Medium ou Maximum?
Medium e sua possibilidade real de ir ao Maximum, aprendendo com a lógica do Youtube


O Medium é parte de uma tendência de trabalho e mercado que vai transformando aos poucos a realidade. O trabalho intelectual vem ganhando valor e se expandindo em possibilidades ante as formas produtivas tradicionais de se ganhar a vida.
Neste contexto, o Youtube vem demonstrando ser uma força poderosa de transformação do meio de subsistência. A produção de vídeos, as visualizações, os canais, crescem dia após dia e, apesar do enorme volume que representa, ainda é muito incipiente. No Brasil, há muito pouco investimento e percepção de valor nesta nova janela para atuação empreendedora. Tem sido visto como estratégia de Marketing, mas poucos ainda apostam diretamente no Youtube como negócio e via de renda sustentável. (Comparo a um estado ótimo).
Mas o Youtube não é o foco deste texto. O foco é refletir sobre as novas possibilidades que se apontam e que podem surgir de evolução do trabalho intelectual pela internet, sob novos arranjos de monetização. É preciso nos esforçarmos neste sentido, de encontrarmos meios e maneiras de inovar nas possibilidades de rentabilizar as criações e a criatividade.
Isso passa pela necessidade de interagirmos mais abertamente e sem receios autorais para conjugar, cocriar e compartilhar experiências e conhecimentos, mas sobretudo, para se criar conhecimento novo, o que ocorre quando construímos uma rotina, ou melhor, uma convivência de interações, encontros e situações que tornem frequentes o conversar entre diferentes pessoas e pensares.
O Medium está também neste contexto potencial. Pode tornar-se um abrigo de crescimento na web, tal como o Youtube tem se tornado, se souber direcionar seu desenvolvimento. Depende de que ele se faça como o Youtube. O Youtube possibilita a monetização para o usuário. A lógica é, quanto mais visualizações, curtidas, inscritos, eu (Youtube) ganho com propagandas e o usuário que é o produtor do vídeo ganha uma comissão por isso. Quer dizer, o Youtube oferece a plataforma grátis e vende a produção, o usuário cuida de produzir, e os lucros são divididos entre usuário e Youtube. Se a porcentagem é justa ou injusta não vem ao caso. O ponto é: a internet possibilita que quem tenha a ferramenta ofereça para que os “artistas” utilizem em sua produção. E neste caso o sentido de artista é amplo, cabe ensinar ou fazer qualquer coisa, até mesmo mostrar como se dobra uma camisa.
O aspecto principal é que há um campo inexplorado de empresas que podem fazer o mesmo que o Youtube fez. O Medium trabalha em cima de um destes campos. A escrita como ocorre aqui revela a mesma natureza de possibilidade de ganhos que a do Youtube.
As revistas poderiam vender anúncios sem que isto mine a estética como se teme. Por quê não? Ou ainda, cada revista pode ter seu sistema de financiamento coletivo embutido. O leitor escolhe quanto quer doar pra manter a produção. A divisão de lucros pode ser obrigatória, por views/reads de textos. O usuário que quiser receber ativa a monetização, como no Youtube. Os Editores/Donos da revista ganham uma porcentagem justa por terem criado, por manterem, divulgarem e organizarem a revista, arranjado os temas, encontrando bons escritores, etc. E a empresa Medium ganha de quebra sua porcentagem, por possibilitar a estrutura e tudo mais. Tudo na porcentagem que se possa concluir como justa à todos.
Isso permite inclusive se incrementar cada vez mais a proposta Medium, uma vez que torna-se interessante para todas as partes rumar à melhor experiência de produção possível (a plataforma pode se tornar uma incubadora). Isto iria representar parte desta revolução do trabalho também. Acho completamente lógico que escrever para o Medium amanhã se torne exclusivamente o trabalho de alguns, como hoje existem inúmeros Youtubers por aí que vivem disso.
Tenho certeza que quando perguntamos pra inúmeros (centenas ou milhares) de bons escritores do Medium se eles gostariam de viver só disso, muitos, como eu, afirmariam: Certamente! E com muito prazer!
Quer dizer, falta compreender o que o Medium está esperando para fazer isso. Significa também que há margem e oportunidade pra que surja outra empresa neste viés que dirija sua inovação no sentido de possibilitar a monetização para o usuário. Enquanto o Medium não tomar atitude estará correndo o risco de que outro saia na frente, ainda que com uma menor estrutura, mas certo é que quando algo tem de vir, apoio é o que não faltará.
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