Remote First : 10 insights sobre trabalhar remotamente

Victor Hugo Barreto
May 27 · 8 min read

por Lu Couto e Victor Hugo Barreto
com contribuições de
Rodrigo Turra e Sarah Brito
edição e prefácio de
Gustavo Nogueira (Gust)

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Nossa convidada: Victoria Haidamus, Vic, é Digital Product Designer e ajuda empresas e Startups do Brasil e do Vale do Silício a desenvolver e alavancar seus produtos digitais utilizando design e tecnologia. Foi uma das co-fundadoras do movimento Officeless, que acredita em relações de trabalho baseadas em autonomia, propósito e confiança e que tem como objetivo ajudar pessoas e empresas a implementarem o trabalho remoto. Hoje ela utiliza todo esse repertório de design, trabalho remoto e gerenciamento de projetos trabalhando de forma independente com sua rede de parceiros, que inclui a Torus.

A Torus hoje é um movimento global e distribuído graças a essa visão de mundo de que podemos estar em qualquer lugar do mundo e ainda assim em conexão. À época desse encontro, iniciamos uma série de projetos e iniciativas com a Vic como nossa consultora em design de experiências digitais e remotas . Entre aprendizados síncronos e assíncronos, essa parceria tem nos impulsionado para o próximo nível da nossa jornada.

Sandglass é parte de nosso programa contínuo de estudos do tempo. A infraestrutura social afetiva na qual a TORUS, semanalmente, convida um especialista a compartilhar conhecimento sobre sua visão do tempo ao redor por aproximadamente uma hora. Enquanto correm os grãos de areia da nossa ampulheta, reforçamos nossa conexão em rede, estreitamos relações e experimentamos, em um espaço seguro de construção e troca.

Gustavo Nogueira (Gust)⏳❤️

Sandglass ⧖ Torus : Remote First com Victoria Haidamus

Tempo e Trabalho

Essa semana nos propomos pensar a relação entre tempo e trabalho. Em que tempo e espaço o seu trabalho acontece? Quais tecnologias e mentalidade você usa para trabalhar?

Se pararmos para prestar atenção, com o mundo em rede, o que muitos de nós precisa para fazer o trabalho for real, no final de contas, é o computador, a internet e um bocado de autoconhecimento.

Inspirados por reflexões sobre o tempo e a desmaterialização dos espaços de trabalho, nós do grupo de estudos contínuos da TORUS — Sandglass — convidamos Victoria Haidamus para juntos abrirmos nossas experiências e dialogarmos um pouco sobre o que temos descoberto até aqui.

O papo rendeu 10 insights para quem quer começar a trabalhar remotamente e algumas faíscas filosóficas.

Refletir sobre o tempo, as motivações e processos pessoais parece ser o passo zero rumo a desmaterialização dos espaços de trabalho. A tecnologia e a internet que temos à nossa disposição é do século XXI, mas a cultura dos ambientes corporativos e a nossa própria mentalidade ainda parece operar no século XIX.

por André Dahmer

E como aponta o livro “REMOTE: Office Not Required” de Jason Fried e David Henemeier, essa dificuldade atinge tanto empregadores quanto funcionários.

Questionar o modelo de trabalho vigente é questionar também a educação que nos ensinou durante toda vida escolar a partir de um modelo prisional. Quatro horas trancados entre quatro paredes e meia hora de banho de sol. Uma forma de controle: sobre o outro e sobre a produtividade. Seguimos na vida profissional acreditando que esse é o único caminho e que sem as horas trancafiados, o resto todo fica meio sem crédito.

O choque inicial vai até da possibilidade de se encarar o trabalho remoto como uma forma real de trabalho: “Mas é possível ganhar dinheiro fazendo isso?”. O que nos leva também a repensar toda a construção de papéis profissionais, atividades e maneiras de se remunerar o tempo funcional. Desafios, possibilidades e, principalmente, potencialidades frente às inovações tecnológicas.

A tecnologia permite que a gente se comunique e trabalhe em tempo real de vários lugares do mundo, mas ainda assim a forma que a maioria de nós opera — “cara/crachá” — tem horário e local fixo, comando e controle.

A pergunta que devemos nos fazer é: como podemos trazer um novo modelo mental para dentro do trabalho e não só o combo “slack-trello-e-uma-terceira-ferramenta-a-sua-escolha”?

Em um mundo com muita gente que mais se conhece pela internet que ao vivo, ressignificar a presença, também no trabalho, parece fazer todo sentido. Ainda mais quando nos lembramos o que esse novo modelo tem a nos oferecer: possibilidade de expansão geográfica, liberdade para trabalharmos onde nos sentimos melhor e tempo qualificado para nossas tarefas pessoais e profissionais.

