Como é trabalhar como Front-End, por Fernanda Bernardo

Esse post é parte de uma série de entrevistas para o Training Center sobre o que um profissional pode dizer sobre sua área de atuação visando mostrar para outras pessoas como é trabalhar no que fazem, esclarecendo para algumas pessoas se elas se dariam bem trabalhando na área ou mesmo só para mostrar para outras pessoas como é trabalhar com isso.

Introdução

Eu sou Fernanda Bernardo, tenho 22 anos, sou formada em Sistemas de Informação pela USP. Trabalho como engenheira de software, com foco em front-end no Elo7. Comecei a trabalhar na área de computação em 2013, onde comecei a conhecer um pouco mais sobre front-end.

Como você conheceu a área de Front-End?

Antes de falar sobre a área de front-end, acho que vale a pena dizer como vim parar na área de programação.

Quando estava no terceiro ano do ensino médio, ainda não tinha decidido o que cursar na faculdade. Eu sabia que não gostava da área de humanas. Logo, me restava exatas e biológicas… Biológicas, eu sabia que só tinha interesse em estudar, mas não em seguir uma carreira. Gosto muito de entender como funciona o corpo humano, até para entender mais como meu corpo funciona e como minha diabetes funciona, sim, sou diabética. Logo, eu sabia que gostava muito de exatas, e também de computador. Inicialmente, tinha uma ideia de fazer design de jogos, mas depois de algumas conversas com um professor de matemática (Fernando), ele me fez enxergar que talvez fosse melhor eu fazer um curso mais abrangente e depois me especializar na área que eu quisesse, por isso me indicou Ciência da Computação (BCC)

Para deixar bem claro, não fazia ideia do que era programar, nunca nem tinha aberto um prompt de comando, muito menos sabia o que era. Mas acabei prestando vestibular para essa área com segunda opção em Sistemas de Informação (sabia menos ainda o que era esse curso, coloquei lá porque era obrigatório). O que aconteceu, foi que eu não passei em BCC e passei em sistemas. Decidi começar a faculdade, mesmo sem saber tanto assim o que era o curso, e comecei a aprender programação. O que aconteceu a seguir, foi que eu amei programar e me interessei cada vez mais pela área.

Descobri que tinha caído, sem querer, na área certa!

não fazia ideia do que era programar, nunca nem tinha aberto um prompt de comando, muito menos sabia o que era

Como foi o seu primeiro trampo?

Quando estava na faculdade, meu planejamento inicial foi de começar a trabalhar apenas do terceiro para o quarto ano da faculdade. Mas, como planejamentos podem dar errado, na metade do segundo ano, por indicação de um amigo (da faculdade), fui fazer entrevista na Caelum. Passei no processo seletivo e comecei a trabalhar lá como estagiária. Lá eu descobri que programação no mundo real é bem diferente do que nos ensinam na faculdade. E foi lá que comecei a aprender a programar de verdade. E não só isso, mas a possibilidade de áreas que eu poderia ir. Poderia trabalhar com mobile (Android e iOS), Ruby, Java, Agile, UX (User Experience), Banco de Dados, Machine Learning, Arduíno, entre muitas outras coisas. Inclusive, aprendi um pouquinho sobre cada uma dessas coisas.

E foi lá que eu comecei a aprender sobre o universo front-end. Um grande problema que eu descobri nessa época é que aparentemente eu gostava de todas as áreas, achava tudo muito legal e interessante e queria aprender sobre tudo. E aprendi um pouco sobre cada área, mas eu tinha a necessidade e vontade de me aprofundar em algo, ser o conhecido profissional T (conhece um pouco sobre algumas áreas mas se torna especialista em uma). Assim, comecei a tentar descobrir o que eu realmente gostava, o que foi bem complicada.

Depois de algum tempo, comecei a perceber que sou uma pessoa muito visual, e para que um trabalho ou projeto que eu estivesse fazendo me interessasse, eu tinha que VER o resultado. É um pouco confuso, mas pra mim não adianta só ver milhões de linhas de código, ou um banco de dados com várias queries, eu preciso ver um resultado em um tempo quase instantâneo. Assim, eu comecei a me interessar cada vez mais por front-end, algo totalmente visual, e fui me animando com isso.

