#24 — Ex de existiu

Ex de existiu. Existiu, assim mesmo, no passado. É aquela pessoa que ficou lá atrás, com uma versão antiga de você. E que acha que ainda sabe bastante.

Depois do fim de um relacionamento, só sobrevive amizade, se isso for muito maior do que todos aqueles ressentimentos que ficam. Aquelas mágoas engavetadas durante o namoro que são expostas nos últimos meses da relação. E olha, tem vezes que são muitas.

Eu não guardo mágoas. Muito menos ex-namorados. Nós ficamos lá em algum ano antes do ano atual, e ele e eu seguimos por outros caminhos. E isso não é minha forma de defesa. Eu não me importo de ver ex com outro, ou tenho medo de uma recaída, apenas lido com o fim como um fim. Eu não volto atrás depois de um término. As pessoas não mudam do dia para a noite.

Acho muito bacana quem fica amigo do ex. Saem juntos. Até “pegam” as mesmas pessoas. Mas eu já tentei, e comigo não rola. Sou muito simpático, pessoas acham que estou afim de ficar com elas pelo meu jeito, imagina ex-namorado… e isso é uma história bem real.

Tenho uma memória seletiva (para o meu bem), então porque guardar o que ocupa espaço e não é útil para me fazer sentir melhor? Resultado, no dia seguinte ao “término”, o nós vai para descarte. Passo a conviver com o eu, e ele com o eu dele.

Lembro de uma grande viagem ou outra que fizemos, mas eu lembro de mim nas viagens, não lembro deles. Não lembro das músicas temas dos meus namoros. Da idade deles. Quando faziam aniversário. Um ou outro eu esqueci o rosto. É… agradeço minha memória seletiva, minha terapia e minhas mudanças. Quando a gente muda, o que cabia passa a não caber mais.

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