Artista da Vez #07 — Bruno Honda Leite

Dessa vez tentamos algo diferente, fomos até a casa do artista da vez, Bruno Honda Leite, que nos recebeu de braços e cadernos abertos, para fazer uma entrevista ao vivo e trazer um pouco mais, mostrando seu escritório em casa e todo seu bom humor.

Nosso artista da vez, além de todas artes incríveis com pássaros engravatados e muito rock n’ roll, é o grande responsável pela nossa nova caixa-xodó, que leva nossas almofadas até a sua porta, e também designer chefe da Mauricio de Sousa Produções, mais conhecida como a casa da Turma da Mônica.

O vídeo completo da entrevista você pode assistir aqui, mas transcrevemos alguns trechos abaixo para te deixar com ainda mais vontade de assistir ;)

Quando nos conhecemos, eu estava procurando como fazer uma embalagem legal e acabamos conhecendo seu projeto dos Retrorreciclados. Como começou isso?

Começou numa época em que eu trabalhava com publicidade, em que trabalhava demais e estava buscando coisas alternativas legais, fora do trabalho, para fazer e usar a cabeça pra outras coisas. Eu sempre gostei muito de toy art e havia uma série de dificuldades para fazer um (escala industrial, produção industrial e tal); mas um dia estava tomando banho, peguei o pote de xampu, vi que estava descascando (o rótulo) e percebi que as embalagens não eram mais impressas, eram adesivadas. Então, arranquei e pensei que seria uma ótima plataforma para meus toys art; e ainda conseguia fazer algo ligado com sustentabilidade. Aí começou com o primeiro, o seu Ferreira. Hoje já são mais de duas centenas.

Você comenta sempre que o que você é mesmo — e mais gosta de ser — é marido e pai. Se você tivesse que se apresentar para na reunião de pais do colégio do seus filhos, como seria?

Festa de aniversário do filho #3. Para quem quiser tentar fazer uma igual ele disponibilizou todos desenhos e guias aqui.

Engraçado, por que isso acontece, mas eu sempre digo o mesmo. Eu curto muito o trabalho que eu faço, tanto o pessoal quanto o trabalho lá na Maurício, e faço com muita paixão, mas aquilo não me define como ser humano. O que me define mesmo é estar nesse núcleo familiar. Sou o Bruno, pai e marido, por definição, apaixonado, e todos os rótulos que vem depois são temporários.

Como você faz para balancear esses dois lados, o artista e o designer?

Meu plano é: dos 30 aos 40 trabalhei muito com ilustração, dos 40 aos 50 quero trabalhar com quadrinhos e depois dos 50 eu vou escrever também. Esse plano pode inverter, mas é legal ter um plano porque baixa bastante a ansiedade, para não querer fazer tudo junto e acabar não fazendo nada.

Como foi o Bruno estudante, como você começou, como escolheu faculdade e como foi essa trajetória?

Uma coisa que sinto e posso falar por experiência própria, até por que hoje a carreira que sigo é bem diferente da formação que tive estudando Publicidade (na verdade, comunicação social, com foco em marketing) é que conhecimento nunca é desperdiçado. O que traz você pra determinada carreira é o conjunto de tudo aquilo que você viveu, seja uma coisa que você viu em um filme ou numa conversa com alguém bacana. Então não acho que as pessoas devam ter toda essa ansiedade absurda na hora de escolher qual curso seguir, porque os caminhos não se fecham, eles se abrem.

Eu fiz ESPM e fiquei mais de dez anos trabalhando em agência, mas não era algo que eu gostava, muito menos pelo teor do trabalho, mas mais pela quantidade de horas que eu acabava ficando no trabalho; também tem o lance de que você acaba sentindo que não está construindo de fato alguma coisa bacana. Depois que eu sai, fui para a Mauricio e agora eu me sinto parte de algo mais legal, com uma autonomia bacana e possibilidades de até transformar a realidade. O Bruno japonesinho, pequenininho, lá de trás, sempre quis trabalhar com desenho. Estudei na Maestro Fêgo Camargo, que é uma escola municipal de desenho aqui de Taubaté (SP), depois fui estudar no Atelier Montenegro, onde pude focar mais em quadrinhos. Dos treze aos dezesseis anos eu devo ter feito mais de uma centena de páginas de quadrinhos e meu sonho era desenhar para Marvel, DC.

Desde quando você se considera artista? E em qual momento percebeu que poderia viver de arte?

Eu não posso falar, pretensiosamente, que eu vivo de arte. O trabalho que eu faço hoje, que me sustenta, que paga minhas contas, apesar de estar super envolvido com arte, é um emprego, dentro de uma empresa. Apesar de ser na Mauricio de Sousa, que é uma marca grande, é um trabalho de empreendedorismo ali dentro. Tem que ter cabeça de empreendedor, com busca por inovação, de não deixar a peteca cair. Então eu desenho bastante, mas como designer voce trabalha mais com entender o problema, buscar soluções e fazer com que elas sejam implementadas da melhor maneira possível. O trabalho que eu faço e que pode ser rotulado como “artista plástico”, que é a parte dos retrorreciclados, as ilustrações e as estampas que estão na Touts, é quase que um hobby, porque hoje eu invisto muito mais na minha capacitação do que isso me retorna. Então eles de certa forma se equilibram, uma coisa acaba que paga a outra. O que pra mim é legal porque eu vou cada vez mais me tornando um ilustrador e desenhista melhor.

