Ignoramos os objetivos do cliente, mas fazemos isso com muito bom humor!

Em algum momento da história a humanidade derrapou feio e passamos a acreditar que Social Media tem relação direta com humor.

Eu tenho 40 anos e nasci velho. Comecei a trabalhar com "propaganda" com 15 anos de idade, tendo gasto minha poupança pra comprar um scanner de mão, um computador "potente" (que devia ter 3% da capacidade de processamento de seu iPhone) e uma impressora laser que usava para produzir "fotolitos" de panfletos, folders e outras coisas que preparava para pequenos comerciantes do Recife. Com 19 anos fui trabalhar em uma agência, já cursando publicidade, como diretor de arte. Só migrei pro digital em 2008, depois de ter atuado como Diretor de Criação e como Planejamento. Me apaixonei pelo digital mas mantive a fundação do off, sempre olhei o todo, sempre me preocupei com os "conceitos antiquados". Encarei a mudança como uma evolução natural, na minha cabeça em breve todo publicitário precisaria entender o digital para se manter no negócio, mas entendia que não era uma total ruptura, que era uma adaptação.

Mas o que isso tem a ver com humor em Social Media?

Sabe qual a maior dificuldade que temos em montar um bom time de profissionais para atua em Redes Sociais? Encontrar gente que entenda o todo, que compreenda que a boa comunicação não é on ou off, é integrada, é on life. O mercado fervilha com novos publicitários e jornalistas que entendem tudo de Facebook, Snapchat ou Twitter, mas que entendem quase nada de comunicação. Gente que leva consigo o credo que tudo se resolve no ambiente digital. Que acredita que o maior valor pra uma marca é a quantidade de likes ou compartilhamentos. Que acredita que branding é uma bobagem, é secundário, e que planners tem que entender que é preciso praticar uma certa flexibilidade para se ter sucesso nas redes. Gente que muitas vezes tem uma noção bem distorcida de sucesso. Uma turminha cheia de vontade, empáfia e arrogância (ou seja, nada diferente dos antigos publicitários) que chamam de velho quem não entende que na cabeça deles faz todo sentido um cemitério ter uma fanpage de piadas ou uma marca centenária cujo grande público são mães fazer um post com "manda nudes".

Eu já defendi que a culpa desse tipo de postura pode ser dividido entre vários responsáveis (AQUI, AQUI e AQUI). Agências, clientes e profissionais da área, todos tem sua parcela de culpa. Uns mais que os outros, mas todos tem. O que mais me assusta não é o problema existir, é tudo novo, pode ser um ajuste, mas é a clara percepção de que isso tende a seguir em frente, é a certeza de que tem gente atuando para manter as coisas nesse nível (baixo).

Os anúncios de vaga em agências "digitais" são bizarras comprovações do que me preocupa.

Deviam estar contratando revisores, ou ao menos SMs que saibam escrever, ao invés de exigirem saber a dancinha (com Ç) do último hit dos universos dos memes.
Claro, piadinhas ajudam a quebrar o clima, vamos brincar na hora de publicar a vaga pra saberem que somos da zoeira — e é uma vaga de programação.
Vamos lá, o importante é rir dos memes e dar valor a comida free!

E esses são apenas alguns dos mais recentes que circularam nas redes. São centenas deles procurando gente que curta memes, goste de contar piadas, conheça de zoeira, saiba "falar a língua da redes sociais" e outras leseiras. Ah, Eden, mas então você está dizendo que esse novos publicitários digitais são ruins e ponto, que são ruins porque não tem a mesma história que você? Não, não é exatamente isso. Eles não precisam da mesma história, precisam apenas da consciência de que o universo da propaganda é maior que eles e que as necessidades de seus clientes são diferentes das deles. Isso, por si só, já seria fantástico.

Sendo assim eu mantenho o meu conselho: avalie com MUITO cuidado, antes de contratar, uma agência que acha que zoeira é a pedra filosofal da presença digital.

Mas eu ainda tenho um segredinho para lhe contar.

Adolescentes querem piadas em redes sociais, consumidores querem eficiência. Vejam esse caso aqui:

Abaixo as palavras do cliente:

“Social Media não trabalha. Social Media qualquer um faz. Social Media só fica no Facebook rolando feed.”
Se é essa a definição que você tem de Social Media amigue, respeita pq o povo É FODA DEMAIS!
Eles é que fazem você amar ou odiar uma marca, celebridade, empresa, enfim.
Eles são os senhores do atendimento e reinam por baixo da cortina cinzenta que é um usuário indignado com algum serviço e a possibilidade de resolução do mesmo para um final feliz.
Eles possuem o poder do feeling e sentem os casos, ajudando quem estava antes desesperado e trazendo a luz ao caos.
Vamos ao caso, AO MEU CASO.
Em menos de 24 HORAS resolvi digitalmente algo que PENEI fisicamente durante 3 MESES tentando resolver!

É, o que você acha que deixaria-o mais feliz, a eficiência de ver seu problema resolvido ou uma piada envolvendo uma capivara?

Afinal, o que você (agência) e você (cliente) precisam? Se é de humor, ok, contratem comediantes. Se é falar com adolescente, ok, contratem PHDs em memes. Se é sair em grupos de Social Medias tendo suas sacadas elogiadas, ok, contratem Jedis (não consigo escrever isso sem rir) de redes sociais.

Mas, amigo, se você quer ganhar DINHEIRO, contrate uma agência séria (e isso não quer dizer mal-humorada), que não necessariamente é cheia de profissionais chatos — como eu — mas que é cheia de profissionais que entendem o todo e sabem que "linguagem das redes" é uma desculpa imbecil para quem só sabe aplicar uma determinada fórmula nas redes, que olham para sua marca e seu negócio pensando em lhe proporcionar resultados reais e não atingir aquilo que consideram "sucesso" e que não vai lhe render um centavo a mais no balanço do fim de ano.

De que o digital é o "futuro" eu não tenho dúvida… eu duvido mesmo é do futuro do digital.