It’s a Small World, Debbie Smyth

Aqui vão 10 insights para quem quer trabalhar remotamente:

#1 O trabalho é um estado de espírito e se conhecer bem faz toda a diferença.

#2 Trabalhar a partir de um modelo propositivo e não reativo é o que ganha o jogo.

#3 Você precisa ser o próprio gatilho da motivação.

#4 Combinados precisam ser pré-estabelecidos e estar claros para todos. Nas equipes de trabalho tradicionais tudo está aparentemente muito claro e as respostas foram instituídas há mais de 200 anos. Para desmaterializar esse espaço e deixar essa dependência para trás, você precisa combinar tudo com seu time e com o cliente.

#5 Aprenda a lidar com seu tempo e sua maneira de balanceá-lo.

#6 Over communication nunca matou ninguém mas já salvou jobs.

#7 Você vai precisar compreender e exercitar a comunicação assíncrona.

#8 Esqueça os espasmos mentais e de comunicação: ‘Oi, tá aí?’ sem contexto no Whatsapp não ajuda ninguém. Vá direto ao ponto, exponha o cenário e aguarde. O que nos leva ao item 9.

#9 Você vai precisar aprender a lidar com seu senso de urgência. Estar conectado o tempo todo não quer dizer que estamos todos disponíveis o tempo todo.

#10 Transparência é a alma do negócio. Trabalho remoto exige uma enorme honestidade, porque quando você não está vendo a pessoa, tudo que você vê são os resultados.

É claro que cada equipe vai encontrar seus próprios combinados. A forma de trabalho que mais é conveniente. Não existem processos replicáveis. Primeiro existem as pessoas que tem um dia-a-dia que se torna processo que usa as ferramentas que melhor lhes servem. O que envolve um aprendizado de (des) entranhamento a partir dos hábitos de cada um.

É engraçado, porque a gente só vê a ponta do iceberg, o arquivo final de uma equipe remota, e nem imagina que embaixo dele tem uma construção complexa objetiva e subjetiva: tempo de organização, processos, ferramentas, mergulhos pessoais, transparência, vulnerabilidade. Motivos que demonstram a maior necessidade de empatia com o time ou a equipe.

Da mesma forma, trabalhar remotamente envolve técnicas e rituais que cada um pode (e deve) desenvolver para que o trabalho ocorra da forma mais confortável e produtiva possível. Não é por ter a liberdade de atuar em qualquer espaço que se esteja livre de estresse ou dos prazos de entrega.

Um medo muito comum também percebido em todos é: ‘Se eu não for todo dia, será que vão achar que eu sou necessário?’. A resposta para esse medo é: se você for necessário e não o que você é capaz de fazer, talvez você realmente não seja necessário.

Abordamos os desafios e possibilidades do trabalho remoto em parceria com SOKO e THEGRID — startups que integram o grupo FLAGCX — em uma série de conteudos para a iniciativa “Quero trabalhar de cueca” promovido pela marca Mash. (Acesse o site e faça download do guia para conferir o resultado)

O trabalho remoto necessariamente envolve um processo de autoconhecimento. De suas capacidades, de seu senso de responsabilidade e organização, de sua autonomia e até mesmo de um autocontrole.

“A autonomia é uma habilidade que precisa ser desenvolvida e treinada. Apesar de estar na nossa essência, a gente não nasce sabendo como fazer isso. Só que para evoluir e entender as nossas circunstâncias para viver com mais propósito, a gente precisa dela. E é claro que, quando trabalhamos remotamente, isso também se esbarra na nossa relação com o time distribuído”.

As pessoas participam daquilo que elas criam. O processo de compartilhar o nosso processo dói e é caótico muitas vezes. É difícil, porque a gente precisa se abrir, mas o que ele traz é maravilhoso. No final das contas as pessoas se engajam muito mais e nós entendemos que esse papo de vida pessoal e vida profissional é só mais uma entre tantas dualidades que precisamos superar nessa vida.

Um desafio mais do que estimulante, portanto.

Participantes do encontro (da esquerda para a direita, de cima para baixo): Victoria Haidamus, Gustavo Nogueira, Rodrigo Turra, Lu Couto, Morena Mariah, Victor Hugo Barreto e Sarah Brito.

Veja outros registros do Sandglass aqui:

Nós somos a TORUS, movimento com atuação global e bases em São Paulo e Amsterdam, que promove mudanças em culturas organizacionais, somadas a um despertar cultural na sociedade.

Desenvolvemos metodologias experimentais e proprietárias baseadas em traduzir e compartilhar conhecimento relevante sobre as transformações necessárias ao nosso tempo.

Junto a uma rede de parceiros e especialistas ao redor do mundo, investimos em estudos originais e na construção de espaços seguros de aprendizado e troca como infraestruturas sociais necessárias ao mundo de hoje.

Torus

Estudos do Tempo (Time Studies)

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