Um sinal positivo para o País
Se as reformas política, previdenciária e trabalhista foram exaustivamente repetidas nos discursos, é crucial que a reforma educacional também entre no rol de ações prioritárias dos próximos governos
Por Rodolfo Araújo, diretor de mobilização do Todos Pela Educação

No rescaldo dos preocupantes números revelados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), um raro e importante debate ocorreu em São Paulo neste início de setembro. O Exame Fórum 2018, tradicional evento sobre Economia realizado pelo Grupo Abril, trouxe ao palco a relevância da Educação para um País orientado ao desenvolvimento humano, crescimento, produtividade e sustentabilidade.
O encontro foi dividido em dois grandes blocos. No primeiro, o foco deu-se na relação entre Educação e Economia. O ex-ministro de Educação e Ciência de Portugal, Nuno Crato, ressaltou a importância do pragmatismo e prioridade de Estado para promover evoluções importantes, a exemplo que ocorreu nos cinco anos de sua gestão (2011–15).
Logo depois, Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, enfatizou a relação já abordada por Crato, mas com ênfase em uma variável essencial: a qualidade da Educação ofertada como eixo de um salto econômico. Para tanto, comparou o Brasil a diversas nações e defendeu a urgência requerida pelo tema.
Já o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, ressaltou em seu discurso a necessidade de “um plano estratégico e suprapartidário” para responder aos desafios que a Educação brasileira apresenta.
Como resposta, o Todos Pela Educação mostrou o caminho com a presidente-executiva Priscila Cruz apontando as prioridades que devem ser foco de medidas das gestões federal e estaduais que começarão em 2019. Segundo ela, a oportunidade é única para que “não percamos mais décadas que repitam o histórico descaso com a Educação”.
A outra parte do evento dedicou-se à agenda econômica, com algumas pontes para a Educação. Expuseram suas ideias os coordenadores de Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e da candidatura do PT, bem como, pessoalmente, João Amoêdo e Marina Silva.
De modo geral, percebe-se no debate deste pleito uma maior atenção não apenas à Educação como causa, mas sobretudo na condição de pilar estratégico de desenvolvimento econômico e social. O grande desafio, como as próprias candidaturas registraram, será pós-eleitoral. Afinal, boas políticas e boas equipes, se montadas, precisarão de força junto a um Congresso pouco renovado, além de condições de implementação adequada em um panorama de acentuada crise fiscal.
Se as reformas política, previdenciária e trabalhista foram exaustivamente repetidas nos discursos, é crucial que a reforma educacional também entre no rol de ações prioritárias dos próximos governos. Se o Exame Fórum mostrou um sinal positivo no debate, a tarefa de todos nós é fazer com que ele se converta em uma mudança significativa na forma de conduzir a Educação brasileira.


