#27 — O meu desejo era estar lá

Ele me encontrou em uma sala escura. Fumaças e gente confusa. Não quis ouvir a minha voz quando colocou a sua mão no meu pescoço. Chegou perto. Hálito de uísque. Olhos vidrados por alguma droga casual. Soprou em mim todos os seus desejos.

Me puxou para um quarto apertado. Trancou a porta. Cheirou o meu pescoço. Pó. Meu instinto. Vendou os meus olhos. Vetou meus movimentos. Colocou na minha boca um copo cheio de expectativas.

Bebi tudo. Desceu ardendo. Doeu a garganta. A mão dele andava por mim como uma revista policial demorada. Densa. Ele era verbos de ação. Eu deveria ser obediência (ou resistência?!).

Bebi mais um copo de expectativas. Ele apertou ainda mais meus braços atrás da cadeira. Tirou a venda dos meus olhos. Não vi mais ele. Me vi na minha cama.

O meu desejo era estar lá.

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