10 coisas que as crianças com autismo gostariam que você soubesse — Parte 1

Frustração, alívio, dúvidas, medos, ansiedade. Esses sentimentos são compartilhados por muitos pais quando um filho é diagnosticado com autismo. Por mais que não seja fácil, eles precisam ser fortes para ajudar os seus filhos a superarem juntos os obstáculos desse novo caminho. Afinal, as crianças também enfrentam uma avalanche de emoções.

Se o seu filho pudesse te dizer com clareza tudo o que sente, anseia e precisa, com certeza essa trajetória seria mais fácil. Bom, talvez ele não possa agora, mas existe muita gente no mundo preocupada em entender melhor como as crianças com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) se sentem. Para ajudar, a escritora Ellen Notbohm, mãe de uma criança autista, escreveu o livro Ten Things Every Child with Autism Wishes You Knew (Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse). Baseada nas informações que usou em sua obra, Ellen escreveu um artigo abordando de forma resumida esses dez itens. Reproduziremos os principais trechos em dois posts. Este é o primeiro; o segundo você confere aqui. Boa leitura!

1.Mais importante e antes de tudo: eu sou uma criança

“Meu autismo não me define enquanto pessoa, é apenas um aspecto de toda a minha personalidade. Sendo criança ainda estou me descobrindo, portanto nem eu, nem você sabemos ainda do que sou capaz. Me definir por apenas uma característica pode gerar expectativas muito pequenas. Se eu perceber que você não acha que sou capaz, minha resposta natural será: ‘Para que tentar?’.“

2. Minhas percepções sensoriais estão desorganizadas

“Todas as visões, sons, cheiros, gostos e toques do dia a dia que talvez você nem perceba podem ser extremamente dolorosas para mim. Até o próprio ambiente onde vivo pode ser frequentemente hostil. Por isso se eu aparentar estar ausente ou tenso, estou apenas tentando me defender. Minha audição pode ser hipersensível, meu olfato pode ser muito aguçado, minha visão pode estar superestimulada… Meu cérebro não consegue filtrar todos esses estímulos, e eu fico sobrecarregado.”

3. Por favor, lembre-se de distinguir “não quero” de “não consigo”

“Receptividade, linguagem expressiva e vocabulário podem ser grandes desafios para mim. Não é que eu não escute suas instruções, é que eu não consigo entender. Sempre fale comigo diretamente, usando palavras simples, me dizendo o que fazer e o que acontecerá em seguida. Assim fica bem mais fácil para eu cooperar.”

4. Eu penso concretamente, o que significa que interpreto tudo literalmente

“Por isso não me diga “Segure as pontas”, quando o que você quer dizer é “Espere até eu voltar”. Nem fale que uma coisa é “mamão com açúcar” para exemplificar que é “fácil de fazer”. Gírias, trocadilhos, duplos-sentidos, inferências, metáforas, alusões e sarcasmos não fazem sentido para mim.”

5. Meu vocabulário é limitado. Por favor, seja paciente

“É difícil dizer o que preciso quando não conheço as palavras para descrever meus sentimentos. Posso estar com fome, frustrado, amedrontado ou confuso, mas por enquanto estas palavras estão além da minha habilidade de expressão. Então fique atento à minha linguagem corporal, isolamento, agitação e outros sinais de que algo está errado.

Por outro lado, posso me expressar de formas incomuns para o meu nível de desenvolvimento. Estas mensagens eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar os meus déficits de linguagem, pois sei que esperam que eu responda quando falam comigo. Elas podem vir dos livros, da TV, da fala de outras pessoas… Esse comportamento é conhecido como “ecolalia”. Não necessariamente entendo o contexto ou os termos que estou usando, apenas sei que isto me tira de alguns incômodos por surgir como uma resposta.”

Continue lendo no próximo post.

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