Em apenas dois anos o Led Zeppelin lançou três álbuns que mudaram o rock para sempre. Descubra como eles foram feitos e aprenda a tocar os riffs que são sua essência.

Especial Led Zeppelin: ’69 — ’70, Parte 1

Gravado em nove dias e pago com as economias de Page, “Led Zeppelin” foi um glorioso trabalho literalmente ‘feito às pressas’…

Em 1968, os integrantes do The Yardbirds seguiram seus próprios caminhos. O guitarrista Jimmy Page e o empresário Peter Grant ficaram juntando os pedaços que sobraram, o que significava arrumar substitutos — rápido — para uma turnê na Escandinávia, agenda que a banda seria obrigada a cumprir. Jimmy Page tinha trabalhado com o baixista John Paul Jones quando era músico de estúdio em Londres. O baterista John Bohnam e Robert Plant eram dois figurões da região de Midlands, que traziam a força que Page queria para a nova banda.

O quarteto cumpriu suas obrigações na Escandinávia sob o nome “The New Yardbirds”. Suas apresentações convenceram Page e Grant que esse grupo estava pronto para deixar sua própria marca na cena rock. O nome Led Zeppelin foi escolhido por sugerir leveza e peso — algo que a banda exploraria mais a fundo em seu terceiro álbum. Ele havia surgido pela primeira vez em 1966, quando John Entwistle e Keith Moon, do The Who, pensaram em montar um supergrupo com Jeff Beck e Page. A seção rítmica do The Who brincava que uma banda como essa cairia como um balão de chumbo. A piadinha foi sendo aperfeiçoada, transformando-se em “zeppelin de chumbo” (“lead zeppelin”).

Peter Grant deu preferência para a Atlantic Records no projeto novo de Page. Então os estúdios Olympic, em Londres, foram alugados e começaram os trabalhos do que se tornaria “Led Zeppelin”. Glyn Johns, que já havia trabalhado com The Beatles, The Rolling Stones e The Who, foi contratado como engenheiro de som. Page assumiu o papel de produtor. Na verdade, as sessões de gravação foram patrocinadas por Page, que pagou com as economias que tinha guardado do seu trabalho como músico de estúdio. A fita começou a rodar no dia 27 de setembro de 1968 e parou nove dias depois, a um custo total de 1.782 libras (aproximadamente 6.800 reais convertidos para os dias de hoje).

Além do dinheiro e de uma visão bem clara de como o disco devia soar, Page trouxe um estoque modesto de equipamentos para tocar. O álbum inteiro foi gravado apenas com uma Fender Telecaster (presente do amigo e ex-colega de Yardbirds, Jeff Beck), um amp valvulado Supro, um violão Gibson J-200 emprestado do companheiro de sessões Big Jim Sullivan e uma steel guitar Fender.

As faixas foram gravas ao vivo com toda a banda, acrescentando overdubs onde fosse necessário. Se “Led Zeppelin” parece um trabalho feito às pressas, é porque foi mesmo. Como disse John Paul Jones, o disco era “basicamente uma gravação do primeiro show [dos The New Yardbirds], por isso tinha tantos covers”. Claro que os covers em questão, “Babe I’m Gonna Leave You”, “You Shook Me” e “I Can’t Quit You Baby”, eram mais do que réplicas nota a nota dos originais. Dos bombásticos powerchords da abertura de “Good Times, Bad Times” até o último ecoar de pratos de “How Many More Times”, “Led Zeppelin” era a visão de Page de um novo tipo de rock’n’roll, claramente influenciado pelo que veio antes, porém, muito mais pesado.

Ainda assim, acusações de plágio vieram de todos os lados — inclusive da imprensa musical da época, sobretudo indiferente e às vezes hostil com o que via como um ramo simplista na árvore genealógica do rock. Não que Jimmy Page ligasse: “Os músicos de blues tomavam emprestado coisas uns dos outros o tempo todo… Como músico, sou apenas um produto de minhas influências”. E é claro que essa estreia — feita às pressas mas com poder para emocionar, mesmo depois de todos esses anos — provou que ele e sua banda eram muito mais do que isso.

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Aprenda o riff de “Good Times Bad Times” do Led Zeppelin | Total Guitar Brasil #01

Esse riff de afinação padrão consiste nos powerchords de E5 e D5, um arpejo de D maior e uma pequena linha cromática que te leva de volta ao começo. O E5 é apenas a estocada. O D5 é mais desafiador, porque é tocado como um arpejo. Faça com que cada corda ressoe individualmente e silencie as cordas não utilizadas. E prepare-se para mover os dedos quando passar do D5 para o arpejo de D.

Aprenda o riff de “Dazed and Confused” do Led Zeppelin | Total Guitar Brasil #01

A essência desse riff está em uma série de bends de semitons na quinta corda. O truque é lembrar a sequência de posições nas casas. Pense nelas como duas linhas cromáticas: G-F#-F-E e D-C#-C-B. O G e o F# são tocados na nona posição, o F e o E na sétima, o D e o C# estão na quarta e você termina tocando o C e o B na segunda. Repita o mesmo padrão nas cordas mais agudas para a parte oitavada [no overdub].

*Os vídeos acima são parte integrante da edição #01 da revista Total Guitar Brasil.

Fique ligado que semana que vem tem a segunda parte da matéria do Led Zeppelin aqui na nossa publicação no Medium.

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