Muitos são chamados. Poucos são escolhidos. Raros os que jogam de verdade
Era fim de 2013. Aquele clima natalino que impregnava os ambientes me deixava um tanto nauseado, como de costume. Foi numa dessas que peguei a lapiseira, o caderno vermelho e comecei a rascunhar um “mini-guia” sobre o sistema de crescimento pessoal.
O texto era algo bobo, sem muitas pretensões. Na verdade, foi uma tentativa de dissecar uma palestra que vi em vídeo, meses antes. A fala da interlocutora abrangia três coisas que são inerentes à vida de pessoas que desejam ter algum tipo de relevância social. Seguindo o princípio de Pareto, digamos que são as guias para os 20% que movem 80% das coisas que acontecem no mundo.
Espero que de alguma forma isso lhe sirva. Parece auto-ajuda. Só parece.
Desapontamento
Se desapontar com as pessoas é algo que tende a ser frequente, na medida que se conhece mais e mais gente. Sim, até aquelas mais amáveis causam decepção. Precisamos lembrar que:
a. Em determinados momentos, as pessoas podem fazer coisas que sempre disseram não fazer. Quer exemplo melhor que Pedro, o discípulo que negou seu mestre 3 vezes?
b. Num barco ou navio afundando, dificilmente seremos a “Rose” do filme “Titanic”. Talvez nosso “Jack” não ceda o armário que bóia no mar gelado. Provavelmente, cada um verá o seu lado. Ajudar é uma regra para mim. Mas, às vezes, será que vale se esmerar tanto pelo interesse alheio?
c. Perdoar é preciso. As alianças próximas irão nos prejudicar tanto quanto as mais distantes. Infelizmente, isso é natural.
d. Algumas amizades têm uma porcentagem de desprezo. É difícil aceitar isso, tudo bem. Poucos irão comprar o nosso peixe em momentos decisivos. Para isso, precisamos gerar o máximo de valor possível para as nossas relações.

Adiamento do Prazer
O prazer maior será como o horizonte. Podemos nos aproximar dele, mas a distância será a mesma. Persegui-lo é inútil.
a. Somos movidos pelo binômio “Clima+Hormônios”. Para cada estratégia desenhada, é preciso ter isso em mente. Quanto mais influenciados por esse binômio, mais caçadores do prazer seremos.
b. É provável que nunca haja prazer em determinadas metas cumpridas. Quando se persegue coisas teoricamente difíceis, a meta realizada é apenas mais uma dentre o conjunto maior.
c. Prazer máximo é ilusão. Vender isso é poderoso, porém desleal, uma vez que sabemos o quanto muitos de nós não tem esse conhecimento sobre si mesmos, a ponto de viverem atrás do prazer como cães atrás do próprio rabo. Triste.
d. A vida é composta de pequenos momentos de prazer, somados a outros vários de desapontamento. Sentir cada um intensamente nos livra de sermos “planta”, nos entendendo melhor.

Peso da Responsabilidade
É mais fácil fugir da responsabilidade do que agarrá-la à unha. A “anti-passividade” somada à responsabilidade produz resultados incríveis.
a. Responsabilidade se adquire. Nunca se impõe. Quando imposta, infelizmente, dá merda. O indivíduo pode ficar desnorteado e não executar bem as tarefas.
b. É muito fácil sucumbir ao peso da responsabilidade. O fardo só aumenta quando desejamos “fazer direito”. Isso é quase diretamente proporcional.
c. Joguemos as regras do jogo proposto. Se houver atalhos legais, usemos. Evitar o coitadismo pode nos fazer muito bem, uma vez que esse sentimento é uma doença autoimune. O jogo só vira para quem joga. Pra fazer gol, tem que chutar.
A conclusão?
Parece um guia de autoajuda, não é? Mesmo assim, é incrível como quantos de nós ainda sucumbem diante da responsabilidade, em especial nos primeiros desapontamentos. O prazer não é, nem nunca será, imediato, o que também se torna um grande impeditivo a muitos.
Diante de todas essas anotações, a minha conclusão ratifica os 3 pilares, somando-os ao teorema de Pareto com uma breve e bíblica frase:
“Muitos são chamados. Poucos são escolhidos. Raros os que jogam de verdade.”
Independente da sua posição política e dos resultados do último ano, vale publicar aqui a origem de todo esse post. Espero que tenha lhe sido útil!
Aproveite.