Artista da Vez #05 — Aline Albino

Dessa vez a artista que vamos trazer pra nossa série de entrevistas é alguém com uma trajetória incrível, que foi uma revelação na Touts e vem fazendo sucesso muito merecido fora dele, também. Nossa Artista da Vez, que mora na Califórnia mas ainda tem a alma e o coração bem brasileiros, vai nos contar um pouco de como foi parar no mundo da arte, como fez pra se adaptar, sua trajetória e mais!

Senhoras e senhores, com vocês: Aline Albino


Se eu fosse um estranho no metrô puxando assunto, como você se apresentaria?

Bom, primeiro vamos esclarecer que eu sou bem tímida e provavelmente iria te olhar torto hahahaha, não me leve a mal, eu sou desconfiada. Mas considerando que você me convença de suas boas intenções eu posso me apresentar como: Oi! Eu sou Aline Albino, estilista, designer gráfica e artista por teimosia.

Que história é essa de “artista por teimosia”?

Eu sempre gostei desenhar, desde a escola tenho aqueles desenhos no caderno (não, não eram desenhos bons, mas uma necessidade de criar) e já dizia que eu iria ser artista, mas alguns me falavam “esquece isso”. Acabei fazendo faculdade de Design de Moda, montei minha marca, fiz Pós-graduação na área de Educação, dei aulas no Senac por alguns anos, mas desde que mudei para Los Angeles larguei tudo e virei artista mesmo. Eu amo papel de verdade, me recuso a desenhar em tablet, não consigo criar desse jeito. Eu amo arte digital e estou estudando bastante isto, mas as minhas letterings são sempre feitas à mão e depois digitalizadas. Enfim, eu sou teimosa e minha teimosia me trouxe até aqui, hahaha.

Quando surgiu esse seu interesse por arte e o que mais te influenciou no início?

Exatamente quando surgiu eu não sei te dizer, mas antes de eu nascer meu pai já era dono de casa de materiais artísticos e eu já cheguei a dormir embaixo do balcão sonhando com aquelas latas lindas de lápis. Meu pai acabou mudando de profissão completamente e foi pra área mecânica e eletrônica, mas sempre teve paixão por colecionar canetas e guardou muito material artístico que me deu quando fiquei mais velha. Estraguei vários no processo, mas sempre tive uma paixão por essas coisas que só foram aflorando mais e mais. Na faculdade de moda eu realmente me abri para essa área, acabei renegando por alguns anos depois e agora veio com tudo e creio que não vai mais embora!

Hoje você mora em Los Angeles, qual foi o peso que sair do Brasil teve na sua carreira como artista?

O peso foi enorme! No Brasil eu tive uma marca de moda por 6 anos e por questões logísticas eu tive que fechar ao mudar para Los Angeles. Como meu marido veio à trabalho e no ínicio o meu visto não me autorizava a trabalhar, apenas a estudar, eu quase surtei pensando em que poderia estudar ao ponto de me entreter tanto que eu esquecesse que não podia trabalhar de verdade. E daí surgiu o projeto 365 Dias de Hand Lettering que eu fiz em 2015. Foi um ano de redescoberta do que realmente me dá prazer de trabalhar, de voltar a desenhar muito e me reconhecer como artista.E uma coisa que contribui muito é a disponibilidade de material de estudo nessa área aqui no exterior. São muitos livros, cursos online, material facilmente encontrável.

Conta pra gente um pouco sobre a marca que teve aqui no Brasil. Como foi todo o processo? Qual foi a parte mais legal? E a mais chata?

