Artista da Vez #10— Tobe Fonseca

O entrevistado da vez é um de nossos primeiros artistas do site e parceiro de longa data. Um tanto quanto aficionado por natureza, ursos e gato, o artista do interior do Rio Grande do Sul divide seu tempo entre sua paixão por artes e sushi.

Senhoras e senhores, com vocês: Tobe Fonseca


Como geralmente você se apresenta nas muitas entrevistas que já deu pros sites gringos em que participa?

Tento sempre ser sucinto, conto que sou um artista que me inspiro na natureza e no cotidiano, que sou barbudo gosto de gatos e moro no interior do interior do Rio Grande Do Sul.

E como se apresentaria de um jeito que só o pessoal do Brasil entenderia?

Putz que pergunta difícil! Hahahah! Olha, acho que tentaria ser mais mais real, dizer que sou apenas um gordinho barbudo tentando viver de arte nesse mundo que não é fácil!

Como a arte começou na sua vida e como foi ganhando cada vez mais proporção até hoje?

Toda carreira é construção, seja ilustrador ou mecânico. Toda profissão é um processo. Eu comecei como todo mundo, desenhando desde pequeno, a diferença é que eu não parei quando cheguei na adolescência (o que gerava bastante crítica…) Então é isso, muita dedicação. O pessoal costuma ver os resultados, mas esquece que são anos e anos de muita tentativa e erro, muito trabalho feito que ninguém viu…Não é fácil!

Quais são suas principais fontes de inspiração?

Eu comecei me inspirando muito na natureza e isso foi se transformando, virando ideias do cotidiano e da vida simples. Hoje acho que isso se misturou e virou algo novo, muitos animais com características humanas tentando passar os mais diversos conceitos. A internet é uma fonte de inspiração constante também, é muito conteúdo, material do mundo inteiro, inspiração sem fim!

Estampa “Furr division” ainda no papel

Você encara morar numa cidadezinha no Sul do Brasil como uma vantagem ou desvantagem para sua carreira criativa?

Eu acho que não é uma resposta fixa. Tem suas vantagens e desvantagens. Por ser pequena e afastada da capital não temos tanto acesso a lazer e cultura, mas em compensação temos uma natureza incomparável que me serve de inspiração constante. O custo de vida é baixo, o que possibilitou muitos tipos de testes — na arte, estilos e técnicas, mas também me dando tempo pra maturação da arte como negócio. Acho que hoje estou crescendo e precisando de mais oxigênio, talvez esteja chegando a hora de alcançar novos vôos. No último ano trabalhei com várias pessoas e apenas minha contabilidade é daqui. Morar tão longe de tudo também tem seu preço, nem tudo se resolve bem pela internet.

Por que tantos gatos e ursos?

Hahahaha aconteceu naturalmente! Eu sempre ilustrei muitos animais, minha primeira arte aprovada na França foi um Panda, nos Eua foi um Urso e por aí vai…Urso acho que é uma questão pessoal, me identifico e nunca gostei muito de desenhar pessoas, acho que os animais acabavam por tomar esse lugar pra passar as mensagens das minhas criações. Gatos são mais recentes, acho que é um misto de amor e comercial, quem não gosta de gatos boa pessoa não pode ser! Hahahah!

Pode nos contar um pouco mais sobre seu dia a dia hoje e como lida com seu processo criativo na rotina?

Minha rotina mudou muito no último ano. Antes eu era responsável por todas as áreas desde criação de conceitos, arte, upload, toda a parte burocrática — contrato, contabilidade…Mas o estúdio cresceu tanto que não tive opção exceto agregar pessoas para somar nessa jornada. Hoje sou fundamentalmente responsável pelo andamento geral do estúdio como gestor. Também sou responsável por pesquisar e criar os conceitos dos trabalhos, contato com cliente e planejamento. Eventualmente executo algumas artes, mas a maioria dos últimos trabalhos foram feitos em parceria com diversos artistas. É muito estranho essa logística, ainda estou me acostumando.

Qual papel que plataformas como a Touts tiveram na sua carreira?

Fundamental. A internet removeu as barreiras essenciais para, dentre outras atividades, viver de arte. Ainda mais continuando a morar no interior. Era algo impensável até pouco tempo atrás, pra ser sincero ainda conheço poucas pessoas que trabalham assim aqui no Brasil. Muitos ainda tem preconceito e não acreditam que é possível — estou aí pra provar o contrário.

Que dica hoje você daria a você mesmo no passado?

Aprenda inglês logo, trabalhe o dobro, aprenda sobre direitos autorais e gestão o mais breve possível. Ignore os críticos, já diria Sibelius (obrigado Google) “Nunca foi erguida uma estátua em honra de um crítico.” Essa frase é fundamental quando se está trilhando um caminho pela primeira vez, há muita gente pra te puxar pra baixo — e você já tem que lutar contra o mercado e todas as dificuldades…Siga sempre em frente!

Quais são os próximos passos e o que vem pela frente?

Expandir e automatizar o máximo que puder do estúdio. Já é uma empresa viável e financeiramente saudável, trabalho com uma equipe incrível. Quero contratar mais ilustradores e ganhar mais mercado. Artes cada vez melhores. Estamos estudando expandir pro mercado chinês, abrir um estudio físico e uma marca propria, projetos é o que não faltam!

Pra fechar, um bate-bola jogo rápido:

Uma pessoa incrível — Vincent Van Gogh

Um ator — Daniel Day-Lewis

Uma banda — Keane

Uma medo — Tenho um pesadelo recorrente: voltar pro ensino médio. Vale? Hahaha!

Um livro — 4 Hours Work Week

Uma cor — Preto

Tobe por Tobe em uma frase — Ursos, gatos e sushi.


É isso, pessoal! Essa foi um pouquinho da história do Tobe Fonseca. Se quiser conhecer mais sobre seu trabalho, não deixe de conferir a página dele na Touts.

Para ler entrevistas com outros artistas incríveis de nossa comunidade, dá uma conferida no nosso blog que tá recheado de histórias incríveis.

Abraço de urso,

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