Artista da Vez #02 — Melissa Westphal

Antes tarde do que nunca estamos aqui com nossa segunda entrevista com uma das artistas mais talentosas da Touts e criadora de algumas das artes mais fofas que temos no site.

Sem mais delongas senhoras e senhores, com vocês: Melissa Westphal


Conta pra gente rapidinho, quem é a Melissa?

Olá, eu me chamo Melissa Westphal, tenho 23 anos e estudo Design Gráfico na Universidade Federal de Pelotas. Trabalho como designer e ilustradora freelancer e me considero acima de tudo uma artista que sente a necessidade de trazer um pouco mais de alegria pra esse nosso mundo tão caótico.

Quando que você começou a se interessar por arte? Tem algum responsável, um ídolo?

Desde pequena eu gosto de desenhar, mas não nasci com nenhum dom (se é que existe essa coisa de dom) e até hoje eu digo que não sei desenhar, porém eu gosto (tipo muito mesmo) de ilustrar, e esse gostar influencia diretamente nas coisas que conquistei até os dias atuais.

O desenho sempre esteve de certa forma, presente na minha casa, cresci observando minha mãe pintar guardanapos de cozinha, a verdade é que sempre que eu a via pintando, também queria pintar, obviamente ela não me deixava e o fato de ser proibido é que tornava a tarefa ainda mais atraente. Meu irmão mais velho também me influenciou muito, formado em Design de Móveis, ele me ensinou muitas coisas relacionadas ao desenho, como perspectiva, ponto de fuga, sombreamento e etc.

Apesar de todas essas circunstâncias, um fator que ocorreu em 2004 foi fundamental na minha vida. Aos 13 anos eu estava na sétima série do ensino fundamental e um grafiteiro da minha cidade foi convidado pelos professores a fazer um graffiti nas dependências da escola. Durante essa pintura, existiu um dia que ele estava sentado no pátio da escola desenhando nos cadernos dos alunos que o pediam desenhos. Ele estar ali, fazendo esboços sem borracha, sem medo da folha em branco, utilizando materiais comuns como folha de caderno e caneta bic, era algo inacreditável.

No auge da timidez típica de uma adolescente de 13 anos eu fiquei mais de uma hora observando ele desenhar nos cadernos, e pra falar bem a verdade não sei dizer se fui eu que criei coragem de pedir um desenho pra ele, ou se foi ele que me viu ali toda tímida e se ofereceu a desenhar algo para mim. No momento, em que estava voltando para casa com meu desenho (meu troféu) em mãos, eu senti pela primeira vez o que significa a palavra inspiração.

Qual sua formação? Sempre soube o que quis fazer ou já teve suas dúvidas?

Então, eu sou formada em um técnico de Comunicação Visual no Instituto Federal Sul-Riograndense — campus Pelotas e também já cursei um ano de Artes Visuais na Universidade Federal de Pelotas. Hoje em dia eu estou cursando o sétimo semestre de Design Gráfico também na UFPEL.

Pra falar a verdade eu decidi só no último ano do ensino médio qual curso queria fazer na faculdade. Apesar de sempre gostar de desenhar, eu tinha uma ligação muito forte com os esportes e muitos achavam que eu faria Educação Física ou algo do tipo. Mas quando eu comecei a pesquisar sobre os cursos eu percebi que design era uma coisa muito legal e que era isso mesmo que eu queria seguir na vida.

Como surgiu o Manifesto Cuticuti e de onde veio toda essa fofura?

Quando entrei na faculdade de Artes Visuais em 2011, fui apresentada para um mundo que eu não conhecia. Por ter nascido em uma cidade pequena, não tinha muita ideia do que era street art, porque esse tipo de manifestação não ocorria aqui. Mas nas cadeiras da faculdade os professores falavam muito de arte contemporânea, graffiti, intervenções urbanas e etc, naquele momento eu sabia que aquilo mexia comigo. Durante esse ano eu tive a oportunidade de produzir vários trabalhos relacionados com os espaços urbanos.

E foram esses trabalhos que me levaram até o Manifesto Cuticuti, que também surge como um simples trabalho de faculdade, mas eu sabia que ele tinha potencial de se tornar algo maior.

Desde aquela época a intenção do Manifesto era se tornar um projeto de intervenções urbanas que possuem mensagens positivas em forma de lambe-lambe.

Mas pra falar a verdade eu acho que hoje em dia ele está um pouco além disso. A maioria das pessoas relaciona todas minhas produções e ilustrações ao Manifesto, por isso eu penso em expandir ele no futuro e acabar chamando tudo que eu faço de ‘Manifesto Cuticuti’.

O que te dá mais prazer no seu trabalho? E o que dá menos?

Eu tenho muito prazer! Uma parte desse prazer surge da repercussão (principalmente nas redes sociais), dos seguidores, likes etc. Mas a verdade é que o principal é a satisfação que eu sinto desenhando e pintando. É uma coisa que eu não enjoo e não canso de fazer, eu poderia passar 24h do meu dia desenhando e pintando.

