Zona de conforto

“Um belo dia, resolvi mudar.”

Me despedi, por livre e espontânea vontade, do trabalho que tive por 3 anos e meio. Eu tinha um ótimo relacionamento com todos, era reconhecida por colegas e clientes, gostava do que fazia e, modéstia à parte, sabia fazer muito bem.

Mas me veio aquele siricotico clássico de quando ansiamos pelo novo. E quando isso acontece, não adianta tentar abafar o chamado. É chegada a hora, meu bem. A vida, tal qual está agora, neste formato lapidado, nesta fórmula do sucesso, vai se transformar num piscar de olhos.

De repente, todas as nossas convicções são questionadas e desconstruídas. E, se antes éramos especialistas ou formadores de opinião, agora somos os novatos, que mais têm a ouvir do que a dizer.

Mas aí é que está a beleza da coisa: poder voltar a ser aprendiz. Não só podemos, como devemos absorver o máximo de conhecimento possível. Todo recomeço tem a tal da “curva de aprendizado”, que é quase uma licença poética da vida para fazermos perguntas básicas e até cometermos erros bobos.

E nada se perde pelo caminho. Tudo fica acumulado em nossa bagagem e pode ser acessado sempre que preciso. As soluções do passado, com algumas adaptações, podem ser a chave para os problemas do presente. E ao compartilharmos nossa experiência com os novos parceiros de caminhada, somamos o conhecimento e chegamos a limites inimagináveis da criatividade.

Sair da zona de conforto é viver dia e noite com aquele friozinho na barriga. Parece até que estamos numa montanha russa em looping infinito. E estamos. Quem opta por cruzar os limites da comodidade precisa entender que dias turbulentos virão. E relaxa, tá? Eles serão mais frequentes do que você imagina.

Mas então… por que escolhemos sair da segurança de nossas velhas carreiras, relacionamentos e estilos de vida, se sabemos que a jornada será tão difícil? Eu poderia falar da coragem de assumir novos desafios, do salto quântico em autoconhecimento, das novas pessoas que encontraremos pelo caminho. Mas vou apenas falar dos dias de glória. Aqueles que vêm depois de muita luta, muita ansiedade, depois de entrar mudo e sair calado em discussões importantes, depois de ser recebido com os olhares curiosos de quem vê um forasteiro. Aqueles dias em que você, finalmente, diz algo relevante na reunião, em que consegue tomar uma decisão sozinho, em que recebe um sorriso de confiança de seu mais novo parceiro de trabalho ou de vida. São esses dias em que você sente que simplesmente fez a coisa certa. E essa sensação é indescritível!

Fique atento aos sinais de mudança da vida. E, quando ela chamar…só vai!