Eu tive uma marca chamada Galochamarela por 6 anos no Brasil, ela foi meu projeto de TCC da faculdade que eu coloquei em prática assim que me formei. Eu me dediquei de corpo e alma à ela.Foi muito gratificante, mas também completamente exaustivo porque era eu quem criava as peças, modelava, costurava, cuidava da publicidade, administração das lojas virtuais, atendimento ao cliente e postagem das peças. Eu cheguei em um momento crucial onde sozinha eu não conseguiria crescer mais e para crescer eu precisava de um grande investimento e também achar mão de obra especializada, o que é uma coisa extremamente difícil e estava me tirando o sono. E o destino se encarregou de decidir por mim que eu teria que fazer as malas e largar tudo.A parte mais legal era o processo de criação, onde eu ia buscar inspiração, criava um caderno com referências, juntava desenho, colagem e criava um poema inspiracional. E também eu amava desenvolver novas tags, etiquetas, cartão de visitas, estampas, novos layouts para a marca (eu trocava tudo a cada coleção). A parte chata é que a parte “legal” foi diminuindo no meu dia-a-dia até que quase não existiam porque as outras partes como costura, modelagem e postagem tomavam todo meu tempo.

Quais dicas você daria pra si mesma no passado, quando estava começando?

Eu me aconselharia a me importar menos com o que os outros achavam ou deixavam de achar. Ás vezes deixamos que os outros nos reprimam e acabamos não seguindo o que realmente achávamos o certo desde o começo.

De onde surgiu a paixão por lettering e quando decidiu seguir essa linha?

O lettering como uma arte consciente mesmo, entrou há muito pouco tempo na minha vida, eu já tinha criado algumas coisas com letras no passado, mas nunca pensando tecnicamente, muito menos que isso seria uma profissão.Eu fui descobrir todo esse universo e inclusive o nome disto no ano passado, depois que comecei o desafio dos 365 dias. Comecei a gostar cada vez mais das letras e a buscar técnicas e daí em diante não parei mais.

Hoje como ocupa maior parte do seu tempo e o que faz pra estimular seu processo criativo?

A maior parte do meu tempo é ocupado com arte, seja em projetos pessoais, projetos para os clientes ou estudo e experimentação que eu sempre gosto de postar no Snapchat para os seguidores terem uma maior aproximação do meu trabalho e ver que tem alguém real por trás.Andei lendo bastante sobre processo criativo, porque às vezes vem aquela onda de bloqueio criativo e eu me sinto perdida e acabei descobrindo que isso é muito normal, a chave é saber contornar estes períodos. Tenho fases que crio loucamente e assim vai até acabar minhas energias, então tenho que começar um ciclo de descanso, focar em outras coisas, ler, relaxar, exigir um pouco menos de mim mesma e logo a bateria recarrega e já começam a borbulhar milhares de ideias na cabeça. Eu sou uma pessoa muito visual, então eu preciso me cercar de coisas que me inspirem, adoro embalagens, objetos de papelaria, papéis estampados, quando preciso de um start criativo corro para o Pinterest e perco horas coletando imagens que me inspirem.

Quais são os próximos passos e o que vem pela frente?

Esse ano quero focar em estudar bastante e dar um salto de qualidade na minha arte, ainda tenho muito a aprender! O que vem pela frente é muita arte, muitos estudos e experimentos que todo mundo vai poder acompanhar pelas minhas redes sociais ;)

Pra fechar, um bate bola jogo rápido:

Pessoa incrível — meu marido, Glauco Longhi ❤

Uma frase — Never stop creating new shit.

Uma cor — amarelo

Uma bebida — chocolate quente

Um lugar — Santa Monica

Felicidade é — poder trabalhar com o que se ama e ser reconhecido por isso.

Aline por Aline em uma frase — Ternurinha em estado bruto.


Além disso tudo, a Aline ainda nos deu a honra de estampar uma de nossas embalagens mais bacanudas, a das canecas. Ela estampou 3 artes diferentes em cada lado da caixinha, cada uma com uma mensagem positiva diferente, pra você poder enfeitar sua estação de trabalho ou decorar um cantinho especial e poder sempre ter algo novo pra te estimular.

Pra conhecer mais do trabalho dessa artista incrível, vale dar uma passada na página da Aline na Touts.

Abraço de urso,

Lucas

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