Os meus dois estágios depois da Caelum (no Itaú e na Ericsson), foram em uma área de gestão de risco, bem longe de tecnologia, e em back-end, bem longe de front-end. Eles me fizeram ter mais certeza que o que eu realmente gostava era de front.

programação no mundo real é bem diferente do que nos ensinam na faculdade

Quais são as skills de quem trabalha nesta área?

Primeiro de tudo, um front-end precisa gostar de estudar e ir atrás de novas tecnologias. Essa área tá sempre se renovando e, como dizem, “um framework JS é criado a cada minuto”.

Um outro ponto importante, na minha opinião, é gostar de testar. Um front-end não faz uma tela e faz funcionar apenas no Chrome ou Firefox. Um layout deveria funcionar no Internet Explorer, Edge, Safari, Chrome, Firefox, e nesses mesmos browsers tanto no desktop quanto no mobile; não podemos esquecer dos tablets também. Então, testar é muito importante, porque além de muitas tecnologias, a área de front-end tem várias especificações que funcionam apenas em versões específicas de determinados navegadores.

Portanto, curiosidade, ser autodidata e atualizado são skills bem importantes.

Quanto a tecnologias, acho que o principal é saber HTML, CSS e JavaScript. Isso é o essencial, todo o resto dos milhões de frameworks e bibliotecas derivam desses três. Além disso, não é uma exigência da área, mas eu particularmente acho bem importante, é o front-end saber pelo menos o básico de back-end. No Elo7, nós front-ends sabemos pelo menos o mínimo de back-end e quando necessário conseguimos mexer sem ter que criar tarefas para outros times. Isso nos torna mais independentes e também faz com que tenhamos uma visão um pouco mais abrangente de um projeto.

“um framework JS é criado a cada minuto”

Quais são as principais recompensas da área?

Acho que a principal resposta para essa pergunta é: depende.

Depende de muitos fatores, entre eles a empresa que você trabalha, o seu time, o seu nível de conhecimento. Já vi muitos front-ends trabalhando remoto, por exemplo, mas no Elo7 chegamos a conclusão que para o nosso time isso não faz sentido. Isso, pelo fato do nosso trabalho ser sempre pareado, ou seja, sempre fazemos tarefas em duplas, dessa forma espalhamos o conhecimento de forma mais rápida e o desenvolvimento também fica mais ágil.

A comunidade front-end também é muito ativa. Existem muitos eventos, meetups e fóruns de discussão. As pessoas também ajudam bastante umas às outras, o que torna bem mais simples entrar nessa área.

Uma das recompensas que mais valem a pena, é o reconhecimento. Melhorar a experiência de um usuário em um site e ser reconhecido por ele, é a melhor coisa que existe. Se o seu site possui métricas, e ver que uma alteração boba no layout pode aumentar a conversão ou o número de visitas em uma página, isso realmente vale a pena.

Melhorar a experiência de um usuário em um site e ser reconhecido por ele, é a melhor coisa que existe

Você pensa em mudar de área?

Jamais! Amo o que faço e a cada dia aprendo uma coisa nova. Sempre existem novos desafios. O máximo que eu poderia fazer é aprender outra área, mas não largaria front-end.

Por que alguém deveria se tornar Front-End?

Primeiro, acho que para se tornar front-end, é necessário se preocupar com a experiência do usuário, não é apenas fazer uma tela bonitinha. Existe toda uma preocupação e estudo para deixar a tela “bonitinha”. Além de que, é necessário se preocupar com essa experiência em diversas plataformas. Isso que eu não falei sobre acessibilidade, ou seja, como tornar um site acessível para quem tem alguma deficiência visual, motora, déficit de atenção, daltonismo….. Concluindo, ser front-end é pensar em vários casos, vários tipos de experiências, e tentar garantir que ela seja a melhor possível.

ser front-end é pensar em vários casos, vários tipos de experiências, e tentar garantir que ela seja a melhor possível

Este foi um post sobre como é trabalhar como Front-End Developer, porém temos também sobre como é trabalhar como Consultor de TI, por André Baltieri, Coordenador de Sistemas, por Jhonathan Souza Soares, Quality Analyst Engineer, por Úrsula Junque, outro sobre Full-Stack Developer, por Ana Eliza, Front-End Developer, por Clara Battesini e muitos outros. Confere lá!

Continue acompanhando nossos posts sobre como é trabalhar nas áreas relacionadas a desenvolvimento de software.

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