Artista da Vez #13 — Koning

Nosso Artista da Vez, assim como todos seus precedentes, tem talento e bom gosto de sobra. Aficionado por café e letterings, já morou nos mais diversos cantos do planeta e seu trabalho já rodou o mundo em publicações ou projetos pelo globo, e ele não pretende parar por aí.

Senhoras e senhores, com vocês: Koning

Arthur Presser, responsável pela Koning

Se você fosse um café, qual seria?

Haha, começou bem. Acho que eu seria um flat white.

E como você se apresentaria pro restante da comunidade da Touts?

Peço licença pra fazer parte dessa comunidade incrível. Sou um designer visual aspirante à tipógrafo e calígrafo.

Como surgiu sua relação com a arte e o design? Foi por vocação ou teve algum momento específico anterior?

Desde criança eu gostava bastante de desenhar, e desde cedo fui incentivado pelos meus pais que até me colocaram em uma escola de desenho. Então a escolha pro design como carreira foi algo que ocorreu naturalmente.

Na adolescência, influenciado pelo meu irmão mais velho, eu escutava muito punk rock / hardcore e era fascinado pelo aspecto visual de tudo. Usando internet discada, eu adorava colecionar imagens, posters e logotipos das bandas. Nessa época eu tentava reproduzir o que via, e pensando em retrospecto, acho que uma das primeiras noções de tipografia que tive, foi quando tentei desenhar o logotipo do NOFX (banda de hardcore da Califórnia) e achei curioso como as letras tinham alguns detalhes especiais (serifas slab).

Logo do NOFX. Fonte: Brands of the World

Como você concilia o lado artista com o lado designer profissional? Quando sobra tempo para trabalhos autorais você ainda tem motivação para criar mais?

Esta é uma pergunta muito boa, e um desafio constante. Mas pra mim são coisas bem diferentes o trabalho que faço como designer profissional e os trabalhos autorais da Koning. Como o trabalho profissional exige muitos recursos (tempo, esforço mental, energia), eu geralmente só faço trabalhos autorais quando tenho alguma inspiração maior por trás para expressar ou experimentar algo.

Então a Koning acaba sendo um refúgio criativo pra testar coisas diferentes, com uma pegada mais artística, mas sem a preocupação em ser algo perfeito ou comercialmente viável. Gostaria muito de poder ter mais tempo pra me dedicar a Koning.

Pode contar pra gente um pouco do seu processo criativo no dia a dia? Onde você busca suas principais influências e referências?

Trabalhando como designer profissional eu tenho processos diversos pra cada tipo de projeto. Um projeto de branding requer um processo criativo diferente de um projeto de UI/UX, que é diferente de um projeto impresso. Mas todos projetos envolvem muita comunicação com as partes envolvidas (seja um cliente ou o time de design), muita pesquisa e pensamento estratégico para resolver problemas.

Para os trabalhos da Koning já é um processo muito mais solto e artístico. Geralmente trabalho em cima de um conceito ou inspiração, e vou explorando várias técnicas de lettering e tipografia (ou outra coisa) até chegar em um resultado visual que me agrade.

Na Koning muitas das inspirações vem de músicas e de coisas da minha vivência. Sigo alguns designers e artistas no Instagram e sempre estou de olho no Pinterest. Mas certamente o meu lugar preferido pra buscar inspiração é na rua, viajando, visitando museus, exposições, vendo arte de rua e conhecendo lugares e pessoas bacanas.

O que você mais gosta de fazer no seu tempo livre?

Desenhar letras, fazer música, assistir documentários de arte e Bojack Horseman.

Projeto musical paralelo

Você já morou e trabalhou em vários países. Pode contar mais um pouco pra gente dessas aventuras e como acha que isso acaba influenciando seu trabalho?

Certamente é algo que adiciona um valor imensurável no meu trabalho e na minha vivência como pessoa. Sou muito grato à minha parceira, Luana, que é a pessoa que me carrega pra todos os cantos do mundo.

