionar onde se sentiria mais confortável se pudesse aplicar isso no dia a dia.
Encontrar essas preferências não é algo tão simples também e nem todo mundo tem esse autoconhecimento claro. Portanto, na hora de escolher o que fazer é importante entender sua área de preferência, pois profissões costumam se enquadrar nelas, mostrando quais delas você “gastará” menos energia para se adaptar, sendo algo mais natural.
Nossas preferências dificilmente mudam ao longo da vida, e preferir um trabalho mais lógico e numérico não te faz incapaz de ter uma boa interação social, mas uma pode demandar mais energia que outra. Saber pesar isso e escolher um caminho com menos obstáculos é importante.
Existem algumas ferramentas que ajudam nessa escolha de preferências, e eu sou mais familiarizado com esta — Herrmann Brain Dominance Instrubent (HBDI). Uma ferramenta incrível de autoconhecimento!
5. Mudar não é falhar!
Como eu disse no começo, nossos gostos podem mudar. Podemos deixar de gostar de algo, ou passar a amar outra coisa ainda mais que outra. Por causa disso, mudarmos nossa carreira no caminho da vida não é falhar.
O importante apenas é que você saiba muito bem o seu propósito por trás das suas escolhas, assim você não terá esse sentimento de falha, mas sim de que uma nova fase está se iniciando e que a mudança é necessária de acordo com o caminhar da sua vida, dos seus gostos e novas escolhas para manter seu nível de satisfação, felicidade e motivação.
