Sobre representatividade: Olhamos para Mulher Maravilha e esquecemos de Jessica Jones

Toca do Coelho
Aug 26, 2017 · 4 min read

A geração de Mulheres empoderadas pela Mulher Maravilha

Jessica Jones, aquela série de meados de 2015 que dividiu os espectadores, lembra ?

Aquela que a Heroína tem um nome de verdade, e não um título que a declare uma Mulher Maravilhosa, até porque ela não é, certo?

Começo dizendo que a similaridade da Jessica Jones com o que gostamos tanto no Homem-aranha é absurda!

Ela não é um gênio milionária, não mora em uma ilha fantástica, não trabalha para o governo e nem nada dessas saídas que explicam como o herói tem tanto tempo para ser herói, ao contrário, ela tem uma porta quebrada, um emprego, e problemas de verdade.

Este é um artigo sobre o porquê nós esquecemos a Jessica Jones e enaltecemos a Mulher Maravilha.

Perco dois pontos de credibilidade alertando-os que sou marvete, de carteirinha.

Mas partindo do princípio de que as duas são heroínas “mulheres”, e mais, que as duas são heroínas originais e não a versão feminina de um herói masculino, deveríamos ter ficado empolgados com as duas em nível semelhante, quiçá igual, levando em conta principalmente os filmes não tão aclamados da DC e do outro lado da balança Marvel nos agradando mesmo que com a mesma fórmula desde que nos lembramos de filmes de herói contemporâneos, um pouco enjoados da Marvel e com a DC cheia de novas ideias seria o campo perfeito para que ambas as heroínas tivessem repercussão similar. Não foi isso que aconteceu.

Mulher Maravilha, apesar de ter uma história que depende além do vilão masculino, de um protagonista masculino que impulsiona a história, guia a Heroína, virá par romântico e ainda salva o dia no final explodindo o gás nas nuvens enquanto Diana vence o inimigo graças a força que pensar no sacrifício de seu amado dá, é um símbolo contemporâneo de luta feminina, A deusa maravilhosa que nem sequer se digna a ser uma mulher para representar uma, é mais depilada do que o contexto histórico permite, veste menos roupa do que a circunstância mostrava necessário, além de ser “a mulher mais linda que você já viu”

No filme o par romântico da protagonista tem tanta ou mais importância narrativa quanto a própria, ela só sai da ilha encantada onde vive porque ele vai até ela, ela só salva o mundo do mal porque ele diz que ele tem que ir mesmo quando ela desiste dos humanos, ela só derrota o próprio DEUS da guerra pq lembra de algo que o par romântico diz. O amor ser a solução é uma saída até bem comum, e até funciona, mas será que não nos enganamos em dizer que o filme é grande passo para as mulheres no mundo da cultura pop?

Nem vou falar nos planos detalhe de Diana soltando o cabelo.

A representação real das mulheres sob olhar nada meticuloso do filme que se dava pela secretaria, que não aguentava a espada, prendia a barriga com um espartilho e achava que lutar por direito a voto não “é tão importante”

Enquanto isso milhões de vídeos no youtube, textos no médium, podcasts e afins sobre a mulher maravilha ser um grande passo no caminho do poder feminino na cultura pop.

O feminismo que vende.

Em um universo paralelo ao cinema, conhecido como NETFLIX, a série da Marvel sobre uma super-heroína, que não é deusa, é MULHER, ousa estar de calça jeans, blusa com gola fechada e ainda por cima um cachecol, sem ver dificuldades em lutar contra seus vilões usando roupa, sem se hipersexualizar, além de decidir assim só porque quer ter uma noite agitada com o senhor cage, que inclusive não vira par romântico nenhum, é só sexo casual mesmo! E o vilão, ah, o vilão é simplesmente o vilão de uma parte significativa de mulheres reais, um ex-namorado manipulador, não fez nenhum rebuliço, críticas ruins, ou virou símbolo de luta, será que a verdade é que preferimos a mulher com pouca roupa ?

As mulheres reais se sentem talvez, melhor representadas pelas deusas ?

Lembrando que não foram mencionados nada sobre HQ de nenhuma das duas heroínas, as referências aqui são do filme Mulher Maravilha (2017- Patty Jenkins) e a série Jessica Jones (2015 -Melissa Rosenberg)

Esse é um artigo de provocação, e na verdade quanto mais comentários melhor, assista o filme, assista a série, discorde de mim.

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