Morei por alguns anos na China onde aprendi um pouco de chinês e comecei a me interessar mais em usar pincéis com nanquim para fazer letterings e caligrafia. A cidade onde eu morava se chama Nanjing (a tradução é literalmente “Nanquim”), e era muito barato comprar pincéis e tinta lá. Também era muito inspirador ver os chineses praticando caligrafia.

Caligrafia chinesa

Também morei algum tempo em Londres onde fiz um mestrado em Design for Communication, e tive aulas com o designer e fotógrafo Andy Vella. O cara foi simplesmente o designer responsável pela maioria das capas de discos do The Cure nos anos 80, além de ser o fotógrafo oficial da banda. Ele me inspirou muito a ter uma pegada mais experimental, onde eu fiz os projetos Sound of Silence (um livro com uma série de letterings inspirados em músicas) e a família tipográfica Font Family (uma família de fontes inspirados por livros antigos da minha família).

Organizando as letras do projeto Font Family

Como surgiu a Koning e por que sentiu a necessidade de diferenciar de seu trabalho pessoal?

A Koning começou em 2010 como uma marca de camisetas que criei junto com o meu amigo Anderson Tomazi. Durante os primeiros anos tivemos resultados bacanas, mas a parte logística começou a ficar muito puxada e difícil de conciliar com os nossos trabalhos.

O projeto acabou ficando meio parado e em 2013 eu resgatei ele com o intuito de usar como um laboratório pra testar técnicas diferentes de tipografia. A continuação da resposta tem a ver com a próxima pergunta…

Que papel plataformas como a Touts tiveram na sua carreira como artista?

A Touts, e outras plataformas POD, tiveram um papel fundamental para a Koning não ser apenas um projeto parado dentro da gaveta, mas algo que eu podia investir tempo e fazer acontecer.

Como já estive dos 2 lados (do designer que faz a arte, e da pessoa que tem que produzir e entregar), sei muito bem o trabalho que rola pra produzir produtos de qualidade e entregar para o cliente final. Isso sem contar toda a estrutura e logística online.

Acho muito legal poder contar com plataformas como essa para fazer o que eu considero a parte mais difícil.

Quais as principais vantagens que você enxerga em disponibilizar sua arte em sites como o nosso?

Pra mim a principal vantagem é a facilidade com que uma ideia que estava na minha cabeça, ou rabiscada em um sketchbook, pode se transformar em um produto comercializado pelo Brasil (ou mundo) inteiro. Isso me inspira muito para continuar explorando e testando coisas diferentes.

Quais dicas você daria pra si mesmo no passado, quando estava começando?

Daria muitas dicas, mas 2 principais:

Valorize seu trabalho: Nunca trabalhe de graça, ou por um valor que você não acha justo.

Valorize seu auto desenvolvimento: Dedique seu tempo em projetos que você acredita e que tragam algum tipo de realização, são esses projetos que continuarão relevantes durante muito tempo.

Quais são os próximos passos e o que vem pela frente?

Quero muito continuar aperfeiçoando a minha técnica em lettering e aprender/desenvolver novos estilos. Ultimamente estou muito interessado em praticar mais ilustração também.

No lado profissional quero continuar aprendendo mais sobre branding e design digital. Ainda quero conhecer muitos lugares do mundo e trabalhar em uma empresa global de design.

Pra fechar, um bate-bola jogo rápido:

Uma pessoa incrível — Minha mãe

Um autor — JD Salinger

Um instrumento — Meu violão

Uma cidade — Londres

Uma saudade — Meu pai

Uma comida — (literalmente a pergunta que mais demorei pra responder) Pizza

Arthur por Arthur em uma frase — Vou pegar emprestado do Caetano Veloso: “I’m wandering round and round nowhere to go”


Essa foi a conversa e um pouco da história do Arthur e da Koning, um dos mais de 2.500 artistas da comunidade da Touts. Pra conhecer mais sobre seu trabalho e encontrar produtos com suas artes, não deixe de visitar a página dele na Touts.

Para ler entrevistas com outros artistas incríveis de nossa comunidade, dá uma conferida no nosso blog que tá recheado de histórias incríveis.

Abraço de urso,

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