
Os desejos galácticos do Manchester United
Contratando vários craques, a equipe inglesa precisará de tempo para adaptar seus novos jogadores ao elenco.
Eu gostaria de ver outro treinador do United chegar aqui e ganhar 45 taças em 25 anos. Nada me faria mais feliz. Por que? Porque há uma hierarquia a ser respeitada aqui. Primeiro foi com o grande Sir Matt Busby e depois comigo. Como eu gostaria que alguém viesse e tivesse muito sucesso. É só disso que este clube se trata. (Sir Alex Ferguson, em entrevista ao Guardian, sobre os seus repetidos títulos no Manchester United)
Não é nenhuma novidade que rechear um elenco de jogadores famosos pode ser um enorme problema para um treinador e uma equipe competitiva. Mesmo depois do impacto sutil do Real Madrid de 2003, com Beckham, Zidane, Figo, Ronaldo e Roberto Carlos, aparentemente, os clubes seguem investindo em uma fórmula cara e esportivamente contestável.
É fácil sair contratando loucamente no mercado de transferências. O Real começou com essa política de torrar milhões, modelo que também foi adotado por Chelsea, Anzhi, Manchester City, Paris Saint-Germain e Monaco. Quantos deles foram bem sucedidos? Nacionalmente falando, apenas Anzhi e Monaco falharam na missão. E o Chelsea foi o único a vencer uma Liga dos Campeões, quase dez anos depois do início do investimento de Roman Abramovich.
Quem muito gasta em transferências, se arrisca a criar um grande conflito interno nos vestiários. Problemas de ego, desentendimentos, fora as clássicas panelinhas. O próprio Real Madrid de José Mourinho se perdeu por isso, depois de repetidas polêmicas que vazaram para a imprensa.
Agora, o Manchester United rompe barreiras e pretende gastar muito mais em novos reforços. Mesmo depois de entrar de forma agressiva na temporada passada com nomes como Di María, Blind, Rojo, Falcao e Herrera. Até que a equipe engrenasse, custou muito tempo e paciência a Louis Van Gaal. Classificado para a Liga dos Campeões, o United volta a sonhar alto.
Trouxe nomes de peso no cenário europeu. Tirou Schweinsteiger do Bayern, Depay do PSV, Schneiderlin do Southampton, Darmian do Torino e ainda planeja uma troca ousada entre Cavani e Di María com o Paris Saint-Germain, provavelmente atestando que gastar um caminhão de libras esterlinas pelo argentino talvez não tenha sido um movimento tão esperto assim. Mas quem iria dizer que os ingleses erraram quando atraíram um craque do calibre de Di María do Real Madrid, em 2014? Só mesmo alguém do contra diria que foi um tiro no escuro contratar um jogador deste nível, naquele momento.
Sabe-se, contudo, que Van Gaal tem aptidão para liderar elencos com potencial enorme de encrenca. Caras de respeito e que não podem dividir o mesmo espaço sem arrumar brigas ou picuinhas. Porque sim, quebrar recordes de preços de transferências gera um ciúme imenso. Sobretudo se os novos queridinhos chegam ganhando mais do que quem já construiu uma história no clube. Esse é um dos problemas mais graves que Van Gaal terá de lidar.
O outro, certamente será a cobrança ainda maior em cima do seu trabalho. Com um elenco superior ao dos rivais, será uma obrigação para o United beliscar o título inglês ou europeu. Os dois são objetivos possíveis, mas apenas com união e que cada um dos jogadores titulares tenha um desempenho apropriado para as grandes competições. O ritmo de amistoso que os Red Devils apresentaram em grande parte da temporada passada foi preocupante e deve ser reparado por Van Gaal.
O sonho de ter os maiores craques do mundo sempre dura pouco. Menos ainda se os resultados não vierem. Van Gaal, já com idade avançada, dificilmente será um novo Alex Ferguson para a torcida do United. E não parece definitivamente ser a melhor fase na carreira do holandês.
Sua permanência será condicionada a ganhar títulos e esse precisa ser o foco do time na próxima temporada. Mais do que gastar às bicas com craques consolidados, é preciso saber investir e resolver as carências de um elenco que está longe de ser perfeito. Porque uma hora, a fonte seca.