Artista da Vez #12 — Maurício Mota

Sempre ficamos muito felizes em trazer novos talentos pra luz através da Touts ou de nosso trabalho de maneira geral. A alegria é dobrada quando temos chance de conhecer pessoas incríveis que nem imaginaríamos encontrar se não fizéssemos o que fazemos. O Artista da Vez é de um lugar bem longe do nosso Rio de Janeiro, mas não menos carismático que qualquer carioca. Residente de Cuiabá, faz jornada tripla de publicitário, artista e pai; e ainda tem tempo de criar vários projetos paralelos!

Senhoras e senhores, com vocês: Maurício Mota

Mural “Segredos” — Colab de Maurício Mota (foto) e Guilherme Goes

Como você se apresentaria em um reality show de aventura?

Eu diria algo como “Gente eu juro, alguém me inscreveu aqui, não foi eu não!” e sairia correndo, torcendo pra acordar logo do sonho \o/

E como você se apresentaria pro restante da comunidade da Touts?

Opa! Ainda achando um sonho, mas agora torcendo pra não acordar, diria que sou Maurício Mota, 27 anos, ilustrador, designer gráfico, publicitário, artista plástico e Pai de uma princesa de 4 anos :)

Você é formado em Publicidade e Propaganda, né? Como surgiu sua relação com a arte e o design? Veio de antes dos tempos de faculdade ou começou a se interessar por isso mais tarde?

Exato, sou publicitário de formação. Então, quando eu era criança, boa parte do tempo eu passava desenhando, ou melhor, copiando desenhos famosos (pokemon, dragon ball, e games dos anos 90), mas também testando técnicas (adorava assistir “Art Attack” no Discovery Kid’s) das mais variadas. Então, meio que sempre tive contato com arte, mas não fazia ideia que eu poderia viver disso. Com 11 anos fui me tornando íntimo de softwares de criação e edição gráfica, e aos 14 já estava tendo noção de que existia um mercado enorme para ser explorado. O problema era esse: Como escolher e saber em que área atuar? Decidi arriscar pra Desenhista Industrial (o mesmo que Designer Gráfico), pois parecia casar com o meu lado perfeccionista (que no caso, é seletivo pra caramba, já que também sou levemente desorganizado). Por motivos de força maior, eu deveria escolher Cuiabá como meu novo lar (na época morava em Ji-Paraná RO) e na UFMT não tinha esse curso; O mais próximo disso era Publicidade e Propaganda, e resolvi tentar. Ou seja, meu contato com a arte veio cedo, acabei fazendo Publicidade, mas somente com a vivência da Universidade é que o contato com a arte se tornou acentuado, devido as pessoas incríveis (não é mesmo?) que conheci!

Como foi essa sua transição de artista gráfico pra artista plástico? Quais são os maiores desafios e o que te deixa mais pilhado nessa nova fase?

Então, na real foi mais que uma transição, foi uma fusão! Eu acabei trazendo tudo de bom que aprendi com o design gráfico no curso de publicidade (devo muito ao período do TCC) para a arte plástica, mas também levei o que eu amo da arte, pro design. Pode-se dizer que meu design, embora técnico, abusa do instinto, bem como minha arte, apela para algumas metodologias.

Sketch inicial em carvão do Mural “Segredos”

Creio que fui motivado pelo encantamento das duas áreas. Quanto mais eu lia sobre arte, ou design, mais eu me apaixonava por ambas. Porém, não posso negar que o fato de conseguir um retorno financeiro mais certeiro com o design, me mantinha sempre a par dessa área de atuação.

Time Lapse — Mural “Mente do comunicólogo” — Colab de Maurício Mota e Rodrigo Piasecki

Pode contar pra gente um pouco do seu processo criativo no seu dia a dia, como você se mantém inspirado e motivado a criar?

Bom, como eu não sou uma pessoa que gosta de ler, minha mente se acostumou a estar interessada e muito curiosa com as histórias e acontecimentos que rolam no dia-dia. Sempre fui de me envolver muito, olhar no olho das pessoas, e ouvir (ouvir de verdade) o que elas estão falando. Portanto, diria que minha maior inspiração são as pessoas, com certeza. O processo em si varia muito, muito mesmo. Geralmente eu rabisco algo super cru no papel, faço anotações e corro pro PC pra não perder aquele calor e energia que toma conta na hora.

