Artista da Vez #03 — Valter Brum

Com um traço que amamos e facilmente reconhecido, tivemos o prazer de bater um papo com Valter Brum. De Porto Alegre, mas morando no Rio de Janeiro, nos surpreendemos cada vez que conhecemos mais um pouco sobre esse “artista canivete suíço, com mil utilidades, passeando com artes do papel, para o digital, couro, madeira, escultura e qualquer coisa que aparecer em suas mãos. São mais de 350 artes na sua página aqui na Touts. Confira aqui o melhor do nosso bate bapo.


Quando você começou a ver que tinha uma veia para a arte?

Na verdade, surgiu como algo natural mesmo, desde pequeno, me lembro de algumas vezes em que minha mãe foi chamada ao colégio porque eu desenhava bastante me sala de aula.

Durante o Jardim, minha obcessão por desenhar o Zico… Zico no carnaval, Zico voltando as aulas, dia das mães mãe do Zico, dia dos pais pai do Zico. Rsss Fiz do Zico até papai noel…

No restante do primário, chamava certa atenção dos professores por passar facilmente pelos desafios das aulas de educação artística e isso me fazia chegar em casa e tentar coisas mais complexas. Assistir desenhos e no final tentar desenhar os personagens sem vê-los (exercício de criança maluca, kkkk). Lembro de uma vez o professor deu uma letra pra turma e pedir para desenharmos algo com ela e enquanto a maioria dos meus amigos tinha dificuldade eu acabei desenhando o alfabeto quase inteiro e fazendo a a professora chamar minha mãe novamente ao colégio.

Ai depois vieram algumas fazes…

Adorava desenhar rótulos de bebidas e misturá-los com os desenhos, tipo, desenhava um outdoor com o Pica Pau bebendo Pepsi…

Fazia pingentes esculpidos em gis e fazia pingentes para as meninas (tocos que sobravam das aulas, as vezes pegava uns inteiros da caixa da professora)…

E passei boa parte da infância desenhado uma imagem do album thriller do Michael Jackson para meus colegas…

Soube que tem um história boa sobre como entrou na faculdade de desenho industrial. Como foi?

Eu trabalhava numa central de telemarketing (Telemar) e próximo de uma copa do mundo dividiram a central em equipes e me ofereci para desenhar, fazer um painel que representasse cada equipe (relacionado a copa é claro). Depois disso passei a desenvolver desenhos para um escritório que fazia todo o matéria de design da central que eu ainda trabalhava.

Um dos responsáveis por esse escritório disse: Você tem que sair desse inferno e fazer desenho industrial cara! Amei ouvir isso mesmo sem saber o que era de fato desenho industrial.

Um amigo da central resolveu me indicar uma facul, foi até lá comigo… me inscrevi no vestibular, entrei (fato, quem paga a inscrição entra! kkk) mas me deparei com o problema que era como pagar a facul?!!!! Aí descobri que o mesmo amigo que que me indicou e pilhou para que eu estudasse DEIXOU 3 MESES PAGOS! Valeu Ricardo Toquinha!

Foi isso.

As suas artes tem um traço bem característico. De onde veio isso? Alguma inspiração?

O traço forte e grosso é a forma de esconder a imperfeição. É como se esconder… escondo minhas dificuldades em traços não comuns. O que isso quer dizer? Que quando eu não conseguir perfeitamente desenhar um olho, uma mão ou um pé, será incorporado ali algo tão bacana quanto. Se não coloco olhos, certamente terá uma posição, um brilho ou uma luz que dará a expressão que eu quero.

Entendeu? Melhor eu desenhar… kkkkkkk

As vezes olho o pé de um móvel e vejo ali o pé de um desenho meu… então qualquer coisa pode ser inspiração.

Você tem infinitas estampas, mas uma das linhas claras que tem de artes é relacionada a Orixás e Santos, como decidiu isso?

Ai ideia de camiseteria veio do simples pensamento de ter em um único lugar segmentos que agradem a qualquer pessoa. Resolvi começar isso garimpando uma pasta que eu tenho no computador chamada LIXO CRIATIVO (são coisas que eu acho muito legal e não foram aprovadas por clientes). Mas não tinha nada tão bom quanto o que eu imagina fazer para iniciar.

Resolvi então deixar o LIXO PRODUTIVO ainda guardado e escolhi os ORIXÁS para iniciar a caminhada. Sou de Umbanda, devoto de São Jorge, filho de Ogum, mas comecei com Yemaja e Preto Velho. Desenhei do meu jeito, como eu criança imaginava, como eu via no centro que eu frequentava. E tornou-se um desenho agradável que as pessoas curtiram usar. E confirmou se de vez em 23 de abril de 2013 la em quintino, na igreja de São Jorge. 100 camisetas de São Jorge e Ogum vendidas em pouco mais de 1 hora.

Com isso passaram a pedir outros Orixás e outros Santos…Hoje são 90 desenhos entre Santos e Orixas e um total de 350 estampas em temas variados.

Como é a sua relação com moda. O que voce já fez e faz? Acompanhei no facebook que você tem uma loja no centro do Rio de Janeiro.

Desde muito cedo abusava por ter mãe costureira e muito do que eu vestia eram os meus pitacos. A mania de personalizar coisas velha (aquela calça amada que a gente nunca quer se desfazer), o tenis que furou e rola de dar um “tapa”. Cortar pernas de calça para fazer bolsas ou carteiras. Ja fiz boné, bermuda, bolsa, carteira, cinto, sapato. Fazer tudo é bom, só falta é tempo… além de tudo isso continuo atuando como designer gráfico e web e Tatuador.

A loja do Centro infelizmente pegou fogo um dia antes d’eu estar dando essa entrevista. Um incêndio que destruiu 150 boxes e a nossa loja estava entre elas.

O que você diria hoje pro menino de 5 anos que desenhava o Zico no colégio?

Obrigado, e choraria de saudade.

Pra fechar, um bate-bola jogo rápido:

Uma pessoa para sentar para tomar um chope? Minha Lapiseira e meu moleskine

Que artista mais admira? Michael Jackson

Sexta feira a noite… Trabalhar até…

Agua no chope é… Barulho, ou muita gente enquanto desenho!

Você pode conferir todas as estampas do Valter em nosso site aqui: touts.com.br/valterbrum

Abraço de Urso,

Arturo

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