Como é hoje sua rotina hoje? E conta um pouco mais do que é a Mônica Toy e o que vem pela frente.

Hoje, lá na Mauricio, eu sou designer-chefe (com um time de designer geniais! Beijo para o Mojica, Tim, Amaral, Wagner Loud, Renan, Lu e Okada!) e cuido também, ao lado de um monte de gente boa, de planejamento e construção de marca; mais ou menos há uns 18 meses nós montamos um núcleo de criação com o diretor de animação, José Marcio Nicolosi e o produtor executivo Marcos Saraiva (que também gerencia a Mauricio de Sousa Online) para fomentar novos projetos de animação dentro da empresa. De certa maneira, ao lado dos quadrinhos e outros conteúdos, vai ser parte da plataforma base para o crescimento nos próximos 50 anos.

O primeiro projeto, que aconteceu antes e acabou sendo a causa de montarmos esse núcleo em conjunto do design com a animação, foi a Mônica Toy. É um projeto que eu guardo no coração — desenvolvi o design concept antes mesmo de ir trabalhar lá, foi o trabalho que me valeu o emprego (risos)!

O mais legal é que ele vem pegando um público que não se relacionava mais com a Turminha como marca. A Turma da Mônica clássica, apesar de você não ter como fugir dela, uma vez que está em qualquer lugar que você vá, é mais voltada ao público infantil. Todo mundo lê, é claro, mas nem todo mundo permanece engajadão. Depois que o leitor cresce, ele só volta a se relacionar novamente quando cresce e tem filhos: havia uma lacuna de idade nos fãs. Hoje Mônica toy tem um público super engajado, que assiste, compra produtos, se relaciona com a marca.

A primeira ideia não era nem ser uma animação, era fazer produtos, toy arts, mas aí a Mônica sugeriu que fizéssemos um desenho animado, ai eu respondi que seria ótimo e perguntei como faríamos. Ela me apresentou para o Zé Marcio e fizemos uma reunião de briefing. Ele pegou todas as ideias, levou para casa e depois de um mês trouxe os 30 segundos mais preciosos da minha vida. Ele trouxe essa marcação de som que é com a boca, mas ficou tão bom tínhamos que usar isso na versão final. Assim ficou, trinta segundos, não queríamos diálogo, porque víamos um potencial de internacionalização muito grande — que se concretizou. Sem diálogos, não foi preciso redublar, foi só publicar os canais internacionais; assim, conseguimos audiência grande no Japão e Estados Unidos, por exemplo.

Quando te convidamos para a Touts, por que você topou? O que achou legal e como vê isso?

Sendo muito sincero, foram duas coisas. Primeiro, você deve lembrar, era a questão de qualidade: queria ver como era a estampa, porque já tinha feito camiseta de impressão em alguns lugares e desbotava. Então disse na época que achava bacana o conceito, mas que queria ver. Ai você me mandou uma camiseta, eu usei por mais de um ano; daí tive a segurança de abrir minha lojinha na Touts.

O segundo é que eu adoro trabalhar coletivamente com as pessoas. Quando vocês falaram que era uma lojinha em que queriam dar todas as ferramentas possíveis para o artista chegar em alguém que goste do que ele faz, com um produto muito bom e um modelo de negócio muito honesto, eu achei demais. Era o projeto perfeito entregando um produto bacana. Depois, você começa a navegar e ver as pessoas que também estão lá, com um nível super elevado, com uma curadoria bacana, fiquei ainda mais animado.

A gente finalmente vai fazer uma caixa contigo, conta um pouquinho do que está vindo.

Esse é o nosso grande amigo Olavo Alberto Moraes. Ele vai ser a próxima caixa em que virá a almofada que você comprar. (Pra saber mais sobre o Olavo, você pode comprar uma almofada e conhecer a história completa ou assistir os detalhes e processo de criação dele).

Bate Bola Jogo Rápido:

Frase:

Se você der uma boa idéia a uma equipe medíocre, eles tem grande chances de estragar; se você der uma idéia mediana a uma grande equipe, provavelmente vão se debruçar sobre ela até criarem algo realmente bom (ou, no mínimo, trarão uma alternativa de primeira). — Ed Catmull

Um filme: Forrest Gump;

Um personagem: Harry Porter;

Uma música: Back In Black — AC DC;

Um livro: Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marquez;

Uma brincadeira: Andar de skate com a criançada, para eles entenderem que na vida a gente desequilibra e cai várias vezes.

Uma inspiração: Posso dar Duas? O Will Eisner, que pra mim é o maior quadrinista de todos os tempos, desbravou o mercado. E, sem querer puxar sardinha, o Mauricio de Sousa, por tudo que ele fez, com o pouco recurso que tinha; por ter conseguido criar uma turma de personagens que fala com o coração de praticamente todo brasileiro.

Bruno por Bruno: Japonesinho baixinho, cada vez mais calvo e apaixonado pelas pessoas perto dele: filhos, esposa, ele é tão apaixonado por eles que não tem como não ser uma pessoa 100% apaixonada por estar viva.

Se você curtiu o Bruno e seu trabalho, não deixe de dar uma olhada na página dele na Touts

Ah, e ainda tem um cupom de desconto especial pra quem chegou até aqui: QUEROMEUOLAVO

Abraço de Urso,

Arturo

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