Duas coisas que me dão menos prazer: Vetorizar (odeeeeeeio hahaha) e a questão do dinheiro. É muito complicado viver de arte e ilustração, a gente precisa trabalhar muito (mesmo!) pra conseguir se sustentar sozinho. Eu sempre me apeguei muito ao fato de que se eu trabalhar no que gosto e me esforçar o dinheiro vai surgir de maneira natural. De fato, ele surge, mas não é simples e nem vai ser de um dia para o outro. Envolve muuuito esforço e muita paciência, mas no fim vale a pena. :)

Você já nos contou que sempre quis fazer produtos e que fazia camisetas e bolsas à mão. Como era esse processo?

Como eu mencionei ali em cima, eu observei durante muitos anos minha mãe pintando guardanapos de cozinha e minha a relação com a tinta e o tecido já surgia ali. Quando eu era adolescente, esses sites de camisetas começaram a tomar uma repercussão muito grande e observava aquelas estampas e pensava ‘caramba, eu quero ter camisetas com meus próprios desenhos’. Mas eu não sabia nada de serigrafia, fora que era um processo caro e que envolvia uma tiragem maior de produtos. Qual foi minha opção? Começar a comprar camisetas sem estampas, pegar as tintas de tecido da minha mãe e sair pintando. Durante muito tempo eu peguei camisetas velhas e pintava qualquer coisa só para treinar e ver como a tinta se comportava no tecido. É muito difícil pintar em tecido, porque a superfície não é lisa que nem uma tela ou um papel, então todos esses testes que eu fiz foram fundamentais no aperfeiçoamento do meu traço.

Quando viu que dava pra viver disso, ou não dá? Quais as dificuldades nessa carreira?

Não é fácil viver de arte, são muitos altos e baixos. Em alguns momentos tu ganha super bem em outros tu está falido (no momento estou nesse estágio huaha). A gente precisa saber controlar muito bem os gastos e tem que saber cobrar pelo nosso trabalho. Mas não é impossível, como eu já disse ali em cima, é uma questão muito forte de perseverança e paciência, mas que no fim sempre vale a pena quando a gente trabalha no que ama.

Eu já trabalhei em duas agências de publicidade, mas pra falar a verdade eu não pretendo voltar para esse mundo. Pelo menos aqui onde eu moro, os salários são muito baixos e sinceramente, se é pra ganhar mal, eu prefiro ganhar mal fazendo cuti-cutices. :D

Meu foco é terminar a faculdade e continuar sozinha, levar o Manifesto a sério, investir na questão do produto que é um tipo de arte acessível para todos.

Tem como explicar um pouco como é seu processo criativo?

Varia muito, às vezes a ideia surge naqueles momentos de total despreocupação e outras vezes surge naquele momento de total pressão do prazo. Acredito que o processo criativo está totalmente relacionado com o repertório visual que tu adquire a vida toda. É muito importante estudar, conhecer artistas, conhecer movimentos artísticos, ler, enfim, consumir qualquer tipo de informação visual que pode ser importante pra gente.

Como tem sido o modelo da Touts pra você?

Bom, eu já contei que meu sonho era criar estampas de camisetas e pintava elas a mão porque era a forma mais fácil de colocar em prática meu desejo. Com a Touts eu finalmente não preciso mais ficar horas pintando uma camiseta hehe. É muito sério isso, finalmente eu encontrei uma plataforma que se adapta a tudo que eu preciso, onde não existe essa história de tiragem mínima, limite de cores e o mais importante de tudo: o desenho não precisa ser vetorizado. :D :D :D :D

Mas além das estampas, trabalhar com os pôsteres e com os cases de celular é demais! É muito lindo quando vemos nossas artes se tornarem algo real, ainda mais quando se tornam realidade nos produtos da Touts que são de excelente qualidade! :)

Que dicas você daria para alguém que está começando?

Estude muito, conheça muitos artistas, corra atrás, tenha paciência, desenhe, pesquise novos traços, participe de eventos, conheça novos lugares, seja persistente, seja responsável. E o mais importante: faça o que ama.

Já viu alguma pessoa desconhecida com um trabalho seu? Qual o sentimento?

Já vi e é um sentimento maravilhoso hauhau. É uma gratidão sem tamanho que faz a gente sorrir espontaneamente no meio da rua hehe.

Qual o futuro do Manifesto Cuticuti e o que vem pela frente?

Não sei dizer exatamente o que vai rolar, mas tenho muitas ideias em mente. Como falei antes, quero expandir o Manifesto, trabalhar mais ainda com a questão do produto e continuar fazendo o que eu faço e poder me sustentar com isso. Assim que eu me formar queria sair um pouco daqui de Pelotas e explorar novos mercados como Porto Alegre e São Paulo. Enfim, o negócio é deixar rolar e ver onde vai parar (ou melhor, não pode parar). Seguir em frente, sempre!


Você pode conferir todos cuticutis que temos no site aqui: touts.com.br/manifestocuticuti

A Melissa é uma de nossas artistas favoritas, qual é o de vocês? Conta pra gente qual artista você quer conhecer melhor, vamos adorar saber e procurar divulgar o trabalho de quem vocês mais quiserem ouvir :)

Abraço de urso,

Lucas

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