Onde você busca suas principais influências e referências?

Acho que minhas primeiras influências foram os desenhos que assistia; mas ainda criança eu comecei a me interessar muito por filmes também. Creio que foi nesse momento que o storytelling me chamou a atenção. Durante a faculdade conheci uma galera show, e fui descobrindo cada vez mais os diversos momentos e movimentos artísticos do mundo, dentre eles eu citaria Fine Art, Surrealismo, Pop Art e o Graffiti. Com o tempo, acabei tendo artistas favoritos, como Akira Toryama, James Jean, Aryz, Bezt, Sainer, Os Gêmeos, Bicicleta sem Freio, Loish, T-wei, Sachin Teng e vários outros. Com certeza são eles minhas maiores influências e referências hoje em dia, no que diz respeito a influência estética.

Local de trabalho com alguns Prints de Maurício (disponíveis aqui, aqui e aqui na Touts)

O que você mais gosta de fazer no seu tempo livre?

Pasmem, mas não é desenhar. O que eu mais gosto de fazer no tempo livre é ver filme, dar muita risada com amigos, tomar cerveja, pirar em planos mirabolantes de projetos que podem ser viáveis, discutir idéias sempre com muita relativização e desconstrução de pensamento. Ah, e também curto pensar em desenhos futuros, e anotar em pedaços de papel ideias aleatórias que eu possivelmente esqueceria logo mais.

Que papel plataformas como a Touts tiveram na sua carreira como artista?

Cara, teve um papel enorme pra eu perceber que minha arte tinha mesmo valor, e não só valor pessoal, mas também monetário. Graças a plataformas como essa, cada vez mais artistas são convidados a experimentar, sem arriscar absolutamente nada, como é viver de arte!

No meu caso, também rolou um gás na auto estima, pois ver pessoas do Brasil todo conhecendo minhas criações me fez acreditar mais em mim, enquanto artista.

Quais as principais vantagens que você enxerga em disponibilizar sua arte em sites como o nosso?

O alcance. Mais até do que a questão do valor recebido (que é muito maneiro também), mas com certeza o fato de alcançar pessoas fora do meu ciclo de amizades, cidade e estado.

Quais dicas você daria pra si mesmo no passado, quando estava apenas começando?

Cara, eu acho que eu ia dar um puta abraço no guri, e falar: Tô muito orgulhoso de você, continua acreditando com esse brilho inocente no olho, e aguenta firme nas tempestades por que coisa boa vai chegar. Fecharia dizendo pro guri: Acredita em você, se valoriza, e não desiste.

Arte: Fish Dream

Quais são os próximos passos e o que vem pela frente?

Ta aí um mistério. São tantas possibilidades que estão em suspensão e também em execução, que eu poderia dizer que um dos próximos passos seria justamente o foco. Quero ir fazendo de tudo um pouco, na medida do possível, experimentar sempre, mas também to afim de ter algo mais certeiro. A aproximadamente 1 ano e meio, venho tocando com 2 amigos uma marca de camisetas independente chamada Nice, da qual fazemos tudo, desde as ilustrações até parte da confecção; Estamos alinhando ideias de como torná-la sustentável, gostosa, criativa e com aquele gostinho de novidade.

Pra fechar, um bate-bola jogo rápido:

Uma pessoa incrível — Meu pai mano, e minha mãe também (deixa 2 vai?).

Um álbum — Geralmente eu ouço músicas avulsas, mas nunca álbum.

Um livro — Cara li muito pouco até hoje, mas curti muito O Pequeno Príncipe.

Um lugar — Qualquer lugar em que estejam meus amigos, filha e mulher :)

Um defeito — Sou um pouco enrolado

Amigos são — O que eu tive e tenho de melhor na vida

Maurício por Maurício em uma frase — Um cara que pode até não ser o melhor, mas aquele que fará sempre o seu melhor.


Essa foi um pouquinho da história do Maurício Mota, um dos mais de 2.000 artistas presentes na Touts. Se quiser conhecer mais sobre seu trabalho, não deixe de conferir a página dele na Touts, seu portfolio online e instagram.

Para ler entrevistas com outros artistas incríveis de nossa comunidade, dá uma conferida no nosso blog que tá recheado de histórias incríveis.

Abraço de urso,

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